Pum!
Casimiro levou um soco tamanho, que fez tremer a terra, estilhaçou os vidros dos prédios e carros à sua volta e o projectou dezenas de metros para a frente, contra um camião-cisterna, que explodiu com o impacto e o projectou de novo, desta vez para o caralho mais velho, centenas de metros acima de Metropolis. Depois de se recompor, o Astro pairou uns segundos no ar, vendo a devastação que o Apocalypse causara à cidade. Por todo o lado se via fumo e ruínas. Por todo o lado se ouvia gritos, e também alguns rugidos e explosões. Casimiro viu o helicóptero do Planeta Diário a seguir de perto o rasto do Apocalypse. Lá dentro iam Lois e Jimmy, a fotografar o que podiam do monstro. Casimiro indagou-se se no dia seguinte ainda haveria Planeta Diário para imprimir aquela notícia.
O Astro sangrava por todos os lados, apesar da sua pele à prova de bala. Tinha o uniforme azul todo rasgado e, da sua capa vermelha, pouco sobrava. Isto não o preocupou, uma vez que logo a seguir voava a pique, em direcção ao seu némesis. Percorrendo centenas de metros em menos de um segundo, Casimiro concentrou o seu ataque numa cabeçada colossal no que pensou serem os tomates do Apocalypse, mas que descobriu serem inexistentes, para seu grande espanto, enquanto o monstro lavrava a grande avenida de Metropolis de uma ponta à outra, devido à força do embate. Casimiro não perdeu tempo a pensar porque raio decidira dar-lhe uma cabeçada nos tomates, pois a sua mente questionava antes como é que Apocalypse conseguia destruir tudo o que encontrava com tamanha falta de virilidade. Usar gajas nuas para o distrair estava fora de questão.
O segredo para o distrair cedo se descobriu, quando Casimiro foi dar com o Apocalypse dentro do McDonald's, engolindo cheeseburgers como se de tremoços se tratassem. Vangloriando-se por ter arremessado Apocalypse para o sítio certo, o Astro preparava-se para lhe dar um forte pontapé no cu quando, inesperadamente, o monstro larga um estrondoso peido, cujo cheiro atingiu Casimiro mesmo na cara. O nosso herói não teve tempo sequer de vomitar ou de indagar-se se o Apocalypse tinha comido mesmo cheeseburgers ou kryptonite, pois o gás flatulento expelido pelo ânus do monstro inflamou-se instantaneamente em contacto com as várias faíscas que saltavam pelo destroçado sítio, explodindo com tudo num raio de um quilómetro.
- CONNNNNNAAAAAA!!!!!! – berrou Casimiro. - Nem a kryptonite dói assim!
Desta vez, o Astro fora projectado para os subterrâneos de Metropolis, ficando soterrado nos túneis do metro. Usando a sua visão raio-X, o nosso herói viu o helicóptero do Planeta Diário, onde seguia a sua amada Lois, a cair a pique, pois as suas hélices tinham sido destruídas por estilhaços da explosão. Num acesso de raiva, Casimiro furou as toneladas de destroços que o cobriam e, em menos de um segundo, impediu que o helicóptero se despenhasse.
O Astro obrigou os seus amigos a fugirem dali, mas Lois não queria deixar o seu desventurado amado sozinho naquela batalha cujo fim não se avizinhava.
- Vai-te embora, mulher! É agora que eu vou dar cabo daquele caralho! - dizia-lhe Casimiro.
- E se for ele a matar-te, Miro? E se for esta a última vez que te vejo?! – gritava-lhe Lois, num ataque de choro e desespero.
E, de seguida, ajoelhou-se à frente do nosso herói, baixou-lhe as cuecas vermelhas, depois baixou-lhe os collants azuis e, pegando-lhe no sexo com a boca, começou a fazer-lhe um felácio tão intenso como se o mundo estivesse a acabar.
Casimiro nem queria acreditar. Metropolis estava a ser toda destruída, o Apocalypse aproximava-se, e ele estava a receber o melhor sexo oral que alguma vez recebera. Ainda melhor do que da outra vez com aquela prostituta exótica, debaixo do viaduto da Trindade. Estava a ser tão bom que o Astro nem quis que ela parasse quando viu o Apocalypse a aproximar-se cada vez mais e teve de usar a sua heat vision para travar o avanço do monstro.
A sorte jogou a seu favor quando o Apocalypse pisou um poio de cão e, praguejando nos seus rugidos incompreensíveis, parou um pouco para raspar o pé no passeio. Isto deu tempo a Lois para uma investida ainda mais intensa no sexo de Casimiro, que, já não vendo nem ouvindo nada, berrou perante a aproximação do seu clímax. Casimiro estava praticamente a ter o tão esperado orgasmo. Era uma questão de segundos... 3... 2... 1...
- Miro! Acorda, filho! Vais chegar tarde à escola! – berrou a mãe de Casimiro, à porta do quarto onde ele dormia.
- Foda-se! Estava ter um sonho tão bom e tinhas de me acordar para a escola – lamentou-se o Astro, reparando na erecção com que estava, ao que a sua mãe disse:
- Tem tento nessa língua, garoto! Aposto que estavas a sonhar com coisas porcas.
Casimiro nada disse enquanto se dirigia para a casa de banho. No chuveiro, o Astro pensava no sonho que tivera, na estupidez de haver um monstro a destruir tudo e no felácio que recebera de uma rapariga parecida com a Erica Durance. «Parecia mesmo real», pensou o Astro, desapontado.
Ao chegar à cozinha, a sua mãe começou logo a berrar-lhe:
- Já vais chegar tarde, Miro! És sempre a mesma coisa, dormes até à última da hora!
- Não sejas chata, mãe. Sabes que eu consigo chegar sempre a tempo – disse o Astro, saindo pela porta e levantando voo em direcção à escola.
13 de Abril de 2009
Casimiro esqueceu-se de tomar o pequeno-almoço
Texto de
Luís Oliveira


1 reacções:
Lol! Casimiro, és um herói.
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