<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-3761909316072644711</id><updated>2011-12-28T12:21:43.299Z</updated><category term='Ana Maria Cardoso'/><category term='Rafael Monteiro'/><category term='Isabel Antunes'/><category term='Hugo Vieira'/><category term='José Pedro Assis'/><category term='Paula Esteves'/><category term='Eduardo Bouças'/><category term='Fábio Vieira Fernandes'/><category term='Jorge Quintas'/><category term='Marta Amorim'/><category term='Luís Oliveira'/><category term='Manuel Santos'/><title type='text'>Casimiro, o Astro</title><subtitle type='html'>Quem conta um conto... conta dois ou três. Ou mais. Ou menos.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://umgajoassim.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umgajoassim.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>L!NGU@$</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://img168.imageshack.us/img168/9800/629803163451127170cd3evy7.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>62</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3761909316072644711.post-5436334924156662142</id><published>2009-04-30T12:00:00.004+01:00</published><updated>2009-04-30T12:00:14.132+01:00</updated><title type='text'>Fim da segunda temporada</title><content type='html'>E foi isto, meus amigos. Vemo-nos depois do Verão, em princípio com muitas novidades e de cara lavada, para a terceira temporada de contos. Até lá!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Entretanto, já sabem que estão todos convidados a participar com uma história de sua autoria sobre o Astro. Qualquer contribuição será sempre bem-vinda e agradecida.)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3761909316072644711-5436334924156662142?l=umgajoassim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umgajoassim.blogspot.com/feeds/5436334924156662142/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3761909316072644711&amp;postID=5436334924156662142&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/5436334924156662142'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/5436334924156662142'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umgajoassim.blogspot.com/2009/04/fim-da-segunda-temporada.html' title='Fim da segunda temporada'/><author><name>Radical Sonic</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3761909316072644711.post-8257077734727917461</id><published>2009-04-27T00:00:00.003+01:00</published><updated>2009-04-27T00:52:44.839+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='José Pedro Assis'/><title type='text'>Casimiro entre Douro e Minho</title><content type='html'>- Estou enjoado.&lt;br /&gt;- Não estás nada. Vamos a mais uma.&lt;br /&gt;- Estou, estou. Passámos a tarde nisto. Vamos parar um bocado.&lt;br /&gt;- Vamos nada. Só mais uma. Vá lá.&lt;br /&gt;- Nem penses. Já estou tão farto disso que nem imaginas.&lt;br /&gt;- Mas eu não. Sabes que não posso fazer isto todos os dias, como tu.&lt;br /&gt;- E eu com isso? A menos que me queiras ver a chamar o grego, por hoje já chega.&lt;br /&gt;Casimiro estava na Bracalândia. Os seus pais tinham-no deixado ir passar uns dias a Braga, a casa de um primo afastado. Duas horas depois de terem avançado o muro, para entrar no parque de diversões, ainda não tinham feito outra coisa além de andar nos Elefantes Voadores. Até concursos para ver quem corria mais rápido da saída da diversão até à entrada já tinham feito. O Astro estava à frente. 15-9. O senhor Orlando, que controlava as entradas, já não os podia ouvir. Parecia que cada nova volta era a primeira. Sempre eufóricos, sempre aos empurrões, sempre aos gritos. Foi com alívio que os viu a afastarem-se em direcção à zona da esplanada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente, sentaram-se numa mesa. Cada um a lamber o seu gelado.&lt;br /&gt;- O enjoo passou-te rápido, seu mentiroso. Estás aí agarrado ao gelado como se não houvesse amanhã.&lt;br /&gt;- Come o gelado e cala-te, Miro. Em que vamos andar a seguir?&lt;br /&gt;- Hum... Pode ser nos Elefantes Voadores. Que dizes?&lt;br /&gt;- Digo que és parvo.&lt;br /&gt;Enquanto discutiam o que iam fazer nas horas seguintes, na mesa ao lado sentava-se um casal de estrangeiros. O homem era alto e magro. De pele muito branca e cabelo ainda mais. Parecia preocupado. A mulher, baixa e anafada, parecia mais alegre, apesar de vigilante. Trocavam sussurros numa língua que os primos não conseguiam entender. Sem saber muito bem porquê, alguns minutos depois, Casimiro e Lucas seguiam os dois "camones", como lhes decidiram chamar. O casal dirigia-se para as oficinas. O duo que os seguia, em conferência, chegou à conclusão de que «o esticadinho e a gordalhufa não andam por cá a fazer boa coisa». Algo de intrigante se passava ali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegados ao local para onde se tinham encaminhado, começaram a engendrar um plano para se tentarem aproximar e perceber o que os "camones" estavam a preparar. O Pedro, sempre a cabeça do grupo, fitou as gémeas e disse...&lt;br /&gt;- Oh! Avô, estás outra vez a trocar as histórias do pai com as de &lt;i&gt;Uma Aventura&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;- Ah!... Estou mesmo a ficar velho. A idade não perdoa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3761909316072644711-8257077734727917461?l=umgajoassim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umgajoassim.blogspot.com/feeds/8257077734727917461/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3761909316072644711&amp;postID=8257077734727917461&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/8257077734727917461'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/8257077734727917461'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umgajoassim.blogspot.com/2009/04/casimiro-entre-douro-e-minho.html' title='Casimiro entre Douro e Minho'/><author><name>Radical Sonic</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3761909316072644711.post-3900038923403373470</id><published>2009-04-20T00:00:00.002+01:00</published><updated>2009-04-20T01:01:58.679+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Paula Esteves'/><title type='text'>Casimiro e a Geração de 70</title><content type='html'>Como todos sabemos, Geração de 70 é o nome dado àquela que, entre 1865 e 1871, se afirmou como elite intelectual que promoveu um movimento cultural e literário renovador de funda repercussão no país. A Geração de 70, com o intuito de mudar a mentalidade retrógrada portuguesa, lá moveu umas palhinhas e deu seis conferências, as chamadas Conferências Democráticas do Casino.&lt;br /&gt;Claro que o Mirinho não sabia nada disto. Conhecia-lhes o título (embora o número o intrigasse) e algumas personalidades que ali se encaixavam, como o "mestre" Antero de Quental, Eça de Queirós, Ramalho Ortigão, Gerra Junqueiro e Teófilo Braga.&lt;br /&gt;Foi naquele dia, uns valentes anos depois do seu auge conferencial, que a rapaziada da Geração, já mais gastos mas com os mesmos traços psicológicos (como iremos ver à frente), se juntou para a sétima Conferência, aquela de que ninguém soube.&lt;br /&gt;Deu-se o evento em Coimbra, numa tarde sem vento e de agradável temperatura, no conhecido Jardim Botânico. Pois bem, estava tudo pronto: Junqueiro trouxe os rissoizinhos de carne e camarão, os bolinhos de bacalhau, os croquetes e os rolinhos de caranguejo; Eça, leviano caprichoso e provinciano, levou uns panados semicrus comprados no mesmo dia de manhã, no Lidl; Antero não cozinhava e, por isso, pediu à mãe para lhe fritar umas batatas; Ortigão levou os frutos secos.&lt;br /&gt;Posta a toalha, que, juntamente com os guardanapos, fora trazida por Junqueiro, e, em cima, o material necessário ao desenrolar da mente (leia-se comida), os intelectuais repararam na falta de duas coisas: uma menos grave, que seria Teófilo, que, chegando duas horas depois, apresentou a desculpa de ter pernoitado em Braga; e uma mais grave, que seria algo que jamais poderá faltar na mesa de um português: bebida. A Geração ficou chocada e, claro, começou a pensar num método de salvação fácil que não exigisse ir ao mercado à saída do jardim comprar umas garrafinhas de vinhaça escura.&lt;br /&gt;Mas, agora, perguntam vocês: o que tem isto a ver com Casimiro?&lt;br /&gt;Pois bem, o Miro, que andava por essas alturas por Coimbra (já não me recordo a fazer o quê), calhou de estar a dar uns giros pelo Jardim Botânico. E, melhor das coincidências, com uma garrafa de vinho tinto na mão direita, que ele degolava com todo o prazer e mais algum, e outra na mão esquerda, guardada para quando a primeira calhasse de acabar.&lt;br /&gt;As teorias de salvação dos vários membros variavam um pouco. Ramalho Ortigão defendia um método todo XPTO que incluía uma máquina a vapor e um robô telecomandado; Eça defendia algo muito mais fácil, em que alguém que não ele se levantava e ia comprar a garrafa, e depois pagava para lha virem trazer; já Antero dizia que, por si, mais valia telefonar à Telepizza a perguntar se entregavam vinho. &lt;br /&gt;No entanto, não foi preciso dar asas a nenhuma dessas especulações, pois Teófilo, após olhar durante dez minutos para um sujeito que cambaleava ao de leve, apoiando-se muito na perna esquerda, com duas garrafas na mão, lhe reconheceu a figura de Casimiro, o Astro.&lt;br /&gt;- Senhores, estamos salvos, estamos salvos, senhores!&lt;br /&gt;- Que diz, senhor? – perguntou Antero.&lt;br /&gt;- Cá para mim, deu-lhe o chilique – disse Eça com o nariz no céu.&lt;br /&gt;- Senhores, estamos salvos, estamos salvoooooos, senhores!&lt;br /&gt;Não teriam chegado lá com a ajuda de Teófilo Braga. Foi, então, Ortigão, o protector, que avistou Mirinho lá ao longe.&lt;br /&gt;- Senhores, vislumbro no horizonte um vulto... Um vulto salvador, carregando com ele a água da salvação nas duas mãos, senhores. E ele, ele caminha para nós!&lt;br /&gt;- &lt;i&gt;Kawaii&lt;/i&gt;! – exclamou Junqueiro com euforia.&lt;br /&gt;- Que evento gratificante, não é assim, senhores? – deixou-se Antero dizer.&lt;br /&gt;Miro, apesar da quantidade de pó que os seus olhos viam no jardim, avistou a Geração muito bem estacionada num tapete voador aos quadradinhos vermelhos e brancos, todos de vista presa nele. Na altura, pensou: «Eu sou giro, mas não vos quero.»&lt;br /&gt;- Casimiro! Ó Casimiro! – chamaram.&lt;br /&gt;- Eh! Camaradas!&lt;br /&gt;A verdade é que o Mirinho não é burro nenhum! Sabe ele muito bem que quando nos convidam para partilhar a mesa ou o transporte, que dessa vez parecia uma modernice dois em um, há que cumprimentar os companheiros. Dessa forma, diz ele: &lt;br /&gt;- Quintal, usa chapéu na horta, que já te vejo rugas! Eças, essas moças bonitas têm dentes iguais! Ortigas, aposto que trouxeste frutos! Praga, olha o fio de mel que te cai na roupa!&lt;br /&gt;E, esforçando-se para olhar com mais atenção:&lt;br /&gt;– Guerras... Pareces uma casa, pá!&lt;br /&gt;Os senhores ficaram um pouco tocados pelas palavras saloias de Miro. Mas, ultrapassando isso, a Geração, tal como lhe convinha, sentou um Miro alegre na toalha, completando mais o circulo que faziam em volta da comida.&lt;br /&gt;- Ena! O tapete voa mesmo – disse logo Miro, abismado. – Mas, ó senhor, ordene-lhe lá para que não voe em círculos.&lt;br /&gt;Dito isto, Antero espeta-lhe logo um panadinho boca adentro.&lt;br /&gt;- Senhores, estamos salvos, estamos salvos, senhores! – Teófilo ainda agitava os braços às nuvens brancas pela visão do Astro lá ao longe.&lt;br /&gt;- Senhor Casimiro, junte-se ao nosso banquete e celebremos a felicidade no mundo transcrita sob a forma de cultura, inteligência e criticismo – dizia Antero, esperando que o barro colasse à parede.&lt;br /&gt;- Bota!&lt;br /&gt;Casimiro não esperou que lho dissessem duas vezes e, pousando as duas garrafas, serviu-se de tudo um pouco. A Geração, satisfeita com a artimanha, sorriu entre si. Eça, que pegara na garrafa aberta, fez beicinho ao descobrir que já tinha acabado. Baixinho, fez conhecer aos colegas a situação, acabando com um desesperado «só resta uma garrafa para nos molhar a garganta, senhores». Assim, pegando em copos de plástico, a Geração dividiu o conteúdo irmãmente entre si, exceptuando Miro, que ficaria com o copo seco.&lt;br /&gt;- Brindemos, senhores! – propôs Antero.&lt;br /&gt;- Brindemos! – disse o coro intelectual, levantando os copos.&lt;br /&gt;- Hurra! - exclamou o Astro, feliz.&lt;br /&gt;Aí, Mirinho abre as calças, pega na garrafa escondida atrás do gémeo da perna direita, tira a rolha com o polegar quase sem esforço e, pondo a garrafa na horizontal e enfiando-a na boca, pensa «chau Laura, olá pinga!». A Geração, estupefacta, fica com os copos suspensos e, de olhos arregalados e presos no Astro, vê-o acabar o tinto maduro e, logo de seguida, cair em cima do fabuloso banquete, destruindo a refeição.&lt;br /&gt;Os senhores, de estômago vazio, pensam na sua infelicidade e, com uma última pinga de conformação, pronunciam: «À sétima Conferência do Casino, aquela de que ninguém soube!» Dito isto, bebem o conteúdo de um gole.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Senhores, estamos salvos, estamos salvos, senhores!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3761909316072644711-3900038923403373470?l=umgajoassim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umgajoassim.blogspot.com/feeds/3900038923403373470/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3761909316072644711&amp;postID=3900038923403373470&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/3900038923403373470'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/3900038923403373470'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umgajoassim.blogspot.com/2009/04/casimiro-e-geracao-de-70.html' title='Casimiro e a Geração de 70'/><author><name>Radical Sonic</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3761909316072644711.post-4992824111671197785</id><published>2009-04-13T00:00:00.005+01:00</published><updated>2009-04-13T04:36:22.718+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Luís Oliveira'/><title type='text'>Casimiro esqueceu-se de tomar o pequeno-almoço</title><content type='html'>Pum!&lt;br /&gt;Casimiro levou um soco tamanho, que fez tremer a terra, estilhaçou os vidros dos prédios e carros à sua volta e o projectou dezenas de metros para a frente, contra um camião-cisterna, que explodiu com o impacto e o projectou de novo, desta vez para o caralho mais velho, centenas de metros acima de Metropolis. Depois de se recompor, o Astro pairou uns segundos no ar, vendo a devastação que o Apocalypse causara à cidade. Por todo o lado se via fumo e ruínas. Por todo o lado se ouvia gritos, e também alguns rugidos e explosões. Casimiro viu o helicóptero do Planeta Diário a seguir de perto o rasto do Apocalypse. Lá dentro iam Lois e Jimmy, a fotografar o que podiam do monstro. Casimiro indagou-se se no dia seguinte ainda haveria Planeta Diário para imprimir aquela notícia.&lt;br /&gt;O Astro sangrava por todos os lados, apesar da sua pele à prova de bala. Tinha o uniforme azul todo rasgado e, da sua capa vermelha, pouco sobrava. Isto não o preocupou, uma vez que logo a seguir voava a pique, em direcção ao seu némesis. Percorrendo centenas de metros em menos de um segundo, Casimiro concentrou o seu ataque numa cabeçada colossal no que pensou serem os tomates do Apocalypse, mas que descobriu serem inexistentes, para seu grande espanto, enquanto o monstro lavrava a grande avenida de Metropolis de uma ponta à outra, devido à força do embate. Casimiro não perdeu tempo a pensar porque raio decidira dar-lhe uma cabeçada nos tomates, pois a sua mente questionava antes como é que Apocalypse conseguia destruir tudo o que encontrava com tamanha falta de virilidade. Usar gajas nuas para o distrair estava fora de questão.&lt;br /&gt;O segredo para o distrair cedo se descobriu, quando Casimiro foi dar com o Apocalypse dentro do McDonald's, engolindo &lt;i&gt;cheeseburgers&lt;/i&gt; como se de tremoços se tratassem. Vangloriando-se por ter arremessado Apocalypse para o sítio certo, o Astro preparava-se para lhe dar um forte pontapé no cu quando, inesperadamente, o monstro larga um estrondoso peido, cujo cheiro atingiu Casimiro mesmo na cara. O nosso herói não teve tempo sequer de vomitar ou de indagar-se se o Apocalypse tinha comido mesmo &lt;i&gt;cheeseburgers&lt;/i&gt; ou &lt;i&gt;kryptonite&lt;/i&gt;, pois o gás flatulento expelido pelo ânus do monstro inflamou-se instantaneamente em contacto com as várias faíscas que saltavam pelo destroçado sítio, explodindo com tudo num raio de um quilómetro.