Era mais um daqueles dias primaveris em pleno mês de Março. Depois de uns dias de férias, Casimiro tinha agora de voltar para a universidade. Iniciava-se mais um semestre da sua vida escolar.
O semestre anterior não tinha corrido nada bem, e Casimiro, que até não se andava a sair nada mal no seu caminho universitário, conseguira concluir com sucesso apenas uma cadeira. A verdade é que ele e Zezerina tiveram uma zanga séria, acabando por terminar uma relação fascinante que vinham mantendo há já muito tempo.
Foram seis meses penosos, em que o Astro nada mais queria fazer senão passar todas as horas, cada minuto, sem perder nenhum segundo, a dormir e a chorar. Mal comia e quase nunca lavava os dentes. «Para quê?», pensava.
Mas as coisas tinham de mudar. Ele tinha de animar o ego e voltar a mostrar-se ao mundo. Afinal, Zezerina não era com certeza a única rapariga a conseguir amar um rapaz como ele. Assim, finalmente, Miro começou a reagir. Voltou a alinhar em saídas com amigos, em jogos de sueca e até, sem notar, voltou a reparar noutras raparigas.
Mais três meses se passaram, e tudo corria de vento em popa. Desde que resolveram seguir em frente, Miro e Zezerina tinham cortado relações. Deixaram de querer saber um do outro, e isso estava a fazer-lhe um bem danado. O Astro voltou a ser quem era antes daquele bailarico de Verão, agora tão longínquo e remotamente recordado.
Eis que o dia chegou. Mais um semestre volvido, e o nosso herói vê-se a ficar de férias.
O presente ano fazia-se destacar dos anteriores pelo perfeito encaixe do tempo com a estação correspondente. (Algo que não acontecia há uns valentes anos.) Assim sendo, os meses seguintes seriam passados por Portugal. A aproveitar muito aquele solzão. Sem preocupações. Sem nada.
No fim-de-semana seguinte, tinha presença confirmadíssima em mais uma daquelas festas de Verão que os seus amigos tanto gostavam de organizar. No entanto, esta não era uma festa normal. E o Astro sabia. Sabia que, depois do jantar, depois de alguns copos em casa de Zé Tony, a festa continuaria no bailarico de Verão, em homenagem a um santo lá da terrinha. Facto que fazia com que Casimiro ficasse algo apreensivo, pois estas festividades recordavam-no de Zezerina e de todo o encanto em que eles sempre estiveram envolvidos.
Mas era hora de ultrapassar também isso, de passar por essa provação. E foi assim que Miro se despiu de todos os seus receios mais íntimos e, naquele sábado, se preparou a rigor. Sem saber, e sem que fosse sua intenção, Casimiro era o rapaz mais giro do recinto. Não reparou que, enquanto ia rodando como uma bola pelas amigas com quem saíra, numa dança desenfreada ao som de Mickael Carreira, se tinha tornado no centro das atenções de todas as moças jovens que lá se encontravam. No entanto, não demorou muito para que o Astro se começasse a sentir observado e, até, assediado. Sentiu-se mal. Sentiu-se a deprimir. Fugiu.
Já bem longe do barulho da festa, Casimiro deixou de correr. Sentia-se confuso. Não entendia bem o que se tinha passado. Só sabia que queria estar sozinho. Num sítio calmo. E, sem que desse por isso, os seus pés dirigiram-no para o lugar mais romântico e calmo que ele conhecia e onde tantas vezes havia permanecido horas e horas apenas a olhar bem fundo nos olhos da sua amada, Zezerina.
Embrenhado nestes pensamentos, não se apercebeu de que alguém se aproximara. Um leve restolho sobressaltou-o. Pos-se em pé de um pulo e deu de caras com a mulher mais linda com que alguma vez se cruzara. Os seus olhos viam Zezerina, os seus ouvidos percebiam outra coisa:
- Olá, eu sou a Luísa.
23 de Março de 2009
Casimiro acorda para a vida
Texto de
Ana Maria Cardoso


3 reacções:
o miro é uma especia de salazar lol
Adeus, Zezerina. Olá, Luísa!
mas a fumadora misteriosa vai atacar!
Enviar um comentário