- Estou enjoado.
- Não estás nada. Vamos a mais uma.
- Estou, estou. Passámos a tarde nisto. Vamos parar um bocado.
- Vamos nada. Só mais uma. Vá lá.
- Nem penses. Já estou tão farto disso que nem imaginas.
- Mas eu não. Sabes que não posso fazer isto todos os dias, como tu.
- E eu com isso? A menos que me queiras ver a chamar o grego, por hoje já chega.
Casimiro estava na Bracalândia. Os seus pais tinham-no deixado ir passar uns dias a Braga, a casa de um primo afastado. Duas horas depois de terem avançado o muro, para entrar no parque de diversões, ainda não tinham feito outra coisa além de andar nos Elefantes Voadores. Até concursos para ver quem corria mais rápido da saída da diversão até à entrada já tinham feito. O Astro estava à frente. 15-9. O senhor Orlando, que controlava as entradas, já não os podia ouvir. Parecia que cada nova volta era a primeira. Sempre eufóricos, sempre aos empurrões, sempre aos gritos. Foi com alívio que os viu a afastarem-se em direcção à zona da esplanada.
Finalmente, sentaram-se numa mesa. Cada um a lamber o seu gelado.
- O enjoo passou-te rápido, seu mentiroso. Estás aí agarrado ao gelado como se não houvesse amanhã.
- Come o gelado e cala-te, Miro. Em que vamos andar a seguir?
- Hum... Pode ser nos Elefantes Voadores. Que dizes?
- Digo que és parvo.
Enquanto discutiam o que iam fazer nas horas seguintes, na mesa ao lado sentava-se um casal de estrangeiros. O homem era alto e magro. De pele muito branca e cabelo ainda mais. Parecia preocupado. A mulher, baixa e anafada, parecia mais alegre, apesar de vigilante. Trocavam sussurros numa língua que os primos não conseguiam entender. Sem saber muito bem porquê, alguns minutos depois, Casimiro e Lucas seguiam os dois "camones", como lhes decidiram chamar. O casal dirigia-se para as oficinas. O duo que os seguia, em conferência, chegou à conclusão de que «o esticadinho e a gordalhufa não andam por cá a fazer boa coisa». Algo de intrigante se passava ali.
Chegados ao local para onde se tinham encaminhado, começaram a engendrar um plano para se tentarem aproximar e perceber o que os "camones" estavam a preparar. O Pedro, sempre a cabeça do grupo, fitou as gémeas e disse...
- Oh! Avô, estás outra vez a trocar as histórias do pai com as de Uma Aventura.
- Ah!... Estou mesmo a ficar velho. A idade não perdoa.
27 de Abril de 2009
Casimiro entre Douro e Minho
Texto de
José Pedro Assis


2 reacções:
Ora bem... não percebi!
LOL! Awesome! Que saudade dos livros de "Uma Aventura...".
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