&lt;br /&gt;- CONNNNNNAAAAAA!!!!!! – berrou Casimiro. - Nem a &lt;i&gt;kryptonite&lt;/i&gt; dói assim!&lt;br /&gt;Desta vez, o Astro fora projectado para os subterrâneos de Metropolis, ficando soterrado nos túneis do metro. Usando a sua visão raio-X, o nosso herói viu o helicóptero do Planeta Diário, onde seguia a sua amada Lois, a cair a pique, pois as suas hélices tinham sido destruídas por estilhaços da explosão. Num acesso de raiva, Casimiro furou as toneladas de destroços que o cobriam e, em menos de um segundo, impediu que o helicóptero se despenhasse.&lt;br /&gt;O Astro obrigou os seus amigos a fugirem dali, mas Lois não queria deixar o seu desventurado amado sozinho naquela batalha cujo fim não se avizinhava.&lt;br /&gt;- Vai-te embora, mulher! É agora que eu vou dar cabo daquele caralho! - dizia-lhe Casimiro.&lt;br /&gt;- E se for ele a matar-te, Miro? E se for esta a última vez que te vejo?! – gritava-lhe Lois, num ataque de choro e desespero.&lt;br /&gt;E, de seguida, ajoelhou-se à frente do nosso herói, baixou-lhe as cuecas vermelhas, depois baixou-lhe os &lt;i&gt;collants&lt;/i&gt; azuis e, pegando-lhe no sexo com a boca, começou a fazer-lhe um felácio tão intenso como se o mundo estivesse a acabar.&lt;br /&gt;Casimiro nem queria acreditar. Metropolis estava a ser toda destruída, o Apocalypse aproximava-se, e ele estava a receber o melhor sexo oral que alguma vez recebera. Ainda melhor do que da outra vez com aquela prostituta exótica, debaixo do viaduto da Trindade. Estava a ser tão bom que o Astro nem quis que ela parasse quando viu o Apocalypse a aproximar-se cada vez mais e teve de usar a sua &lt;i&gt;heat vision&lt;/i&gt; para travar o avanço do monstro.&lt;br /&gt;A sorte jogou a seu favor quando o Apocalypse pisou um poio de cão e, praguejando nos seus rugidos incompreensíveis, parou um pouco para raspar o pé no passeio. Isto deu tempo a Lois para uma investida ainda mais intensa no sexo de Casimiro, que, já não vendo nem ouvindo nada, berrou perante a aproximação do seu clímax. Casimiro estava praticamente a ter o tão esperado orgasmo. Era uma questão de segundos... 3... 2... 1...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Miro! Acorda, filho! Vais chegar tarde à escola! – berrou a mãe de Casimiro, à porta do quarto onde ele dormia.&lt;br /&gt;- Foda-se! Estava ter um sonho tão bom e tinhas de me acordar para a escola – lamentou-se o Astro, reparando na erecção com que estava, ao que a sua mãe disse:&lt;br /&gt;- Tem tento nessa língua, garoto! Aposto que estavas a sonhar com coisas porcas.&lt;br /&gt;Casimiro nada disse enquanto se dirigia para a casa de banho. No chuveiro, o Astro pensava no sonho que tivera, na estupidez de haver um monstro a destruir tudo e no felácio que recebera de uma rapariga parecida com a Erica Durance. «Parecia mesmo real», pensou o Astro, desapontado.&lt;br /&gt;Ao chegar à cozinha, a sua mãe começou logo a berrar-lhe:&lt;br /&gt;- Já vais chegar tarde, Miro! És sempre a mesma coisa, dormes até à última da hora!&lt;br /&gt;- Não sejas chata, mãe. Sabes que eu consigo chegar sempre a tempo – disse o Astro, saindo pela porta e levantando voo em direcção à escola.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3761909316072644711-4992824111671197785?l=umgajoassim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umgajoassim.blogspot.com/feeds/4992824111671197785/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3761909316072644711&amp;postID=4992824111671197785&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/4992824111671197785'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/4992824111671197785'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umgajoassim.blogspot.com/2009/04/casimiro-esqueceu-se-de-tomar-o-pequeno.html' title='Casimiro esqueceu-se de tomar o pequeno-almoço'/><author><name>Radical Sonic</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3761909316072644711.post-4415215531861298447</id><published>2009-04-06T00:00:00.090+01:00</published><updated>2009-04-06T01:05:46.369+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fábio Vieira Fernandes'/><title type='text'>O primeiro beijo de Casimiro</title><content type='html'>A notícia revoltara-o. Mesmo não sendo sequer capaz de citar uma música da mítica banda de Seattle, Casimiro decidira reagir com intensidade ao trágico falecimento daquele senhor loiro meio rouco que usava sempre roupas do avô, já desgastadas. Afinal, não se falava de outra coisa, e o Astro, como sempre, limitou-se a fazer os possíveis para acompanhar a onda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de ter noção de que o seu pai evitava a todo o custo pegar nele por causa de um problema qualquer que nunca entendera bem, mas que fazia com que o depósito do raio do carro tivesse de ser atestado a cada cinquenta quilómetros, o ainda imberbe - não considerando a tímida penugem que começava então a despontar no seu buço - Casimiro meteu mãos ao volante do velhinho &lt;i&gt;Ford Fiesta&lt;/i&gt; verde-esmeralda que já quase nem verde era, quanto mais esmeralda, e, na sexta-feira seguinte, uma semana após a descoberta do corpo do malogrado vocalista, fez-se à estrada rumo àquele que prometia ser o maior castigo de sempre. Na verdade, o seu destino era Rio Maior, a tão proclamada capital portuguesa do &lt;i&gt;grunge&lt;/i&gt; - ou mesmo capital do &lt;i&gt;grunge&lt;/i&gt; português, fosse lá isso o que fosse.&lt;br /&gt;Toda a semana fora passada a fazer planos. À falta de patrocínio para o combustível, dado o secretismo da missão, o Astro viu-se forçado a partir o felizmente bastante recheado porquinho-mealheiro. Por regra, tratava-se de um ritual bastante delicado; porém, dado o adiantar da hora, não havia tempo para grandes mariquices: eram quase seis da tarde, os seus pais estariam certamente prestes a chegar a casa, e ainda nem tinha arrumado todo o material necessário na mochila. Colocou o porco cor-de-rosa num canto do chão do quarto e, sem grandes hesitações, arremessou o denso pisa-papéis que recolhera da secretária do pai na sua direcção. Retirados todos os escudos e todos os centavos do meio dos destroços, encostou os cacos à parede com o pé e tapou-os com a cortina da janela. De &lt;i&gt;Montecampo&lt;/i&gt; ao ombro e cantarolando uma música que, na realidade, era dos Erasure, pegou nas chaves do &lt;i&gt;Fiesta&lt;/i&gt; e partiu à aventura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Casimiro estava bastante desorientado. Esquecera-se do relógio em casa (e o do carro há muito que deixara de funcionar), pelo que não fazia ideia de que horas seriam. Mas era tarde. Definitivamente, era muito tarde. Escurecera ainda antes de ele se perder pela sétima vez. A fome também apertava, dado que só ingerira as bolachas &lt;i&gt;Chiquilín&lt;/i&gt; que levara consigo, mas o importante era ter conseguido: acabava de chegar ao parque de estacionamento da concentração de fãs dos Nirvana, no meio do monte, em plena freguesia da Marmeleira.&lt;br /&gt;Caminhou relutantemente em direcção à luz, possivelmente oriunda de uma grande fogueira, que avistava algures ao fundo, lá em baixo, iluminando o melhor possível o chão à sua frente com a fraca lanterna que transportava. O seu espanto foi indescritível: diante dos seus olhos, vários milhares de pessoas alinhavam-se organizadamente no chão de uma vasta clareira. Então, aquilo é que era uma vigília. Atentando melhor, reparou que toda a gente tinha uma vela acesa pousada à sua frente - Casimiro não possuía nenhuma! Tentou não chamar as atenções para si e contornou a massa humana ali prostrada, encaminhando-se para o local onde avistara meia dúzia de rapazes na conversa, junto ao arvoredo do outro lado, afastados daquele cenário místico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se tudo se tivesse passado alguns anos mais tarde, o Astro teria sido capaz de desvendar os acontecimentos daquela noite logo no dia seguinte, quando o cérebro despertasse. No entanto, a ingenuidade da sua parca idade impediu-o de desconfiar daquele rolinho branco a arder numa ponta que, ao som de &lt;i&gt;Lithium&lt;/i&gt;, lhe disseram para meter na boca. Casimiro lembra-se de se rir, de se rir muito. Lembra-se também de que, no grupo, havia um rapaz mais ou menos da sua idade com quem se fartou de falar. O rapaz em questão chamava-se Carlos. Mas Casimiro não se lembra do resto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3761909316072644711-4415215531861298447?l=umgajoassim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umgajoassim.blogspot.com/feeds/4415215531861298447/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3761909316072644711&amp;postID=4415215531861298447&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/4415215531861298447'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/4415215531861298447'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umgajoassim.blogspot.com/2009/04/o-primeiro-beijo-de-casimiro.html' title='O primeiro beijo de Casimiro'/><author><name>Radical Sonic</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3761909316072644711.post-6879222646849886137</id><published>2009-03-30T00:00:00.000+01:00</published><updated>2009-03-30T00:00:07.256+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rafael Monteiro'/><title type='text'>O legado do Casimiro não fumador</title><content type='html'>- Olha, desculpa...&lt;br /&gt;- Sim?&lt;br /&gt;- Tens lume?&lt;br /&gt;- Não, desculpa, deixei de fumar. Prejudica o esperma e pode ainda afectar a saúde do meu bebé!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não conseguia tirar a voz dela da cabeça. Nem o seu olhar... Nem a cara de espanto que ela fez quando ouviu a resposta.&lt;br /&gt;Casimiro esfregava ainda intensamente a cabeça na almofada, cabeça essa que parecia pesar meia tonelada. E pesava, tal era o arrependimento de ter bebido naquela noite, como acontecera, aliás, em muitas outras noites. Mas desta vez tinha uma miúda, &lt;i&gt;a&lt;/i&gt; miúda na cabeça. A voz dela, o toque no ombro de que ela se serviu para lhe chamar a atenção, o seu olhar... E, novamente, a cara de espanto quando ela ouviu a maldita resposta. MALDITA! &lt;br /&gt;«Não bebo mais», pensou.&lt;br /&gt;Saiu da cama, com muito custo. O crânio pendia para trás e para a frente. O despertador, já velhinho, marcava 11:37, ainda hora para um chamado "pequeno-almoço". Quase que rastejou até à cozinha. Cambaleava, desequilibrado, encontrando apoio numa ou noutra parede.&lt;br /&gt;Sobre a mesa, uma taça de vidro, religiosamente conservada pela mãe, que, desde que ela falecera, já se quebrara duas vezes. Morde uma maçã, agrada-lhe, devora-a vorazmente, até metade, e depois deixa-a no lava-loiça. No frigorífico, uma cerveja já aberta, que ele decide beber e, posteriormente, arrepende-se. Aparentemente saciado, senta-se no sofá da sala, já com os devidos exercícios de aquecimento feitos, para uma sessão de &lt;i&gt;zapping&lt;/i&gt; matinal.&lt;br /&gt;Não é novidade que na maldita televisão não se vê outra coisa que não mulheres que fazem o mundo parecer um local maravilhoso para se viver. E a memória da miúda volta...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontra-se com o Jorge e com a Vader no Groove para um café depois do jantar. Vader não hesita em soltar uma gargalhada gutural, que faria inveja a qualquer &lt;i&gt;Wookiee&lt;/i&gt;, ao saber da história d'&lt;i&gt;a&lt;/i&gt; miúda, história esta melancolicamente deformada por Casimiro para que se fizesse notar o seu arrependimento. Tinha deixado de fumar pelo bem da sua saúde e da dos seus amigos, dizia ele, mas eles sabiam que o tabaco não era barato, e até Casimiro, que achava que o dinheiro só tinha valor se fosse trocado por algo de útil, sabia que a utilidade deveria ser relativizada.&lt;br /&gt;E como uma dessas coincidências que só acontecem em telenovelas, ou, até com alguma frequência, na vida do Astro, &lt;i&gt;a&lt;/i&gt; miúda passa em frente ao Groove.&lt;br /&gt;Caracóis negros, olhos castanhos, olhar despreocupado, lábios de um encarnado que se adequava perfeitamente ao seu tom de pele, cigarro na mão esquerda. Vestia uns &lt;i&gt;jeans&lt;/i&gt; e um &lt;i&gt;top&lt;/i&gt; comprados num qualquer &lt;i&gt;retail park&lt;/i&gt; e umas &lt;i&gt;All Star&lt;/i&gt; excessivamente gastas. Caminhava com duas amigas, nas quais o Astro nem se deu ao trabalho de reparar. Passou como que em câmara lenta e, de tão distraída que estava, embateu contra a paragem de autocarro que, pensava o nosso herói, tinha surgido do nada para estragar aquele momento.&lt;br /&gt;O tempo recuperou o seu ritmo normal. Casimiro levantou-se rapidamente e correu para o balcão. Gastou os últimos 5 euros que lhe restavam num maço de tabaco e num isqueiro. Sentou-se novamente com os seus amigos e acendeu um cigarro, pondo, assim, fim a dois dias de uma vida de não fumador.&lt;br /&gt;Casimiro e Vader olharam-se por instantes; ambos sabiam exactamente o que cada um estava a pensar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3761909316072644711-6879222646849886137?l=umgajoassim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umgajoassim.blogspot.com/feeds/6879222646849886137/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3761909316072644711&amp;postID=6879222646849886137&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/6879222646849886137'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/6879222646849886137'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umgajoassim.blogspot.com/2009/03/o-legado-do-casimiro-nao-fumador.html' title='O legado do Casimiro não fumador'/><author><name>Radical Sonic</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3761909316072644711.post-2480298701692456504</id><published>2009-03-23T00:00:00.038Z</published><updated>2009-03-23T00:00:15.250Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ana Maria Cardoso'/><title type='text'>Casimiro acorda para a vida</title><content type='html'>Era mais um daqueles dias primaveris em pleno mês de Março. Depois de uns dias de férias, Casimiro tinha agora de voltar para a universidade. Iniciava-se mais um semestre da sua vida escolar.&lt;br /&gt;O semestre anterior não tinha corrido nada bem, e Casimiro, que até não se andava a sair nada mal no seu caminho universitário, conseguira concluir com sucesso apenas uma cadeira. A verdade é que ele e Zezerina tiveram uma zanga séria, acabando por terminar uma relação fascinante que vinham mantendo há já muito tempo.&lt;br /&gt;Foram seis meses penosos, em que o Astro nada mais queria fazer senão passar todas as horas, cada minuto, sem perder nenhum segundo, a dormir e a chorar. Mal comia e quase nunca lavava os dentes. «Para quê?», pensava. &lt;br /&gt;Mas as coisas tinham de mudar. Ele tinha de animar o ego e voltar a mostrar-se ao mundo. Afinal, Zezerina não era com certeza a única rapariga a conseguir amar um rapaz como ele. Assim, finalmente, Miro começou a reagir. Voltou a alinhar em saídas com amigos, em jogos de sueca e até, sem notar, voltou a reparar noutras raparigas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais três meses se passaram, e tudo corria de vento em popa. Desde que resolveram seguir em frente, Miro e Zezerina tinham cortado relações. Deixaram de querer saber um do outro, e isso estava a fazer-lhe um bem danado. O Astro voltou a ser quem era antes daquele bailarico de Verão, agora tão longínquo e remotamente recordado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis que o dia chegou. Mais um semestre volvido, e o nosso herói vê-se a ficar de férias. &lt;br /&gt;O presente ano fazia-se destacar dos anteriores pelo perfeito encaixe do tempo com a estação correspondente. (Algo que não acontecia há uns valentes anos.) Assim sendo, os meses seguintes seriam passados por Portugal. A aproveitar muito aquele solzão. Sem preocupações. Sem nada.&lt;br /&gt;No fim-de-semana seguinte, tinha presença confirmadíssima em mais uma daquelas festas de Verão que os seus amigos tanto gostavam de organizar. No entanto, esta não era uma festa normal. E o Astro sabia. Sabia que, depois do jantar, depois de alguns copos em casa de Zé Tony, a festa continuaria no bailarico de Verão, em homenagem a um santo lá da terrinha. Facto que fazia com que Casimiro ficasse algo apreensivo, pois estas festividades recordavam-no de Zezerina e de todo o encanto em que eles sempre estiveram envolvidos. &lt;br /&gt;Mas era hora de ultrapassar também isso, de passar por essa provação. E foi assim que Miro se despiu de todos os seus receios mais íntimos e, naquele sábado, se preparou a rigor. Sem saber, e sem que fosse sua intenção, Casimiro era o rapaz mais giro do recinto. Não reparou que, enquanto ia rodando como uma bola pelas amigas com quem saíra, numa dança desenfreada ao som de Mickael Carreira, se tinha tornado no centro das atenções de todas as moças jovens que lá se encontravam. No entanto, não demorou muito para que o Astro se começasse a sentir observado e, até, assediado. Sentiu-se mal. Sentiu-se a deprimir. Fugiu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já bem longe do barulho da festa, Casimiro deixou de correr. Sentia-se confuso. Não entendia bem o que se tinha passado. Só sabia que queria estar sozinho. Num sítio calmo. E, sem que desse por isso, os seus pés dirigiram-no para o lugar mais romântico e calmo que ele conhecia e onde tantas vezes havia permanecido horas e horas apenas a olhar bem fundo nos olhos da sua amada, Zezerina. &lt;br /&gt;Embrenhado nestes pensamentos, não se apercebeu de que alguém se aproximara. Um leve restolho sobressaltou-o. Pos-se em pé de um pulo e deu de caras com a mulher mais linda com que alguma vez se cruzara. Os seus olhos viam Zezerina, os seus ouvidos percebiam outra coisa: &lt;br /&gt;- Olá, eu sou a Luísa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3761909316072644711-2480298701692456504?l=umgajoassim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umgajoassim.blogspot.com/feeds/2480298701692456504/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3761909316072644711&amp;postID=2480298701692456504&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/2480298701692456504'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/2480298701692456504'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umgajoassim.blogspot.com/2009/03/casimiro-acorda-para-vida.html' title='Casimiro acorda para a vida'/><author><name>Radical Sonic</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3761909316072644711.post-2063691200180820796</id><published>2009-03-20T10:00:00.042Z</published><updated>2009-04-05T11:10:01.972+01:00</updated><title type='text'>Início da segunda temporada</title><content type='html'>Depois de meses à espera, os fãs do nosso herói podem berrar o sentido «aleluia!» que lhes está preso na alma. Falta mesmo muito pouco tempo para o regresso do Astro... Faltam - tcham, tcham, tcham, tcham! - apenas três dias!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, a segunda temporada das aventuras de Casimiro, o Astro arranca já na próxima segunda-feira. Daí, já terão percebido certamente que o dia de publicação das histórias se mantém, e o mesmo acontece com a sua periodicidade, que permanece semanal. No entanto, convém relevar desde já um detalhe muito importante: esta será uma minitemporada, de apenas seis episódios. O motivo para isto ser assim é simples: a alternativa era o blogue continuar parado durante mais alguns meses, dado que os planos passam por uma reformulação de fundo a vários níveis, e tal foi impossível de concretizar até ao momento. Portanto, para matar saudades e provar que o projecto não tinha morrido definitivamente, os contos voltam temporariamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos os episódios desta temporada estão já escritos (e pode adiantar-se que daremos as boas-vindas a dois novos autores ao longo das próximas seis semanas), mas, se estiverem para aí virados, sintam-se à vontade para rabiscar novos capítulos para temporadas futuras - serão sempre agradecidos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3761909316072644711-2063691200180820796?l=umgajoassim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umgajoassim.blogspot.com/feeds/2063691200180820796/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3761909316072644711&amp;postID=2063691200180820796&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/2063691200180820796'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/2063691200180820796'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umgajoassim.blogspot.com/2009/03/inicio-da-segunda-temporada.html' title='Início da segunda temporada'/><author><name>Radical Sonic</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3761909316072644711.post-8400330638899925164</id><published>2008-11-19T00:00:00.000Z</published><updated>2008-11-19T00:00:00.921Z</updated><title type='text'>Fim da primeira temporada</title><content type='html'>Um ano depois do seu início, damos por terminada a primeira temporada de contos. Foram 53 histórias que nos deram a conhecer um pouco dessa autêntica personagem que é Casimiro, o Astro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não fazia parte do conceito original que o blogue funcionasse como uma série dividida em várias temporadas, mas a experiência acabou por nos sugerir que talvez seja essa a solução para que um projecto desta envergadura subsista. A culpa para uma dificuldade acrescida na tarefa de levar toda esta ideia a bom porto terá sido, em parte, da decisão tomada após umas três semanas de vida do blogue: tornar o desafio ainda mais inovador, ambicioso e estimulante, através da criação de um universo completo e coerente e de uma linha narrativa coesa (ao invés de pequenas histórias absolutamente independentes).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ideia de ter, continua e incessantemente, um conto a ser publicado semanalmente apresenta-se, de facto, deveras fascinante. Porém, chegámos, nos últimos tempos, à conclusão de que tal não é viável num blogue de pequena dimensão como este. Deste modo, e com vista a que o projecto vingue como achamos que merece, o mesmo passará a ser divulgado em temporadas, as quais serão significativamente mais curtas - como, percebemos agora, sempre deveria ter sido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para que os nossos leitores fiquem a par de novidades (e pedimos que aguardem uns meses por elas), deixaremos o &lt;i&gt;feed&lt;/i&gt; do blogue activo e aqui as apresentaremos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até lá, um grande bem-haja a todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S.: Parabéns ao nosso herói, que, de acordo com o seu &lt;a href="http://casimirooastro.hi5.com/" target="_blank"&gt;perfil no hi5&lt;/a&gt;, cumpre hoje 26 aninhos!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3761909316072644711-8400330638899925164?l=umgajoassim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umgajoassim.blogspot.com/feeds/8400330638899925164/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3761909316072644711&amp;postID=8400330638899925164&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/8400330638899925164'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/8400330638899925164'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umgajoassim.blogspot.com/2008/11/fim-da-primeira-temporada.html' title='Fim da primeira temporada'/><author><name>Radical Sonic</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3761909316072644711.post-9094172036427368379</id><published>2008-11-17T00:00:00.003Z</published><updated>2008-11-17T00:00:01.078Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Luís Oliveira'/><title type='text'>Sangue, Parte 5 de 10: Casimiro e o António</title><content type='html'>Estava uma tarde solarenga e um tipo qualquer estava sentado num ciber-café à beira da janela, enquanto devorava um blogue com fotos de mulheres nuas. Ao ler uns comentários de visitantes, deparou-se com a seguinte bizarria: "soub ka tua mãe morreu. Os meus pesames pah. Ta bem boa esta gaja k pusest aki lol hehe".&lt;br /&gt;Nesse preciso momento, Casimiro passava no passeio, junto à janela. De &lt;i&gt;headphones&lt;/i&gt; enfiados nos ouvidos e mãos nos bolsos, ostentando um ar acabrunhado, o Astro só pensava na noite anterior. Ele e Irene tinham feito amor. Nem sabia se podia chamar amor ao que fizeram. Ele amava-a, é certo. Como era certo que ela não correspondia. Quando o Astro se declarara, ela tinha frisado que nunca haveria nada entre eles. No entanto, a noite passada provara o contrário, e Casimiro devia isso ao facto de estarem ambos embriagados até aos ossos. Irene tinha razão para estar chateada, mas a atitude dela parecia-lhe bastante exagerada. Quando acordaram, ela saíra do carro a correr, sem dar tempo ao Astro de fazer ou dizer qualquer coisa, e durante todo o dia não respondera às mensagens nem atendera os telefonemas.&lt;br /&gt;Casimiro tentou afastar estes pensamentos da cabeça. Já lhe chegava a dor de cabeça e as náuseas que sentia da ressaca. E foi então que o Astro contornou uma esquina e se deparou com um sem-abrigo que pedia esmola no passeio. O pobre velho não tinha pernas, sequela de uma guerra antiga, e Casimiro parou, comovido. Pegou na carteira e abriu-a, revelando uma nota de 5€ e outra de 20€. Tirou a de 5€ e deu-a ao velhote, afastando-se enquanto este se desfazia em agradecimentos e bênçãos. Mas o Astro parou de novo, pensativo. "Eu tenho duas pernas", pensou Casimiro. "E o desgraçado nem as pernas tem." Voltou para trás enquanto ia à carteira de novo, retirou a nota de 20€ e pousou-a no cesto do velhote, afastando-se depois perante um perneta completamente atónito.&lt;br /&gt;Não sabia para onde iria agora. Tinha saído de casa com destino ao Groove, mas apercebera-se de que não queria estar parado em lado nenhum. Contornou outra esquina e entrou numa rua de comércio, sem trânsito. Passado um pouco, um rapaz a poucos metros à frente dele prendeu-lhe a atenção. Parecia ter a mesma idade que Casimiro e, tal como o Astro, caminhava de mãos nos bolsos, &lt;i&gt;headphones&lt;/i&gt; nos ouvidos e ar acabrunhado. Curiosamente, tal como o Astro, também vestia um casaco verde com o número 26 estampado na frente. Casimiro encolheu os ombros e continuou o seu caminho, um pouco atrás daquele rapaz. A rua ia dar a uma avenida de trânsito veloz muito movimentada, e foi quando Casimiro estava a uns vinte metros da passadeira que ouviu uma voz familiar atrás de si:&lt;br /&gt; - Miro! Espera aí, pá! – gritou a sua amiga Vader.&lt;br /&gt;A Vader era das pessoas mais estranhas que Casimiro conhecia. Para além de ser lésbica, também era uma grande viciada em &lt;i&gt;Star Wars&lt;/i&gt;. Recebera aquela alcunha precisamente pela sua obsessão. Em quase todas as conversas, ela fazia menção a um qualquer episódio ou personagem de &lt;i&gt;Star Wars&lt;/i&gt;. Era também uma das raparigas mais bonitas que o Astro conhecia. Toda a gente se lamentava pelo facto de ter dado em lésbica. E todos se questionavam porque tinha aquela panca pela &lt;i&gt;Guerra das Estrelas&lt;/i&gt;. Corria o boato de que a sua mãe andara metida nos cogumelos aquando da gravidez.&lt;br /&gt;Casimiro sorriu enquanto observava a sua amiga estugar o passo na sua direcção. E foi então que o chiar dos travões de um carro ecoou pelo cruzamento e o Astro se voltou de repente, vendo um carro embater violentamente num rapaz vestido de verde que foi brutalmente projectado para a frente.&lt;br /&gt;Nesse preciso momento, o tipo do blogue pornográfico saía do ciber-café e viu a coisa mais bizarra que provavelmente veria em todo o ano. Um velhote sem pernas ia pelo passeio, em cima de um skate novinho em folha, dando impulso com as mãos no chão. A felicidade era evidente no seu rosto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3761909316072644711-9094172036427368379?l=umgajoassim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umgajoassim.blogspot.com/feeds/9094172036427368379/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3761909316072644711&amp;postID=9094172036427368379&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/9094172036427368379'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/9094172036427368379'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umgajoassim.blogspot.com/2008/11/sangue-parte-5-de-10-casimiro-e-o.html' title='Sangue, Parte 5 de 10: Casimiro e o António'/><author><name>Radical Sonic</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3761909316072644711.post-3160188720350812832</id><published>2008-11-10T00:00:00.005Z</published><updated>2008-11-18T23:29:34.594Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='José Pedro Assis'/><title type='text'>Casimiro vê a luz</title><content type='html'>Era véspera de Natal. Dona Madalena ultimava pormenores. Em poucas horas, elementos da família iriam a parecer para a consuada. Todos os anos, uma das muitas irmãs recebia em sua casa o resto da família. Este era o ano dos Castro serem os anfitriões. Na realidade, não eram uma verdadeira família. Eram apenas um conjunto de mulheres que tinham sido criadas no mesmo orfanato e que tinham decidido viver bastante ligadas para o resto da vida. Casimiro  e seu pai, como era normal, encontravam-se sentados em frente à televisão a tentar bater records de zapping. Do pequeno ecrã, saiam ora publicidades a carros, carrinhos e carrões, bonecas, livros, action figures, bolas e jogos de video, ora anúncios de filmes já passados milhentas vezes. O Astro suspirava. Não entendia porque tinha de estar em casa uma hora antes do horário combinado para  achegada das tias. No entanto, tinha desistido de reclamar logo depois da primeira tentativa. Como era usual, ninguém podia falar com a sua mãe numa altura daquelas, muito menos se podiam aproximar da cozinha. «Saiam daqui, vocês só atrapalham...», era uma das frases mais ouvidas em casa, em dias de festa. &lt;br /&gt;Sem mais paciência para aquele ambiente, Casimiro decidiu meter conversa com o seu pai:&lt;br /&gt;- E o Benfica? Aqueles gajos...&lt;br /&gt;Um tentativa sem sucesso. O pai, ou não ouviu, ou fingiu não ouvir. O Astro bufou e olhou para uma foto que se encontrava em cima da lareira da sala. Dentro da moldura estava ele ao colo da sua mãe com o seu pai ao lado. O cenário era um qualquer relvado que ele nunca reconheceu. Percebia-se que estavam num pic-nic. Nesse momento, uma estranha associação de ideias levou o Astro a soltar: &lt;br /&gt;- Pai, conta-me o dia em que nasci.&lt;br /&gt;Ao contrario da tentativa anterior, esta fez acender uma luz dentro do senhor Castro.&lt;br /&gt;- Puto, tu nem imaginas o que eu passei naquele dia...&lt;br /&gt;O seu pai adorava contar histórias. Adorava ainda mais prender as pessoas. Era normalíssimo ele fazer pausas a meio das historias esperando um comentário dos interlocutores. Claro que o comentário tinha que ser cheio de curiosidade e vontade de ali estar mais umas valentes horas a ouvir o senhor Castro. Casimiro lá ajudou o pai no seu teatrinho:&lt;br /&gt;- A sério?! Conta-me, vá lá...&lt;br /&gt;- Puto, eu e a tua mãe estavamos a dormir... quer dizer, eu estava. Ela já andava às voltas pela casa há hora e meia. Disse-me que estava com medo de me acordar, que tem medo do meu mau humor quando acordo. Eram 5h da manhã...&lt;br /&gt;- Ei, que fixe, nasci de madrugada. Por isso é que adoro a noite. Hehe!&lt;br /&gt;- Calma, puto, deixa-me acabar...&lt;br /&gt;- Ok, desculpe.&lt;br /&gt;- Bem, cinco da manhã e ela lá se decide acordar-me. Diz-me que lhe rebentaram as águas há uma hora atrás. Passei-me, claro. Acabou por lhe sair pior a emenda que o soneto. Obviamente, tinha que me acordar. Ouviu das que não queria. Só a tua mãe...&lt;br /&gt;- Eu podia ter morrido!&lt;br /&gt;- Cala-te... só dizes parvoíces. Bem, meto-a no carro e ala para o hospital da cidade. Chego lá já passava das 5:30. Não há parteiras de serviço. Toca a ligar para a Dona Palmira.&lt;br /&gt;- Eia... foi a Dona Palmira a parteira? Aquela velha?&lt;br /&gt;- Não, não foi ela. Foi a filha que vivia com ela na altura.&lt;br /&gt;- Eu não a conheço.&lt;br /&gt;- Pois não. Está para Lisboa agora. Virou médica a sério. Bem... ela chega já eram quase sete horas da manhã. O que vale é que a tua mãe esteve em trabalho de parto até ao meio dia. Se tinhas saído antes ia ser bonito... eu a ajudar no parto.&lt;br /&gt;- Tu? Ia ser giro. Até me ria.&lt;br /&gt;- Vá, vê lá se queres duas chapadas. Bem, era meio dia e cinco e começas a sair. A tua mãe já bufava por todo o lado. Já tinha apertado o pescoço a duas enfermeiras. Já me tinha batido a mim também e já tinha virado três garrafas de água.&lt;br /&gt;- Fogo... que fixe, pai.&lt;br /&gt;- Tu sais completamente. Todo cheio de sangue. Eras mesmo feio quando nasceste. Não é que agora sejas bonito, mas já foste bem pior. Aquele cabelo preto todo melado... até metias nojo. Bem... cortaram-te o cordão umbilical e mandaram-te duas sapatadas no rabo. Que berreiro... Começaste cedo a dar-me cabo da cabeça. Dois minutos de vida e já não te podia ouvir.&lt;br /&gt;- Ei... fogo...&lt;br /&gt;- Fogo nada. Ninguém te atura. Bem... onde é que ia? Ah, depois, nem cinco minutos depois, sai o teu irmão.&lt;br /&gt;- QUÊ? MEU IRMÃO?&lt;br /&gt;- Sim, teu irmão. O teu gémeo.&lt;br /&gt;- IRMÃO GÉMEO?&lt;br /&gt;- Fala lá baixo, puto. Vê lá se queres...&lt;br /&gt;- Mas...&lt;br /&gt;- Mas nada. E foi isto o dia do teu nascimento.&lt;br /&gt;- E eu tenho um irmão gémeo?&lt;br /&gt;- Sim, tens. Demos para adopção. Não podíamos ficar com os dois.&lt;br /&gt;- E dizes-me isto assim e agora? Porque nunca me contaram antes?&lt;br /&gt;Entretanto, a campainha toca.&lt;br /&gt;- Tu alguma vez perguntaste, meu pastor? Vá, vai lá abrir a porta às tuas tias que eu estou a morrer de fome.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3761909316072644711-3160188720350812832?l=umgajoassim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umgajoassim.blogspot.com/feeds/3160188720350812832/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3761909316072644711&amp;postID=3160188720350812832&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/3160188720350812832'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/3160188720350812832'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umgajoassim.blogspot.com/2008/11/casimiro-v-luz.html' title='Casimiro vê a luz'/><author><name>L!NGU@$</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://img168.imageshack.us/img168/9800/629803163451127170cd3evy7.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3761909316072644711.post-8544806522316143669</id><published>2008-11-03T00:00:00.002Z</published><updated>2008-11-12T01:18:04.478Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Isabel Antunes'/><title type='text'>A Viagem de Sonho do Casimiro</title><content type='html'>Casimiro estava contente. Já só faltavam algumas horas. Neste momento, em pleno Outono, umas férias vinham mesmo a calhar. A sua sorte... Quem lhe diria, no mês passado, que ao participar naquele concurso todo manhoso iria ganhar uma viagem de sonho, na companhia de três amigos à sua escolha e a um destino paradisíaco durante todo um fim-de-semana! Sentia-se eufórico... Qual sonho, qual quê! Aquilo era real e estava a acontecer. &lt;br /&gt;A viagem de avião estava a correr muito bem. A turbulência era quase nula e ele não se sentia tão enjoado como pensara que se iria sentir. No início, ao sentir que o avião ganhava velocidade e se inclinava para o infinito, ainda se amarrou ao seu amigo Barnabé. Este deu-lhe a mão, apertou-a com força, e agarrou-se à senhora que estava ao lado... Os seus olhos quase lhe saíam das órbitas, tal era o receio que sentia. Os ouvidos do Astro estavam entupidos e a pressão era de mais. Raios - pensou - Ainda vais cair e eu não me despedi da prima Clara. Por fim, passou e pôde descontrair. &lt;br /&gt;Agora, tudo estava bem. O avião aterrou com aquela pressão enervante, mas sem mais. Iam usufruir daquelas praias maravilhosas que viu nas brochuras. Com uma cerveja na mão, o Barnabé, o Jorge e a Vader já se estavam a divertir! Deu-lhes para correr de um lado para o outro no aeroporto. E era um aeroporto mini. Pequeno e ligeiramente para o degradado. Mas quem quer saber? Casimiro estava preocupado com outra coisa. Estavam ali há uma hora e as malas ainda não tinham aparecido. Duas horas. Aquilo já era estranho de mais. Duas e meia. Vá, é melhor sentar-me - pensou ele. &lt;br /&gt;- Meu, e que tal irmos indo para o hotel? Já não há mais cerveja, pá.&lt;br /&gt;O Astro olhou para o seu amigo Barnabé. Sem malas?! - pensou - Ora, que se lixe. Quem precisa de mudar de roupa?!&lt;br /&gt;Bebendo um trago da garrafa, ainda meia, da Vader lá se fizeram à vida.&lt;br /&gt;Aquilo era desértico. Palmeiras haviam. E areia. Muita areia. Aliás, aquilo era só areia. Quanto ao hotel, era de madeira. Ou algo muito parecido com madeira. Pelo menos lascava. Oh, - voltou a pensar Casimiro - quem quer saber? Desde que haja miúdas giras...&lt;br /&gt;Nessa noite, após ter-se registado no hotel, assassinado uma centopeia que se encontrava na banheira do seu quarto de banho e uma barata que teimava em correr de um lado para o outro no chão do seu quarto, desceu até à recepção. Estava a anoitecer. Caramba, eram quatro da tarde e já estava a anoitecer?! Olhou para o relógio de cuco que se encontrava, meio torto, a um canto: 20:36. Deves estar a brincar... - pensou - já perdemos meio dia?!&lt;br /&gt;De repente, o Barnabé entra a correr, seguído pelo Jorge, que se atrapalha e agarra-se ao amigo que ia à frente. Pumba. Dois corpos estendidos no chão da recepção ocupam mais de metade daquele espaço. O mal-encarado recepcionista, olha-os de esguelha. De seguida, a cambalear, Vader, que, sendo lésbica assumida, os acompanhava nas noites de engate, aparece com os braços abertos, no auge da sua alegria: &lt;br /&gt;- Miro, my friend! Vai haver uma beach party! Muitas, muuuuitas chavalas!&lt;br /&gt;O Astro ficou um pouco pensativo: Vá, ainda bem. Ainda não vi mais ninguém além de nós e o ogre da recepção. É um bocado sinistro. Não fosse eu um Homem e teria medo... Mas se há miúdas, vamos a elas!!!&lt;br /&gt;Chegados à praia, a música tocava. No centro estava uma fogueira. Entre uns postes, lá colocados propositadamente, duas lâmpadas iluminavam muito mal. Mas quem queria saber? A música era contagiante e haviam pessoas. Gente. Gente divertida! Ainda não tinha visto nenhuma miúda que lhe chamasse a devida atenção mas ainda só agora começara a noite. Imitando o Barnabé, que já estava a encher pela segunda vez a sua taça desde que chegara, serviu-se de ponche. Um gole. Caramba! Os seus olhos arderam-lhe. Quanto álcool teria ali? Noventa por cento?! Mas era tão doce...&lt;br /&gt;- Ei, Barnabé! Enche aí outra vez!&lt;br /&gt;Bebendo a segunda taça, olhou em volta e viu-a... Que coisa mais linda! Os seus longos cabelos pretos como a noite bailavam ao sabor do vento, o seu corpo esbelto movia-se ao som da ritmada música, os seus lábios carnudos e brilhantes e os seus olhos negros cativaram Casimiro. Reticente, dirigiu-se a ela. Ela olhou-o e sorriu-lhe. Que belo sorriso tinha ela... Emudecidos, concentraram-se, tacitamente, numa e noutra dança. Tinha um olhar hipnotizante. E o ponche adoçava-lhe a boca. Escorregava bem. Tudo o resto deixou de existir e só a via, a ela, ali, à sua frente. Foi de um momento para o outro que sentiu o corpo dela a tocar no seu e tudo ficou enublado...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ei, Miro! Acorda!&lt;br /&gt;Algo lhe feria os olhos. Que raios.&lt;br /&gt;- Miro! Temos de ir embora!&lt;br /&gt;- Agora não pai... Mais daqui a pouco...&lt;br /&gt;Trás, trás, trás. &lt;br /&gt;As suas bochechas arderam e Casimiro acordou de imediato.&lt;br /&gt;- A tua roupa, pá?&lt;br /&gt;Olhou-se. Bem que ele sentia uma estranha aragem a correr-lhe o corpo. Estava como veio ao mundo, no meio da praia.&lt;br /&gt;- Pá, que marcas são essas? Eia... E essas cicatrizes? - Barnabé apontava-lhe o dedo. &lt;br /&gt;O Astro olhou para a sua esquerda e estava o Jorge a observa-lo com ar aterrado... Olhou para a direita e a Vader, com as pontas dos dedos, pegava em algo pegajoso que saía por um orifício proveniente da sua barriga...&lt;br /&gt;Pânico.&lt;br /&gt;- NÃÃÃÃÃÃÃO!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então, filho! Toca a acordar que já são horas!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3761909316072644711-8544806522316143669?l=umgajoassim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umgajoassim.blogspot.com/feeds/8544806522316143669/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3761909316072644711&amp;postID=8544806522316143669&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/8544806522316143669'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/8544806522316143669'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umgajoassim.blogspot.com/2008/11/viagem-de-sonho-do-casimiro.html' title='A Viagem de Sonho do Casimiro'/><author><name>L!NGU@$</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://img168.imageshack.us/img168/9800/629803163451127170cd3evy7.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3761909316072644711.post-5561508898789717913</id><published>2008-10-27T00:00:00.002Z</published><updated>2008-10-27T00:00:01.238Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fábio Vieira Fernandes'/><title type='text'>Casimiro volta a dar</title><content type='html'>- Casimiro, volta a dar.&lt;br /&gt;Que raio. Era inacreditável o que se passava naquela mesa. A cara de Barnabé transparecia bem isso. A de Casimiro, por sua vez, transparecia tudo. Transtorno. Atrapalhação. Vergonha. Dor. Sofrimento. Incredulidade. Enfim, tudo. Mesmo tudo: talvez fosse possível descortinar inclusive contentamento ou júbilo no meio da complexa expressão corporal do Astro. No entanto, ele não sentia nada disso. Ele nem sabia bem o que sentia, na verdade, se é que sentia realmente alguma coisa.&lt;br /&gt;Jogavam às cartas há pouco mais de uma hora e a afamada "dupla-maravilha" estava já a levar a maior cabazada de que havia memória. Jorge, a fazer equipa com Rodolfo, estava radiante como nunca. Rodolfo, um rapaz do décimo ano seu vizinho que substituía Eric naquela noite, ostentava um ar tímido, mas contente, e pouco alvitrava. Casimiro permanecia absolutamente mudo. E Barnabé, naquele momento, odiava toda e qualquer pessoa que dele se aproximasse. Depois de se fartar de resmungar com o Astro, até porque tal não parecia surtir qualquer efeito, decidiu limitar-se a dirigir-lhe olhares de profunda raiva, enquanto vociferava em direcção ao seu novo alvo. Jorge, a gabar-se o tempo todo da estrondosa vitória que estava a lograr, era assim forçado a ouvir os impropérios do seu amigo e adversário, que não se cansava de apregoar que tudo o que estava a acontecer era apenas demérito do seu companheiro.&lt;br /&gt;Casimiro sentia que várias partes do seu cérebro se tinham zangado umas com as outras. Queria tentar organizar o seu pensamento. Queria tentar perceber o que raio se passava consigo. Não obstante, por mais que tentasse, não conseguia. Surgiu-lhe a ideia de beber qualquer coisa, a ver se ajudava. Chegou a ponderá-la seriamente, mas a sua consciência falou mais alto. Não podia. Nem era pela sua convicção em se manter sóbrio, a qual já mantinha, com sucesso, desde o fim das Queimas das Fitas. Já lá iam três dias. Simplesmente, não podia estragar tudo precisamente na noite em que, para não estar com o aborrecimento de o levar e ir buscar ao café, o pai lhe confiara a &lt;i&gt;scooter&lt;/i&gt; pela primeira vez desde que fora apanhado a conduzi-la com uma mão. Desde que fora apanhado a conduzi-la com uma  mini na outra mão. Desde que fora apanhado a conduzi-la com a vigésima sétima mini daquela noite na outra mão.&lt;br /&gt;Mais uma jogada. Mais pontos, sempre para a equipa adversária. Barnabé partia, para mais outra.&lt;br /&gt;- Chega!&lt;br /&gt;Perante o ar interrogativo e confuso dos seus camaradas, o Astro limitou-se a vestir o seu casaco e a sair porta fora. Questionando-se levemente como tinha sido capaz de se levantar e percorrer aquelas dezenas de metros em passadas tão firmes, subiu para a sua motoreta e arrancou. Estava uma noite fresca. À medida que ia percorrendo as ruas desertas em direcção a casa, Casimiro ia também mentalizando-se de que se aproximava mais uma noite certamente angustiante. «Quem é que irá morrer hoje, nos meus sonhos?» Espirrou. «Devo estar mesmo a pegar uma daquelas... É desta que patino.»&lt;br /&gt;E patinou mesmo.&lt;br /&gt;Quando fazia a curva de um cruzamento para entrar na estrada nacional, o Astro perdeu o controlo da &lt;i&gt;scooter&lt;/i&gt;. Entrou para a faixa contrária e, olhando em frente, só teve tempo de ser encadeado pelos enormes faróis. Os enormes faróis do camião TIR que já havia avistado ao aproximar-se do cruzamento e que, meio segundo depois, o colhia a cerca de setenta quilómetros por hora.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3761909316072644711-5561508898789717913?l=umgajoassim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umgajoassim.blogspot.com/feeds/5561508898789717913/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3761909316072644711&amp;postID=5561508898789717913&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/5561508898789717913'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/5561508898789717913'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umgajoassim.blogspot.com/2008/10/casimiro-volta-dar.html' title='Casimiro volta a dar'/><author><name>Radical Sonic</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3761909316072644711.post-5778128195935801410</id><published>2008-10-20T00:00:00.001+01:00</published><updated>2008-10-20T00:35:47.827+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fábio Vieira Fernandes'/><title type='text'>Casimiro baralha</title><content type='html'>Nem durante o sono se safava. Aqueles sonhos... Que sonhos eram aqueles?&lt;br /&gt;Sexta-feira. Dia de reunião. Aliás, noite. Noite de sexta-feira, noite de reunião. Noite de reunião no Groove. Groove fechado (o avô do Eric falecera na quinta à tarde, vítima de uma trombose). As coisas, assim, não encaixavam. A cabeça latejava de uma forma particularmente atroz, e o telefone tocou. Nesse preciso intante.&lt;br /&gt;- 'Tou?&lt;br /&gt;- 'Tou, Miro, como é? Olha, hoje vamos para o Oceano 37 Graus Farenheit. Que me dizes? Combinado?&lt;br /&gt;O Astro respondeu afirmativamente, mas agoniado. «Bonito», pensou. Na verdade, não era bonito. Não era nada bonito. Mas Casimiro estava a ser sarcástico. Casimiro estava a ironizar perante a fúria incontrolável que a entidade vulgarmente apelidada de Vida decidira desferir contra ele naquela semana. «Bonito.» É claro que não era bonito. Não era mesmo nada bonito. O Oceano 37 Graus Farenheit não era só o café com o nome mais improvável da História. O Oceano 37 Graus Farenheit era também o café situado no local mais improvável da História.&lt;br /&gt;Faltavam apenas cerca de vinte minutos para a hora habitual. Apesar de, no telefonema, o Jorge não ter referido horas, ou talvez por isso mesmo, o Astro presumiu que fosse para se encontrarem às onze. «Estou bonito, estou bonito...», murmurava para si mesmo. Mais uma vez, o cérebro de Casimiro não estava a ser literal. Assim sendo, ninguém lhe pode negar a razão, dado que, para ir até ao Oceano 37 Graus Farenheit, Casimiro só dispunha de duas opções. E ir a pé não era uma delas.&lt;br /&gt;Resolveu tentar uma abordagem de reconhecimento. Aproximou-se dos pais e informou-os de onde iria naquela noite. A resposta da sua mãe foi a do costume. (Que é como quem diz: «não chegues tarde», juntamente com todos os outros conselhos que nunca convém deixar de relembrar a um adolescente.) O seu pai, do outro lado, permaneceu calado. De certa forma, isso constituiu igualmente a resposta do costume.&lt;br /&gt;Cautelosamente, o Astro explanou o seu barbicacho, recorrendo à imprevisibilidade do tempo naquela noite (as nuvens no céu eram, realmente, muitas e escuras) para desculpar a sua falta de vontade de caminhar. Contudo, rapidamente se apercebeu do seu tiro ao lado e rectificou o que dissera.&lt;br /&gt;- Mas, mesmo que não chova - Casimiro sublinhou bem estas palavras -, não sei se será grande ideia andar por aí a pé a altas horas da noite... - O Astro virou-se para a mãe. Sabia que estas palavras iriam causar impacto na sua sempre imensa preocupação. Mas sabia igualmente, pois tinha reparado no seu semblante a ficar carregado, que o pai já o estava a topar. Decidiu arriscar o seu último trunfo:&lt;br /&gt;- O papá podia dar-me boleia e depois ia lá buscar-me, mais logo...&lt;br /&gt;Resultou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eram 23:03, e o Astro acabara de se sentar ao lado de Jorge e defronte de um rapaz que conhecia de vista da escola. Na diagonal, Barnabé. A dupla-maravilha estava pronta para ganhar mais uma noite.&lt;br /&gt;- Casimiro, baralha.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3761909316072644711-5778128195935801410?l=umgajoassim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umgajoassim.blogspot.com/feeds/5778128195935801410/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3761909316072644711&amp;postID=5778128195935801410&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/5778128195935801410'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/5778128195935801410'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umgajoassim.blogspot.com/2008/10/casimiro-baralha.html' title='Casimiro baralha'/><author><name>Radical Sonic</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3761909316072644711.post-3866040136004649917</id><published>2008-10-13T00:00:00.004+01:00</published><updated>2008-10-14T11:29:38.176+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Isabel Antunes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='José Pedro Assis'/><title type='text'>Casimiro conhece a vergonha</title><content type='html'>Todo o estúdio estava em suspenso. Não se ouvia absolutamente nada! Aliás, ouvia-se, sim. Era o ocasional chiar de alguma câmara a mover-se tentando captar os melhores ângulos da mais invulgar das emissões. Depois de uma prova que faria corar até a pessoa mais promíscua e mais sem escrúpulos, todos os presentes achavam que Casimiro tinha descido ao mais baixo dos patamares de decência. &lt;br /&gt;Nada poderia tornar aquilo pior do que já era. E nada era pior do que aquilo. Todos aqueles segredos mais profundos desvendados daquela forma... E ele sem o poder negar, caso contrário, tanto esforço iria por água abaixo. No sofá, o seu pai e Barnabé só queriam poder ter um buraco onde se enfiar. &lt;br /&gt;Teresa Guilherme já não conseguia conter o riso. Começava a achar que, dentro daquele parvo programa que lhe tinha sido atribuído, numa vã tentativa de ultrapassar as audiências da TVI, nunca se tinha divertido tanto. Agradecia aos céus não ter uma gargalhada tão estridente quanto a da Júlia Pinheiro. E foi então, a muito custo, que se preparou para fazer a última pergunta. &lt;br /&gt;O Astro já tinha decidido que jogava até ao fim. Já suava por tudo quanto era poro do seu corpinho. E o estrago estava feito. Já estava corado até aos cotovelos e já tinha revelado coisas que nem o seu grande amigo de infância conhecia. Toda a gente ficou a saber que dormia com a &lt;i&gt;Barbie&lt;/i&gt; da prima Rosa Cremilde. Portanto, agora havia que ganhar o máximo de dinheiro possível. Ia entrar no nível seis.&lt;br /&gt;Era uma pergunta. Apenas mais uma. Para 250 mil euros. Aquele era, realmente, o momento da verdade. &lt;br /&gt;A apresentadora fez o teatro que sempre faz antes de qualquer pergunta. Encheu o peito e soltou o último golpe.&lt;br /&gt;- É verdade que, por várias vezes, utilizou as pequenas abóboras do quintal do seu pai para aliviar os seus desejos sexuais?&lt;br /&gt;- Não! - gritou Casimiro, visivelmente escandalizado.&lt;br /&gt;O público ficou mudo. Não se ouvia o mínimo suspiro. Casimiro estava branco. A voz de sempre fez-se ouvir.&lt;br /&gt;- Esta resposta é...&lt;br /&gt;A televisão ficou muda de repente. Tinha conseguido, a emissão fora cortada no momento certo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3761909316072644711-3866040136004649917?l=umgajoassim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umgajoassim.blogspot.com/feeds/3866040136004649917/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3761909316072644711&amp;postID=3866040136004649917&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/3866040136004649917'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/3866040136004649917'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umgajoassim.blogspot.com/2008/10/casimiro-conhece-vergonha.html' title='Casimiro conhece a vergonha'/><author><name>L!NGU@$</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://img168.imageshack.us/img168/9800/629803163451127170cd3evy7.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3761909316072644711.post-5484044737234433444</id><published>2008-10-06T00:00:00.003+01:00</published><updated>2008-10-06T23:54:45.415+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ana Maria Cardoso'/><title type='text'>Casimiro e as cartas do Tarot</title><content type='html'>Nervosismo. Casimiro já sentia as gotas frias do seu suor escorrer pela cara abaixo. Estava um calor insuportável debaixo daquele fato de borracha, completamente colado ao seu corpo. Já confundia a ansiedade com pequenas tonturas que o faziam ver a pista à sua frente completamente desfocada. &lt;br /&gt;Respirou fundo, três vezes. Benzeu-se e rezou um Pai Nosso. Tal como o seu tio-avô o havia ensinado a fazer sempre que se sentia aflito. Garantiu-lhe que isso o acalmaria. E Casimiro acreditava nele.&lt;br /&gt;Sentia-se apertado e um bocado desconfortável naquele pequeníssimo carro de Fórmula 1 que a sua querida Zezerina lhe tinha oferecido no mês passado, quando lhe saiu o Euromilhões. O Astro ia finalmente realizar o seu sonho e correr lado a lado com o seu grande ídolo: Pedro Lamy. Numa das pistas mais famosas do mundo: Monte Carlo, no Mónaco. &lt;br /&gt;Pensar em tudo isto, se, por um lado, o deixava mais nervoso, por outro, fazia-o sentir-se grato e extremamente feliz por poder realizar aquele que era um dos seus maiores sonhos desde criança.&lt;br /&gt;Não se podia esquecer de agradecer, de uma forma bem especial, à sua amada por tudo de bom que ela lhe dava.&lt;br /&gt;Já sem ligar ao stress, já com uma atitude de aproveitar o momento e sem qualquer medo ou vergonha de ganhar o último lugar, Casimiro cuspiu nas mãos e agarrou-se ao volante. Curvando as costas sobre aquele, como se isso lhe garantisse que adquiria uma maior velocidade, o Astro concentrou-se na bandeira que indicava o arranque. &lt;br /&gt;3... 2... Contava mentalmente o Miro... GO! &lt;br /&gt;Sem hesitar, carregou no acelerador e fez-se à estrada.&lt;br /&gt;Já não havia espaço para pensar. Os seus gestos já pareciam mais reflexos do que actos pensados. Não era ele quem mandava no seu cérebro. A primeira curva aproximou-se em segundos, Casimiro sentiu-se emocionado por tê-la conseguído ultrapassar sem um único arranhão.&lt;br /&gt;Conhecia bem aquela pista. Sabia que muitos dos seus companheiros de corrida ficariam por ali. Para trás. Tramados por acidentes de outros. Ou não. Aquela tinha sido a sua oportunidade. Casimiro sentia-se orgulhoso, sentindo aquilo como uma primeira vitória.&lt;br /&gt;O Astro não se estava a sair nada mal. Corria, literalmente, lado a lado com o seu ídolo. Aquilo bastava. Porém, algo o inquietava. Ele, o nosso amigo Astro, estava a conseguir fazer uma melhor prova do que o Lamy. Isto fez com que ele se sentisse envergonhado. Não podia deixar que aquilo acontecesse. Tinha que fazer alguma coisa. &lt;br /&gt;Sem pensar mais, inconsciente, pois não calculou os riscos que aquela atitude traria, o Astro esperou a próxima curva e, com uma guinada brusca, bateu contra os placards da publicidade. &lt;br /&gt;Não queria acreditar no que tinha feito. Havia arruinado um sonho. No entanto, saía dele com a cabeça erguida, não se arrependendo de nada do que tinha feito. Orgulhoso da sua estupidez.&lt;br /&gt;Ao seu lado, os amigos, acabados de entrar, riam-se:&lt;br /&gt;- GAME OVER, Miro?! És mesmo fraco.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3761909316072644711-5484044737234433444?l=umgajoassim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umgajoassim.blogspot.com/feeds/5484044737234433444/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3761909316072644711&amp;postID=5484044737234433444&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/5484044737234433444'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/5484044737234433444'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umgajoassim.blogspot.com/2008/10/casimiro-e-as-cartas-do-tarot.html' title='Casimiro e as cartas do Tarot'/><author><name>L!NGU@$</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://img168.imageshack.us/img168/9800/629803163451127170cd3evy7.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3761909316072644711.post-4988907913596644722</id><published>2008-09-29T00:00:00.005+01:00</published><updated>2008-10-06T19:34:48.337+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='José Pedro Assis'/><title type='text'>Casimiro admirado...</title><content type='html'>O dia nasceu chuvoso e Casimiro ainda não tinha tido vontade de se levantar do colchão. Passava já hora e meia desde que o despertador tocara, mas os lençóis pareciam mais confortáveis do que qualquer outro sítio do mundo. De qualquer maneira, a futebolada, que devia estar a jogar, estava automaticamente desmarcada tal era o dilúvio na rua.&lt;br /&gt;Nada lhe custou mais do que ter de saltar da cama depois de ouvir o seu pai a gritar da cozinha: «Ó Miro, anda cá, que o Joca Sapateiro deixou uma carta para ti.» Afinal de contas, estava de férias e podia dormir até quando lhe apetecesse. Ainda para mais, estando o Natal a aproximar-se, o tempo - como quem acompanha a quadra - parecia decidido a atingir valores negativos, e isso não puxava nada a qualquer saída para a rua.&lt;br /&gt;Chegado à cozinha, não pôde deixar de reparar no ar de gozo com que o seu pai o presenteou.&lt;br /&gt;- É esse envelope cor-de-rosa cheio de corações. Nem remetente tem. Estás bonito, pá!&lt;br /&gt;Envergonhado e, ao mesmo tempo, bastante excitado, o Astro correu para o quarto já a abrir o envelope com muito cuidado. Mal começou a retirar o papel que se encontrava lá dentro, sentiu um intenso cheiro a perfume. Achou a ideia bastante sensual, mas também achou o aroma do perfume bastante estranho. Começou a ler:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Olá Mirinho,&lt;br /&gt;Há muito que ando para te dizer isto, porém a coragem não abunda por estes lados. Gosto tanto de ti e ao mesmo tempo tenho tanto medo de te dizer. Declaro-me assim, porque achei que seria a forma mais fácil. Cabe-te agora a ti decidir se queres saber quem sou ou não. Estarei, na sexta, às 10h, em frente à porta do Groove com um casaco rosa e uma bandolete da mesma cor. Até lá (espero eu).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beijos... C...&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Casimiro releu a carta umas dez vezes e continuava sem acreditar que aquilo lhe estava a acontecer. Decidiu que iria ao encontro, fizesse chuva ou fizesse sol. Se havia uma rapariga interessada nele, só tinha que aproveitar. Desde que se tinha iniciado sexualmente com a sua prima, há cerca de um ano, que andava mortinho por repetir o acto. Tinha prometido a si mesmo que havia de voltar a apanhá-la. Dessa vez, com mais jeito e mais experiência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda não eram nove horas de sexta e já o seu despertador berrava com vontade. De nada lhe valeu mostrar tanto serviço. O Astro já estava acordado há mais de uma hora. Já tinha visto e revisto a roupa que ia levar, os sapatos, o perfume, e até já tinha andado pelo jardim a estudar as roseiras do seu pai.&lt;br /&gt;Quinze minutos antes da hora marcada, saía porta fora. Rosa vermelha numa mão, guarda-chuva da Abelha Maia na outra. Ia cheio de medo e entusiasmo, mas não vacilava um passo. A chuva não era muito forte, mas, mesmo que fosse, não iria ser água a dar cabo do encontro. Chegado à porta do Groove, quando faltavam cinco minutos para a hora marcada, não viu ninguém. Nem a rapariga de casaco e bandolete rosa, nem qualquer outra pessoa. Colou o nariz na montra do bar e espreitou lá para dentro. Ninguém. Nem mesmo o Eric. Devia estar na arrecadação. Sentiu uma mão tocar-lhe no ombro. Sentiu também a temperatura do corpo a subir. Sentiu ainda uma respiração ofegante no pescoço.&lt;br /&gt;- Casimiro, meu amor, sempre vieste.&lt;br /&gt;O Astro congelou. Conhecia bem aquela voz. Não queria acreditar na sua sorte. «Carlinhos? O paneleiro? Só a mim!»&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3761909316072644711-4988907913596644722?l=umgajoassim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umgajoassim.blogspot.com/feeds/4988907913596644722/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3761909316072644711&amp;postID=4988907913596644722&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/4988907913596644722'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/4988907913596644722'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umgajoassim.blogspot.com/2008/09/casimiro-admirado.html' title='Casimiro admirado...'/><author><name>L!NGU@$</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://img168.imageshack.us/img168/9800/629803163451127170cd3evy7.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3761909316072644711.post-8539251543767728373</id><published>2008-09-22T00:00:00.002+01:00</published><updated>2008-09-22T14:19:24.029+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fábio Vieira Fernandes'/><title type='text'>O passado sombrio de Casimiro</title><content type='html'>Ninguém sabe ao certo como é que isto foi acontecer. Se Casimiro tivesse a fama e o estatuto de celebridade que merece ter, esta história teria feito capa de tudo o que é revista cor-de-rosa assim que se tornou do conhecimento geral. Mas ninguém sabe ao certo como é que foi possível ela ter-se tornado do conhecimento geral.&lt;br /&gt;Não era suposto.&lt;br /&gt;Tudo se passou recentemente. Há um par de anos, mais coisa, menos coisa, Casimiro decidiu consultar um psicoterapeuta. Ao que parece, o motivo disto terá sido a sua alegada sensação de que o seu íntimo estava prestes a ceder perante o peso mastondôntico de um trauma de infância que nunca revelara a ninguém. De forma ainda hoje desconhecida, todas as informações reveladas nessa consulta (que, segundo consta, foi constituída por mais que uma sessão) vieram a público. Para o Astro, foi extremamente constrangedor confrontar-se com o facto de, de repente, todos à sua volta saberem aqueles segredos a seu respeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Posto isto, será que alguém me poderá dizer que segredos são esses que supostamente toda a gente conhece?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3761909316072644711-8539251543767728373?l=umgajoassim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umgajoassim.blogspot.com/feeds/8539251543767728373/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3761909316072644711&amp;postID=8539251543767728373&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/8539251543767728373'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/8539251543767728373'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umgajoassim.blogspot.com/2008/09/o-passado-sombrio-de-casimiro.html' title='O passado sombrio de Casimiro'/><author><name>Radical Sonic</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3761909316072644711.post-2509618222968879739</id><published>2008-09-15T00:00:00.008+01:00</published><updated>2008-09-15T17:35:16.657+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Marta Amorim'/><title type='text'>O par de contas de Casimiro (Parte II)</title><content type='html'>5 de Fevereiro de 1997.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Miro, acorda!!! Não te podes atrasar. Anda, filho, hoje é um dia importante. - Madalena tinha acordado visivelmente nervosa. Hoje, o seu primeiro e único descendente realizaria a segunda eliminatória das Olimpíadas Portuguesas de Matemática. Ao contrário dela, Casimiro não se mostrava minimamente entusiasmado. Desde que a professora Luísa desaparecera do seu mapa, tudo o que estivesse relacionado com Matemática deixava-o relutante e bastante desgostoso. Após ter tomado um pequeno-almoço reforçado e revigorado a alma com um banho de água bem quente, o Astro decidiu que era hora de falar com a sua mãe e dizer-lhe que não queria participar nas provas. Estava convicto de que iria conseguir demolir qualquer argumento que a sua progenitora apresentasse. Todavia, bastou a esta expandir as suas pálpebras e lançar-lhe um olhar mortífero para Miro perceber que não tinha escapatória: ele iria mesmo participar naquelas olimpíadas que envergonham as Mundiais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À semelhança do que acontecera da primeira vez, Casimiro reparou que não havia uma única rapariga minimamente bonita naquela sala. Era muito azar acumulado. Às nove horas em ponto, toda a gente começou a fazer a prova. Bem, toda a gente menos o Astro, que, mais uma vez, não se sentia apto para solucionar qualquer problema. Este género de competições não era, decididamente, o seu forte. Reparando que o tempo começava a escassear, Miro estava decidido a não deixar a folha em branco. Primeiro, começou a delinear bonecos em posições menos próprias e portadores de uma flexibilidade fora do normal; passou, de seguida, para os desenhos abstractos; e, quando começou a esboçar a caricatura do seu colega da direita, ficou absorto a olhar para aquela aparição: a professora Luísa estava ali, à sua frente. Casimiro não conseguiu perceber se estava a delirar ou se era mesmo verdade e, numa fracção de segundo, acabou por desmaiar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois minutos e trinta estalos na cara revelou-se o necessário para acordá-lo de um sono profundo. O Astro encontrava-se bastante confuso e não entendia o que se tinha passado, mas podia jurar que tinha visto a professora dos seus sonhos. Descreveu-a como um anjo descido do céu, sob uma veste branca comprida e com uma luz brilhante à sua volta. «Dah, Miro, essa é a Nossa Senhora! Agora, estás feito pastorinho, é?» Venceslau, seu colega de escola, estava a achar tudo aquilo ridículo. Era lógico que Casimiro estava com alucinações, pois só isso poderia explicar o seu comportamento. Não havia espaço para dúvidas. Embora, nessa manhã, muitas pessoas tivessem recorrido à argumentação lógica, a verdade é que aquela percepção visual tinha sido tão clara e intensa que Casimiro, ainda hoje, acredita plenamente que a professora Luísa esteve à sua frente para iluminá-lo. De nada serviu. Ele acabou por não passar à eliminatória seguinte.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3761909316072644711-2509618222968879739?l=umgajoassim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umgajoassim.blogspot.com/feeds/2509618222968879739/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3761909316072644711&amp;postID=2509618222968879739&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/2509618222968879739'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/2509618222968879739'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umgajoassim.blogspot.com/2008/09/o-par-de-contas-de-casimiro-parte-ii.html' title='O par de contas de Casimiro (Parte II)'/><author><name>Radical Sonic</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3761909316072644711.post-3564786479717015406</id><published>2008-09-08T00:00:00.004+01:00</published><updated>2008-09-08T00:00:00.748+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Marta Amorim'/><title type='text'>O par de contas de Casimiro (Parte I)</title><content type='html'>«Que mal é que eu fiz a Deus?! É que só me faltava esta...» Miro nem podia acreditar. A escultural professora de Matemática, aquela boazona de 27 anos, com um corpo de bradar aos céus, tinha-o inscrito nas Olimpíadas de Matemática. Fora por ela, ou mais precisamente pelo seu rabo firme e bem delineado, que Casimiro começara a gostar duma disciplina parva que insiste em colocar problemas à vida pacata de qualquer um. Fora também por ela que o Astro chegara pontualmente a todas as aulas, fizera praticamente todos os trabalhos de casa e empenhara-se como não havia memória. Mas isso não era razão para a professora Luísa ter feito o que fez. Casimiro nem podia acreditar que estava cercado por uma cambada de craniozinhos do terceiro ciclo, de risco ao meio, detentores não só de uns óculos com lentes convergentes para tratar a miopia, mas sobretudo de conhecimentos que ultrapassavam, largamente, o nível “muito bom”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando se ouviu a última das nove badaladas do sino da igreja, era hora de começar a primeira eliminatória das Olimpíadas de 96. A prova tinha a duração de duas horas e era composta por dez perguntas, sendo que cada uma valia dez pontos.&lt;br /&gt;- «Dois comboios circulam em sentidos contrários com velocidades de 72 Km/h e 90 Km/h. Um passageiro sentado no segundo comboio (o mais rápido) observa que o primeiro comboio demora 3 segundos a passar completamente à sua frente. Quanto mede o primeiro comboio?» O quê? Mas desde quando é que é necessário saber o comprimento de um comboio? – Miro estava a desesperar. O nervosismo que sentia desde que se levantara nessa gélida quarta-feira, dia 13 de Novembro, não deixava que os seus preguiçosos neurónios pensassem. – Vá lá, concentração. Eu consigo. Não pode ser assim tão difícil.&lt;br /&gt;Vendo o seu aluno preferido bastante aflito, a professora Luísa, que passava oportunamente pela sala 18 do piso 2, decidiu dar-lhe uma ajudinha e desapertou dois botões da sua blusa preta bem justa. Naquele momento, o Astro delirou: a professora mostrara-lhe o sutiã, também ele preto, de renda e bastante sexy. E logo aí surgiu a inspiração e a concentração de que Casimiro necessitava. Nos 30 minutos que restavam, o Astro conseguiu responder às seis últimas questões e acabar primeiro que todos os sobredotados presentes na mesma sala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Duas semanas depois, o Presidente da Escola Básica 2,3 Grão Vasco afixou os resultados no placard de informações. A lista dos alunos apurados para participar na eliminatória seguinte, esta agora a nível regional, era composta por três alunos: Venceslau Ferreira, Pedro Araújo e... Casimiro Castro! Os olhos do Astro até brilharam de surpresa. O seu peito encheu-se de orgulho e uma força que ele não conseguiu controlar levou-o até à porta da sala dos professores. Precisava de contar a novidade à sua professora preferida. Procurou-a com o olhar a primeira, a segunda e a terceira vez... Não estava fácil descobrir o corpo que fazia Casimiro estremecer. Optou, então, por chamar o professor Ricardo de Educação Física:&lt;br /&gt;- Sôr, não viu por aí a professora Luísa?&lt;br /&gt;- Não soubeste, Mirinho? Ela foi suspensa. Alegadamente, foi apanhada a mostrar a sua roupa íntima a um aluno do 9.º ano. Por acaso não sabes quem foi o sortudo, pois não?&lt;br /&gt;- Não, não sei... – E, dito isto, o Astro deu meia volta e foi para casa. Todo o encanto que ele tinha pela Matemática morreu nesse dia, juntamente com a suspensão da professora mais elegante da escola.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3761909316072644711-3564786479717015406?l=umgajoassim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umgajoassim.blogspot.com/feeds/3564786479717015406/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3761909316072644711&amp;postID=3564786479717015406&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/3564786479717015406'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/3564786479717015406'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umgajoassim.blogspot.com/2008/09/o-par-de-contas-de-casimiro-parte-i.html' title='O par de contas de Casimiro (Parte I)'/><author><name>Radical Sonic</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3761909316072644711.post-7238900237683774067</id><published>2008-09-01T00:00:00.000+01:00</published><updated>2008-09-01T00:00:00.813+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fábio Vieira Fernandes'/><title type='text'>Casimiro cede à ditadura consumista norte-americana</title><content type='html'>Chovia. Lá fora, chovia muito. Chovia imenso. Chovia a cântaros. Chovia a potes. Até choveria gatos e cães, se aquela paisagem que, por entre a chuva, se vislumbrava da janela pertencesse a Inglaterra. Não era o caso. Casimiro encontrava-se - como nunca deixara de o fazer, pelo menos até então - no bom velho rectângulo à beira-mar plantado. «O gajo que nos plantou esqueceu-se foi de pedir a alguém que nos continuasse a regar depois de ele morrer...», resmungava o seu pai à medida que virava as páginas do &lt;i&gt;Diário de Notícias&lt;/i&gt; daquele dia.&lt;br /&gt;Na capa do jornal, podia ver-se, numa pequena fotografia colocada a meio da coluna de destaques do dia, o Exmo. Sr. Presidente da República General António Ramalho Eanes. Apesar de ainda não saber ler, Casimiro reconheceu imediatamente aquela cara, que tantas vezes aparecia nos noticiários. A imagem principal da página, a que acompanhava a manchete, mostrava, por sua vez, uma qualquer vila ou cidade completamente alagada. Era fácil de perceber que se tratava apenas de mais uma notícia sobre as cheias que, graças ao mau tempo que se fazia sentir um pouco por todo o mundo, vinham multiplicando-se desde há dias.&lt;br /&gt;Dona Madalena encontrava-se também na sala, sentada noutro sofá, de olhos postos num documentário sobre o Titanic que a televisão transmitia. Naquele momento, a voz off relatava a altura dos acontecimentos em que a enorme embarcação começara a afundar-se lenta e impiedosamente enquanto era preenchida pela água que a sugava e a dispunha numa posição quase vertical. Mal podia Casimiro adivinhar que, pouco mais de uma década depois, ficaria a saber que Leonardo DiCaprio estava lá. Aparentemente, também os senhores que tinham feito aquele documentário não o sabiam ainda.&lt;br /&gt;Casimiro olhava pela janela, mas, na realidade, não absorvia qualquer informação sensorial com origem para lá do círculo quase perfeito de vapor de água condensado que a sua respiração construíra no vidro. Acabara de se lembrar da emoção que fora a noite anterior e entretinha-se a reconstruir os eventos mentalmente. Ao contrário dos pais, sentia-se capaz de descortinar alguma graça na inundação provocada pela torneira da banheira dos aposentos para hóspedes. Sobretudo se se tivesse em conta que ninguém utilizava aquela divisão da casa havia largos meses. Agora que pensava, se calhar a situação até tinha mais de assustador do que de engraçada.&lt;br /&gt;Resolveu distrair-se.&lt;br /&gt;Sequioso e farto de ver e sentir água em cada lado para o qual se virasse, Casimiro dirigiu-se à cozinha, empoleirou-se numa cadeira em frente ao frigorífico e tirou uma lata da prateleira superior. Bebeu a sua primeira Coca-Cola e não gostou.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3761909316072644711-7238900237683774067?l=umgajoassim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umgajoassim.blogspot.com/feeds/7238900237683774067/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3761909316072644711&amp;postID=7238900237683774067&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/7238900237683774067'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/7238900237683774067'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umgajoassim.blogspot.com/2008/09/casimiro-cede-ditadura-consumista-norte.html' title='Casimiro cede à ditadura consumista norte-americana'/><author><name>Radical Sonic</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3761909316072644711.post-7940667526877906904</id><published>2008-08-25T00:00:00.000+01:00</published><updated>2008-08-25T00:00:01.493+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fábio Vieira Fernandes'/><title type='text'>Casimiro vai aos Jogos Olímpicos</title><content type='html'>- Daqui a quatro anos, vou eu ganhar uma!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi uma semana normal na vida de Casimiro. Privado de novas aventuras de destaque (uma vez mais, viu-se longe de tudo o que é festival de música ou seu sucedâneo) num Verão que arrancou de forma bastante atribulada, o Astro tem cumprido escrupulosamente a sua rotina noctívaga. Noite após noite, faz-se acompanhar de Barnabé, de Eric e de um cota bexigoso cujo nome nunca conheceu para uma suecada numa mesa recôndita do Groove - não tão recôndita quanto a de Amaro, contudo. A este, para que não o chateie mais até que adormeça sobre a sua mesa, Eric serve logo duas garrafas de absinto antes de limpar o balcão e de se juntar à jogatana.&lt;br /&gt;Apesar de, por razões óbvias, não o expressar abertamente, Casimiro encontra-se secretamente contente por Barnabé ter sido despedido há umas semanas. Caso o seu amigo de sempre não pudesse alinhar nas noitadas no café por causa do emprego, teriam de chamar o chato do Marcos para ser o quarto elemento daquelas obrigatórias partidas. Marcos possui uma maneira muito própria de jogar à sueca: não se cala durante os turnos dos outros, falando de tudo e mais alguma coisa desde que o seu interesse seja nulo, e exige um silêncio sepulcral para uns penosos minutos de concentração quando chega a sua vez de deitar uma carta na mesa. Por isto, não é de admirar que todos evitem a sua companhia sempre que possível, porém o Astro tem um motivo extra para não gostar de Marcos. Pese embora o assunto (leia-se "relacionamento") ter ficado arrumado quando ela voltou para Marseille, no início de Setembro do ano passado, foi com incontido ressentimento que Casimiro avistou, em finais de Julho, Sylvie e Marcos completamente enrolados naquilo que poderá ser descrito como uma marmelada quase pornográfica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem, domingo, por volta da uma e meia da tarde, Casimiro acordou e levantou-se para aliviar a pressão que latejava no seu baixo ventre. No caminho de regresso ao quarto, fez um desvio até ao andar de baixo, de onde provinha o ruído característico e indecifrável de um televisor ligado. Encontrou o seu pai na sala, refastelado no sofá, com um copo de cerveja ao lado e um prato precariamente equilibrado no seu colo. Pela mistela de restos que avistou em redor dos talheres, o Astro deu-se contente por já lá ir algum tempo desde a última vez que almoçara.&lt;br /&gt;- Como é, Mirinho? Acordado a estas horas? Já não te via há uns dias. Senta-te aqui, que daqui a pouco vai dar a última etapa da Volta a Portugal. A ver se o nosso Benfica também acaba isto em grande. Lembras-te de quando a íamos ver ao vivo?&lt;br /&gt;Casimiro não respondeu, ficando absortamente a olhar para o que a televisão transmitia. Permanecia de pé.&lt;br /&gt;- Isto já é o encerramento dos Jogos Olímpicos? - acabou por dizer, apontando um dedo para o ecrã.&lt;br /&gt;- Claro! Está a dar em directo. - Casimiro, o pai, mirou Casimiro, o filho, e franziu o sobrolho. - Aposto que nem sabes que o Benfica ganhou duas medalhas...&lt;br /&gt;- O Benfica? Medalhas? Hã?&lt;br /&gt;- Meu Deus, filho! Como é possível alguém sobreviver tão desligado do mundo? Bem, não foi bem o Benfica... Mas a nossa Vanessa lá conseguiu a prata, e o Nelson Évora ganhou há dias a medalha de ouro.&lt;br /&gt;- Medalha de ouro? Uau! Ena... Só de pensar... - Uma ideia começava a formar-se na mente do Astro. - PAI! - O senhor Castro deu um salto. - Daqui a quatro anos, vou eu ganhar uma!&lt;br /&gt;- O quê?&lt;br /&gt;- É isso mesmo! Não estás sempre a dizer que tenho de dar um rumo à minha vida? É o que vou fazer. Vou treinar muito e, em 2012, vou a Londres para cantar o hino!&lt;br /&gt;- E vais treinar o quê?&lt;br /&gt;- Pois... Isso já se verá. Agora, vou dormir, que logo ainda quero ver o Glorioso antes do início do torneio de bilhar do Groove.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3761909316072644711-7940667526877906904?l=umgajoassim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umgajoassim.blogspot.com/feeds/7940667526877906904/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3761909316072644711&amp;postID=7940667526877906904&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/7940667526877906904'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/7940667526877906904'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umgajoassim.blogspot.com/2008/08/casimiro-vai-aos-jogos-olmpicos.html' title='Casimiro vai aos Jogos Olímpicos'/><author><name>Radical Sonic</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3761909316072644711.post-1871715498462957811</id><published>2008-08-18T00:00:00.000+01:00</published><updated>2008-08-18T00:00:01.085+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fábio Vieira Fernandes'/><title type='text'>Casimiro, eloquência e perspicácia: sinónimos?</title><content type='html'>Nem sei se deveria estar a fazer isto, mas que se lixe. Eu confio em si, amigo leitor, e estou certo de que saberá guardar segredo desta história que me foi confidenciada. Partilho-a consigo porque acho que merece ficar a par de algo precioso de que muitos poucos têm conhecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comemora-se neste preciso dia vinte e cinco anos de existência desse talentoso senhor que dá pelo nome de Mica Penniman. Ou Mika, para ajudar a perceber de quem falo. É verdade: há um quarto de século, algures em Beirute, uma senhora de pernas abertas dava à luz aquele que se tornaria num dos ídolos musicais da pop contemporânea (ou uma qualquer outra coisa igualmente pomposa, que esta parte já sou eu a inventar).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na mesma altura, a muitos quilómetros de distância, Casimiro Castro e Madalena Ferreira ouviam o seu rebento proferir a sua primeira palavra: Eusébio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3761909316072644711-1871715498462957811?l=umgajoassim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umgajoassim.blogspot.com/feeds/1871715498462957811/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3761909316072644711&amp;postID=1871715498462957811&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/1871715498462957811'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/1871715498462957811'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umgajoassim.blogspot.com/2008/08/casimiro-eloquncia-e-perspiccia.html' title='Casimiro, eloquência e perspicácia: sinónimos?'/><author><name>Radical Sonic</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3761909316072644711.post-8276800183725283190</id><published>2008-08-11T00:00:00.002+01:00</published><updated>2008-08-13T10:41:00.600+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fábio Vieira Fernandes'/><title type='text'>As falsas memórias de Casimiro</title><content type='html'>- Não. Não há ratos nem patos nem outra bicheza miúda. Há um dragão, mas também não é daqueles feiosos que se vêem numa cidade lá perto. É um dragão como deve ser, para animar a malta. Até porque a ideia é animar a malta, não é? Ainda me lembro... Animação lá não falta, se querem saber. Foi um dia em grande, na última vez que lá estive. Ó pá... Que saudades! Jorge, temos mesmo de combinar com o resto do pessoal e ir lá ainda este ano. Bem, mas como vos ia a contar... Mal entrei, vi logo uma das novidades - sim, porque lá há novidades quase todos os meses - desde a última vez que lá tinha estado. Parecia que estava a entrar noutra dimensão, não estão bem a ver! Até o céu mudava! Depois percebe-se o truque, claro. É um material especial que tinha sido inventado pouco tempo antes cá em Portugal e dá aquela ilusão, e depois, aliado à música que põem lá na entrada, causa umas sensações muito esquisitas. E sem fumar nada! Hehe... Bem... Aquilo é único em todo o mundo. Pelo menos, era, na altura, que eu lembro-me de ler lá num painel interactivo. Depois, uma vez dentro do parque propriamente dito, ó meus amigos, é sempre a abrir! Tem lá de tudo. Tudo mesmo. Até ouvi dizer que tinha umas coisas assim mais, como dizer, para adultos, percebem? Mas, na altura, não pude confirmar, com muita pena minha. No entanto, experimentei muitas outras atracções de manhã à noite. Primeiro, andei num labirinto virtual, onde havia extraterrestres que se conseguem sentir! É de loucos. A seguir, andei na montanha russa que já foi detentora de todos os recordes do mundo. Entretanto, deixou de ser, claro, mas já estão a construir outra, que vai inclusive passar pelo meio da primeira, e vai ser reconquistado o número um. Cá não se brinca! Na altura, a sorte foi eu querer mesmo andar naquilo, já que ia ser a minha primeira vez, porque cheguei lá e estava uma fila que parecia interminável. Mas o mais interessante é que a fila foi escoada a um ritmo impressionante. Como eu disse, lá é sempre a abrir! Bem, no resto da manhã, andei noutras atracções de velocidade, para não perder a adrenalina. Das melhores, acho que destaco uma de madeira que fica na zona que retrata o Velho Oeste, a última para quem começa por esse lado. Não sendo a mais rápida, acreditem que parece! Saí de lá a tremer. Depois, fui almoçar. Vi-me perdido para decidir, porque não faltam restaurantes lá. Acabei por não resistir às pizas e ainda hoje não me arrependo. Parece que até estou a sentir neste momento aquele delicioso molho de tomate... Hum! Depois, de barriga a rebentar, decidi começar a tarde em atracções mais calmas. Fui, então, andar no comboio que passa por todos os sítios do parque e ainda por mais alguns inacessíveis de outro modo. Vi coisas absolutamente incríveis. Havia lá uns animais, numa zona recôndita e cheia de vegetação, que eu nem conhecia! Mas não só! Toda a viagem foi... Ó pá, foi mesmo... Foi qualquer coisa!&lt;br /&gt;- E depois?&lt;br /&gt;- E depois... e depois... - Casimiro não sabia como continuar.&lt;br /&gt;Há uns bons vinte minutos que o Astro dissertava alegremente sobre uma suposta ida à Bracalândia, que descrevera aos seus interlocutores como sendo «o parque de diversões mais alucinado do mundo, oficialmente». Todos o ouviam num estado de profundo e absoluto deleite, à excepção de Jorge, que tentava desesperadamente controlar as gargalhadas que o assaltavam de modo compulsivo, e Vader, que acabara de se lhes juntar por ninguém mais se encontrar no Groove àquela hora e, embora parecesse embrenhada numa troca de mensagens através do seu telemóvel, lançava, com frequência, uns olhares divertidos ao alegre orador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O calor era insuportável naquele dia de Agosto. Como tantas vezes acontecia, todos os anos, durante o Verão, a maior parte do pessoal havia ido de férias com os pais ou, por um motivo ou outro, passar uns dias em casa de familiares. Por conseguinte, os poucos que restavam desistiam à partida de quaisquer planos para irem até à praia e acabavam sempre por ceder perante a tentação do ar condicionado do café.&lt;br /&gt;Depois de uma bastante acalorada partida de bilhar, pautada, como, aliás, todas as que a precederam, pela saudável falta de &lt;i&gt;fair play&lt;/i&gt; habitual que obrigava Eric a constantes ameaças berradas de interdição permanente de acesso aos tacos e às bolas, Casimiro e Jorge decidiram reunir-se aos únicos clientes presentes no estabelecimento, que se aglomeravam em volta de duas mesas previamente aproximadas. Tratava-se, como não podia deixar de ser naquela altura, de um pequeno bando de jovens, ligeiramente mais novos do que o Astro, claramente filhos de emigrantes em países francófonos que faziam a visita da praxe à terrinha de origem dos seus progenitores. Sem sentirem necessidade de requerer qualquer tipo de autorização, os dois rapazes instalaram-se (Casimiro fê-lo com um ar particularmente confiante; Jorge apresentou-se mais gingão), ao mesmo tempo que tentavam perceber, por entre muitas palavras pertencentes a um dialecto que ora se assemelhava ao português, ora se assemelhava ao francês, mas, na maioria dos casos, não tinha quaisquer parecenças com língua alguma, qual o tema de conversa.&lt;br /&gt;Tanto quanto o Astro conseguiu descortinar, ao passo que os restantes elementos da trupe alvitravam, de quando em vez, tímidos comentários, um casal de irmãos - não havia outra hipótese, dada a similitude entre os seus cabelos amarelos, quase brancos, e a igual densidade de sardas sob os olhos de ambos - discutia expansivamente com um outro rapaz - primo deles? Apesar de não ter sardas, o cabelo também era claro, e aquelas orelhas extremamente arredondadas serviriam de certeza como prova de parentesco, em tribunal - qual o melhor parque temático de terras gaulesas. Isso ou qual das duas irmãs suas mães cozinhava melhor perna de porco preto, mas Casimiro estava inclinado para os parques, palpite levemente influenciado por o que lhe pareceu uma alusão a uma recente visita em família ao resort da Disney nos arredores de Paris. Foi então que sentiu que chegara o seu momento de agir e, aclarando a voz, permitiu-se intrometer de permeio na contenda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Casimiro nunca tivera oportunidade de ir à Bracalândia, pelo menos desde que se lembra de ser gente. No entanto, os pais, perante a sua insistência, quando petiz, em visitar o parque de diversões de Braga, sempre responderam que já lá havia ido uma vez e que era o bastante. Incapaz de recordar tal experiência, o Astro sempre se vira obrigado a acreditar na mãe quando esta afirmava ter, «já não sei onde», umas fotografias que o provavam. De modo óbvio para o pequeno Miro, tais souvenirs nunca apareceriam.&lt;br /&gt;Contudo, surgia agora a oportunidade, através da criação improvisada e fantasiosa de falsas memórias, de efectuar um irresistível "dois em um", ainda por cima razoavelmente seguro, dada a anunciada demolição, então para breve, d'&lt;i&gt;O Paraíso da Brincadeira&lt;/i&gt;: por um lado, via-se na possibilidade de exorcizar a frustração de nunca lá ter ido e manifestar, em voz alta, os sonhos que formara na sua cabeça sobre como seria quando esse dia finalmente chegasse; por outro, podia calar meia dúzia de &lt;i&gt;avecs&lt;/i&gt; irritantes, sublinhando as suas vidas insignificantes e elevando a reputação das infra-estruturas lusitanas.&lt;br /&gt;Por tudo isto, Casimiro sairia do Groove, nessa tarde, considerando-se um verdadeiro e inestimável patriota. Só a sua maneira de pensar era, na sua opinião, merecedora de honras por parte das mais elevadas patentes do Estado. Dois dias depois, travaria conhecimento com Sylvie, e tudo isso cairia por terra.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3761909316072644711-8276800183725283190?l=umgajoassim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umgajoassim.blogspot.com/feeds/8276800183725283190/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3761909316072644711&amp;postID=8276800183725283190&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/8276800183725283190'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/8276800183725283190'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umgajoassim.blogspot.com/2008/08/as-falsas-memrias-de-casimiro.html' title='As falsas memórias de Casimiro'/><author><name>Radical Sonic</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3761909316072644711.post-7538815396448206725</id><published>2008-08-04T00:00:00.001+01:00</published><updated>2008-08-13T10:40:57.310+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='José Pedro Assis'/><title type='text'>Entrada do diário de Casimiro</title><content type='html'>«23 de Dezembro de 2001&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dou por mim desesperado por sair do hipermercado. Como fui capaz de dizer sim quando a minha mãe me perguntou se podia ir com ela às compras?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aparentemente, o tormento está a chegar ao fim. Estamos na fila de um dos caixas. De repente, a minha mãe, como último pedido, pede-me um champô: "o que temos em casa está a acabar". Pensava eu que esta última tarefa seria facilmente ultrapassada e finalmente me livraria deste tormento. Muito me enganei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Procuro a secção dos champôs. Dou por mim rodeado por uma montanha de frascos e frasquinhos das mais diversas cores e feitios. Tento não entrar em pânico e procuro um que me pareça familiar... não estava lá. Para restringir a procura, limito-me a uma das marcas conhecidas, daquelas que ouço falar na TV. Será um &lt;i&gt;Fructis&lt;/i&gt;! À medida que me aproximo dos frascos verdes, sinto-me a encolher. Eu, que pensava tudo conhecer, sinto-me pequeno perante tanta variedade. Pensava eu que limitar-me a uma marca facilitar-me-ia a tarefa. Enganei-me novamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tento acalmar-me à medida que analiso os frascos. Será que um para cabelos longos e fortes é a melhor opção (afinal, o cabelo da minha prima, que veio passar connosco as férias de Natal, não é curto de todo e parece ser fortinho)? Levo antes um para cabelos finos (o meu não é assim tão grosso - o cabelo, claro)? Há também um para cabelos secos ou danificados (nunca entendi bem como fazem estas análises ao cabelo). Não serve. Continuando a procura, reparo no de cabelos oleosos e brilhantes - será que serve para o meu pai? Ao lado, encontro o ideal para a minha mãe: cabelos pintados. O anti-caspa não me parece uma boa opção. Nem olho para os 2 em 1 (champô e condicionador), para não enlouquecer. Só falta ver um, o que está em menor quantidade na prateleira... o normal. Leva-me isto a pensar que já muita gente se viu no mesmo dilema que eu. Vai este.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente chego à caixa. O tormento vai acabar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Ai chegas agora? Já está tudo pago... Vai lá pousar isso. Compramos champô para a próxima."»&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3761909316072644711-7538815396448206725?l=umgajoassim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umgajoassim.blogspot.com/feeds/7538815396448206725/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3761909316072644711&amp;postID=7538815396448206725&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/7538815396448206725'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/7538815396448206725'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umgajoassim.blogspot.com/2008/08/entrada-do-dirio-de-casimiro.html' title='Entrada do diário de Casimiro'/><author><name>L!NGU@$</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://img168.imageshack.us/img168/9800/629803163451127170cd3evy7.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3761909316072644711.post-8519612377516550580</id><published>2008-07-28T00:00:00.005+01:00</published><updated>2008-08-13T10:40:54.004+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Marta Amorim'/><title type='text'>As férias radicais de Casimiro</title><content type='html'>Tarde quente de Verão, os termómetros marcam uns dolorosos 38ºC e a brisa quente faz com que Casimiro comece a desesperar. «Não, assim não pode ser! Eu tenho de fazer alguma coisa para suportar este calor.» À primeira vista, dar uns mergulhos no mar revelava-se uma ideia brilhante, porém a areia quente e o excesso de alminhas que cobriam a praia não só com os seus corpos mas principalmente com as suas lancheiras fez com que o Astro eliminasse num ápice essa hipótese. Para além disso, ele - que na altura se encontrava na casa dos 22 - ambicionava fazer algo mais radical. No meio dos seus pensamentos, o Astro é interrompido por uma mensagem de Barnabé: «Miro, os meus tios de Vila Real convidaram-me a ir passar uma semana ao Pena Aventura Park. Não queres vir? Não me apetece aturar os cotas sozinho.» A mensagem até parecia um milagre. Casimiro sentiu-se tão radiante e empolgado que, na mesma hora, respondeu ao seu melhor amigo: «Quando é que vamos?»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Duas semanas depois, os dois encontravam-se num dos dez amplos &lt;i&gt;bungalows&lt;/i&gt; de madeira existentes no espaço. Embora aquela casa temporária estivesse reservada para quatro pessoas, os sintomas de gastroenterite que os tios de Barnabé apresentaram nessa manhã obrigaram a uma mudança de planos. Em sequência disso, Barnabé e Casimiro avistaram uma potencial semana de completa liberdade e repleta de adrenalina. Sendo que o primeiro dia estava destinado a conhecer o parque e a experimentar as proezas mais acessíveis, a manhã foi aproveitada para explorar as pontes de cordas suspenas entre torres e árvores, e a tarde para fazer um kart cross turístico. Certo é que a primeira actividade mostrou-se mais difícil e mais estimulante do que o suposto, pois os dois jovens não tinham conhecimento dos obstáculos suspensos que exigiram a ambos um acentuado esforço físico. Talvez fora isso que fizera com que, à tarde, as moto quatro ficassem aquém das expectativas e, rapidamente, fossem substituídas por um passeio pedestre no qual foi possível admirar algumas raparigas bem vistosas. Barnabé estava eufórico: «Esta vai ser a melhor semana da minha vida», pensou ele. Quem não podia admirar com a mesma minúcia era Casimiro, que estava aflito para mictar. Quando não conseguiu aguentar mais, o Astro foi a correr para trás de uma árvore e aliviou a tensão que sentia sobre a sua bexiga. Ao fundo, ouviu-se uma voz: «Ei, amigo, aqui não é sítio para se mijar. Se quiseres, vai ali ao café do Aires.» Casimiro, intimidado, não conseguiu expelir nem mais uma gota. Fechou a braguilha das calças e instintivamente virou-se para trás. Deu de caras com um rapaz que em tudo devia à beleza, apesar do seu ar simples e simpático.&lt;br /&gt;- Desculpa, mas quem és tu? - perguntou o Astro meio desconfiado.&lt;br /&gt;- Eu sou o Gaspar.&lt;br /&gt;- O que estás aqui a fazer?&lt;br /&gt;- Ia a caminho do café do Aires. Costumo trabalhar lá no Verão.&lt;br /&gt;Miro sentia-se envergonhado e, ao tentar explicar o sucedido, foi interpelado por aquele rapaz ligeiramente mais velho do que ele:&lt;br /&gt;- Não te preocupes. Não estou aqui para julgar ninguém. Bem, vou andando senão o Aires despede-me. Se quiseres, aparece lá no café logo à noite. Algumas das raparigas que estão aqui a trabalhar costumam ir até lá. Até logo.&lt;br /&gt;E, com um passo acelerado, lá se foi embora. Miro, estranhamente, tinha simpatizado com ele.&lt;br /&gt;- Bernas, - gritou Casimiro com um sorriso de orelha a orelha - já sei como é que te vou apresentar a mulher da tua vida!&lt;br /&gt;O dia prometia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eram precisamente vinte e duas horas e trinta e cinco minutos quando Barnabé começou a implicar com Casimiro, não só por ele não ter arrumado as suas tralhas, mas sobretudo por ainda não estar pronto para sair. A serenidade do amigo estava a causar-lhe uma profunda irritação, ao ponto de pensar duas vezes se devia deixá-lo ali sozinho ou esperar por ele. Barnabé estava desejoso por voltar a alegrar a vista e, se possível, estabelecer algum contacto com aquelas deusas. Dez minutos depois, o Astro sai da casa de banho todo charmoso, e Barnabé, sem perder tempo, empurra-o para fora do &lt;i&gt;bungalow&lt;/i&gt;. Finalmente, tinha chegado a hora de ir para o café. O percurso de 500 metros fez-se num abrir e fechar de olhos, tal era a vontade de chegar lá. Casimiro foi o primeiro a entrar, sentou-se perto da porta e procurou com o olhar o Gaspar. Lá estava ele, ao balcão, a preparar as bebidas para os clientes da casa, acompanhado por um senhor de meia idade que, presumivelmente, seria o dono do café. Barnabé entrou de seguida e sentou-se de frente para o amigo. Ainda não havia sinais de raparigas.&lt;br /&gt;- Boa noite. Vieste conhecer o café? - questionou Gaspar olhando para o Astro. - O que vão desejar?&lt;br /&gt;Antes que o Miro tivesse tempo para responder, Barnabé disse de sua justiça:&lt;br /&gt;- São duas cervejas. Ah! E eu vim por causa das raparigas. Onde é que elas estão?&lt;br /&gt;Nesse momento, Gaspar sorriu e acalmou-o, dizendo:&lt;br /&gt;- Devem chegar daqui a vinte minutos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conforme o que foi dito, vinte minutos depois apareceram seis belas raparigas, duas delas loiras, uma ruiva e as demais morenas. Sem dúvida que estas, ao contrário de Gaspar, tinham sido abençoadas pela mãe Natureza. Mas como falar com elas? A solução passaria pelo karaoke do café. Casimiro aventurou-se nestas andanças e animou toda a malta cantando efusivamente - e também um pouco desafinado - o famoso &lt;i&gt;I Will Survive&lt;/i&gt;. Ninguém, naquele espaço, conseguiu ficar sentado e gerou-se, então, uma festa improvisada que se estendeu pela noite dentro. No meio de tanta diversão, e com muito álcool à mistura, Barnabé conheceu a única ruiva do grupo: a Doroteia. Ela era uma das monitoras do Pena Aventura Park e mais velha do que Barnabé cinco anos. Desde cedo, houve uma inexplicável química entre eles, pelo que se tornou inevitável comunicarem todos os dias. O melhor amigo de Casimiro estava rendido à rapariga de cabelos vermelhos, não conseguindo passar um único dia que fosse sem a contemplar. Foi através dos múltiplos sorrisos de felicidade e suspiros apaixonados que Barnabé percebeu que ela seria o seu amor de Verão. Mas a vida não corria de um modo tão natural e alegre a toda a gente. Casimiro encontrava-se indeciso entre uma loira e uma morena e, em abono da verdade, nenhuma delas tinha conseguido despertar algo forte dentro de si. Em vez de fazer a sua escolha, o Astro deliberou que não devia nem lealdade nem fidelidade a nenhuma, tendo por isso ficado com as duas durante a sua estadia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim se passou uma semana igualmente preenchida por momentos radicais (&lt;i&gt;bungee&lt;/i&gt;-trampolins, &lt;i&gt;paintball&lt;/i&gt;, escalada, rapel, entre outros) e por períodos de puro lazer (caso das festas dadas pelos dois amigos na sua "casa", onde as meninas tinham de se mascarar consoante a temática da festa). Cada um dos dias lá passados tinha sido excepcional, mas o último antevia-se o mais especial e saudoso de todos. As primeiras horas do domingo foram aproveitadas para recuperar da noite anterior, em que o tema fora lingerie sexy. Nunca o Barnabé e o Astro tinham bebido tanto em conjunto como nessa ocasião. Ao almoço, como as suas cabeças ainda pesavam mais do que o restante corpo, eles satisfizeram as suas necessidades físicas com um enriquecedor banquete. Tempo depois, e após arrumarem por alto os sacos, os dois amigos mostravam-se nostálgicos. Para combater esse sentimento, combinaram que, num período de três horas, teriam de realizar a maior loucura das suas férias! Barnabé estava aflito, pois não lhe ocorria nada, ao contrário de Casimiro, que foi a correr para a vila. Determinado em criar uma obra de arte na sua pele, o Astro invadiu uma loja de tatuagens e proferiu o seu desejo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passado o tempo determinado, Barbané vê chegar o Astro ao parque. Notara que o efeito do álcool nele ainda não tinha passado por completo, uma vez que ele trazia uma felicidade diferente estampada no rosto.&lt;br /&gt;- Bernas, o que é que tu fizeste?&lt;br /&gt;- Err... Pois... Eu não fiz nada.&lt;br /&gt;- Então porquê? - perguntou admirado o Miro.&lt;br /&gt;- Estava nostálgico demais para cometer uma loucura. Simplesmente, não consegui lembrar-me de nada. Mas diz-me lá, o que é que tu fizeste?&lt;br /&gt;Nesse exacto momento, Casimiro levanta orgulhoso a manga direita da sua t-shirt amarela e exibe a sua nova tatuagem. Barnabé nem queria acreditar no que os seus olhos acabavam de ver. O seu amigo tinha tatuado as célebres palavras "amor de mãe" dentro de um coração.&lt;br /&gt;- Então, gostas? É porreira, não é?&lt;br /&gt;- Bem, - respondeu a medo o Barnabé - é diferente.&lt;br /&gt;E, com esta desgraça, Barnabé compreendeu que era hora de ir embora. Não queria que Casimiro viesse a lamentar-se de mais algum tresvario.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3761909316072644711-8519612377516550580?l=umgajoassim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umgajoassim.blogspot.com/feeds/8519612377516550580/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3761909316072644711&amp;postID=8519612377516550580&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/8519612377516550580'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/8519612377516550580'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umgajoassim.blogspot.com/2008/07/as-frias-radicais-de-casimiro.html' title='As férias radicais de Casimiro'/><author><name>Radical Sonic</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3761909316072644711.post-7417055681977880361</id><published>2008-07-21T00:00:00.003+01:00</published><updated>2008-07-22T01:13:16.771+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='José Pedro Assis'/><title type='text'>Casimiro dá um grande mergulho</title><content type='html'>Passavam poucos minutos das nove da manhã quando Barnabé irrompe pela tenda do Astro adentro. Em poucos segundos, consegue acordar o seu companheiro de aventura e pôr todo o espaço de pantanas. Ao contrário do que era normal, Casimiro não se chateou minimamente com a habilidade levada a cabo pelo seu amigo de infância. Estavam de férias há meia dúzia de dias e só queriam era «putas e vinho verde», como não se cansavam de afirmar. Já lá iam três dias desde que acamparam no pinhal junto à praia de Ofir e ainda nem sequer tinham visto o mar. Os dias eram passados a dormir e as noites passadas no Bib'Ofir, que ficava a poucos metros do local onde tinham assentado arraiais. No entanto, tinha ficado combinado, na noite anterior, enquanto ainda ambos se encontravam sóbrios, que o dia seguinte seria passado na praia. Esta mudança nos planos diários da dupla devia-se ao facto de o Astro ter ouvido dois miúdos a comentar os atributos da salva-vidas que se encontrava ao serviço naquela praia. Assim, depois de um pequeno-almoço engolido à pressa e de uma breve escovadela de dentes, lá se puseram a caminho do areal. O relógio marcava nove horas e trinta minutos no preciso momento em que Casimiro e Barnabé esticavam as toalhas ao lado de um casal de franceses que, aparentemente, se encontravam a dormir. Sem perder muito tempo, o Astro começou a observar tudo em seu redor com a esperança de ver a tal «loira de mamas grandes». Percebeu, uns bons quinze minutos depois de começar com a inspecção, que a rapariga que procurava não se encontrava dentro do seu campo de visão. Como era seu hábito desde pequeno, decidiu não desistir em tão pouco tempo e com tão pouco esforço. Deixou o seu amigo a ler um dos muitos almanaques do Tio Patinhas com que andava sempre e dirigiu-se a uma das pontas da praia com o intuito de descobrir o seu alvo de Verão. Ainda não tinha visto a rapariga, mas, pela maneira como ouvira falar dela, tinha decidido que aquele naco não lhe poderia escapar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de meia hora a andar para a frente e para trás numa área de pouco mais de três quilómetros quadrados, o Astro começou a desanimar. Passou a acreditar que os miúdos da noite anterior se encontravam numa outra praia da região. «Raio dos putos, devem estar para Esposende ou para a Apúlia. Só me fodem. Ando para aqui todo tolo e o naco nem cá está», pensou, desiludindo-se cada vez mais. Ao mesmo tempo que lhe passava isto pela cabeça, começou a reparar que ainda não tinha visto nenhum nadador-salvador pela praia. Olhou para o local onde a bandeira deveria estar hasteada e percebeu que a sua nova amiga ainda não podia estar no local. Ainda nenhum pedaço de tecido se encontrava agarrado ao mastro plantado na areia para informar os banhistas sobre o estado do mar. Voltou à toalha e por lá se deixou ficar enquanto esperava que a rapariga entrasse ao serviço. Não tardou a adormecer. Ao contrario de Barnabé, só tinha chegado à tenda por volta das seis da manhã. Tendo dormido apenas três horas, não era nada estranho que estivesse a passar pelas brasas. Durante um tempo que lhe pareceram horas, sonhou que conhecia a Pamela Andreson e que se divertia à grande com ela num quarto que sentia ser seu, mas que nada tinha a ver com o quarto que tinha na casa dos pais, muito menos tinha a ver com o minúsculo quarto de residência que dividia na faculdade. Disse mal da sua vida quando foi acordado pelo amigo.&lt;br /&gt;- Pá, estava a sonhar com a loira. Ela é tão boa.&lt;br /&gt;- Como é que estavas a sonhar com uma gaja que ainda não conheces? Olha mas é ali para a frente. A tua amiga deve ser aquela que está a hastear a bandeira amarela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Realmente, a rapariga tinha um corpo de sonho. O Astro ficou, de boca aberta, a observar aquele pedaço de carne vestido por um fato de banho vermelho uns bons dez minutos. Sem fazer a mínima ideia de como abordar aquele monumento, foi-se aproximando dela. Quando se encontrava a menos de dois metros do alvo, uma ideia brilhante surgiu na cabeça de Casimiro. Pouco tempo depois, lá estava ele a nadar na direcção contrária à da costa com o intuito de vir a ser salvo por aquela deusa. Os seus dotes de nadador eram sobejamente conhecidos entre os seus colegas. Toda a gente lá da terra sabia que não se podia competir com o Astro dentro de água. Não seria difícil para ele simular dificuldades no mar. Infelizmente, Casimiro não contou que o seu corpo lhe falhasse naquele momento. Uma cãibra na perna direita seguida de outra na perna esquerda impediram-no de se aguentar à tona durante muito tempo. Aquilo era fruto da vida que andava a levar nos últimos dias. Noites mal dormidas, refeições saltadas e algumas mal tomadas só podiam dar naquilo. A ideia do Astro passou rapidamente de uma farsa para um real possível afogamento. Sem ter como lutar, Casimiro foi percebendo que cada vez eram menos e de menor duração as suas vindas à tona. Não ia aguentar muito tempo aquilo. Não conseguia perceber se alguém se estava a aperceber do que lhe estava a acontecer. Como ele queria não ter ouvido falar daquela maldita mulher, mas como queria também que ela o agarrasse naquele momento e o levasse para terra firme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um monte de gente observava o corpo inanimado do Astro. A pessoa que mais sofria com aquela situação era o seu companheiro de há muitos anos. Barnabé não queria acreditar que as massagens cardíacas e a respiração boca-a-boca não surtiam efeito. O que tinha passado pela cabeça do seu amigo para fazer uma daquelas? Os segundos pareciam horas e não havia maneira do corpo inerte de Casimiro dar sinais de vida. Era desesperante não poder fazer nada. Barnabé só queria estar no lugar do seu quase irmão. Estava visivelmente transtornado. Não conseguiu conter a lágrima que lutava para se soltar do seu olho. Depois dessa, desistiu de segurar todas as que a quiseram seguir. Estava agora a perder líquidos a uma velocidade acima do normal para si. Lágrimas e suor abundante saíam do seu corpo sem vacilar. «Acorda, mano, acorda», gritava no seu íntimo. «Eu não volto a deixar-te andar sozinho nesses teus filmes», reforçou, como se fosse culpado do que ali se passava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto tudo aquilo se passava, Casimiro sentia-se extremamente bem. Sentia-se leve, sem preocupações. Sentia-se calmo, relaxado. Sentia-se a ser beijado por uns lábios carnudos e de um sabor incrível. Sentia-se a ser massajado por umas mão suaves e bastante habilidosas. Não queria sair dali. Estava tão bem. Estava como queria. Estava como toda a gente devia querer estar. Mas, de repente, sentiu-se tossir. Sentiu-se acordar de um sono para o qual não se lembrava de ter adormecido. Abriu os olhos lentamente e viu sobre si um homem feio e peludo que se encontrava na casa dos quarenta. Extremamente confuso, ouviu o indivíduo vestido com os calções do ISN dizer: «Foste o gajo que mais tempo me demorou a vir a si. Estava a ver que te perdia. Até tenho os maxilares doridos, pá.»&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3761909316072644711-7417055681977880361?l=umgajoassim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umgajoassim.blogspot.com/feeds/7417055681977880361/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3761909316072644711&amp;postID=7417055681977880361&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/7417055681977880361'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/7417055681977880361'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umgajoassim.blogspot.com/2008/07/casimiro-d-um-grande-mergulho.html' title='Casimiro dá um grande mergulho'/><author><name>L!NGU@$</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://img168.imageshack.us/img168/9800/629803163451127170cd3evy7.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3761909316072644711.post-4427675623184241965</id><published>2008-07-14T00:00:00.004+01:00</published><updated>2008-07-14T00:43:55.152+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ana Maria Cardoso'/><title type='text'>Casimiro na casa dos sete</title><content type='html'>Corria o ano de 1990.&lt;br /&gt;«Acorda, Miro! Já são horas...», assim era acordado o nosso herói em mais um daqueles domingos de que ele tão pouco gostava.&lt;br /&gt;Há já algumas semanas que os seus pais tinham prometido uma visita semanal à terrinha, local onde os seus avós nasceram e onde, até aos dias de hoje, moravam. Por conveniência e a pedido do Mirinho, já que aquele era o dia em que era obrigado a passear com os pais, o domingo foi escolhido para aquelas visitas. «Pelo menos sempre posso ter a sorte de encontrar a boa da minha prima Clara por lá e descansar um bocadinho a vista», pensou, animado, e aliviado, visualizando uma solução agradável para aquela péssima sorte.&lt;br /&gt;Porém, o tiro saiu-lhe pela culatra. Seis semanas de viagens até à terrinha dos seus avós já lá iam e o máximo que ele conseguiu foi uma linda cárie num dos seus dois primeiros dentes molares, tantos eram os doces que a sua querida avó lhe oferecia às escondidas. Com isto, e depois de uma dolorosa ida ao dentista, o nosso amigo Astro começou a odiar aquelas saídas domingueiras.&lt;br /&gt;E foi assim, com este espírito, que lá seguiu viagem com os seus pais, para mais uma daquelas tardes. Amuado, e sem vontade de sair do carro sequer, foi com grande surpresa que se apercebeu de que, naquele dia, mais alguém havia decidido visitar os seus queridos avós. Curioso, espreitou para todos os cantos quando entrou na cozinha, lugar onde sempre eram recebidos pelos velhotes, mas não viu ninguém. Sentou-se, uma vez mais desanimado, a comer amendoins quando, entre conversas e risadas, ouviu a avó dizer: &lt;br /&gt;- A Clarinha está lá dentro no meu quarto. A dormir... Vinha com uma grande dor de cabeça, 'tadinha.&lt;br /&gt;Casimiro quase caiu da cadeira onde se encontrava. Sentiu que, se olhassem, veriam o coração aos pulos no seu peito. Um milhão de ideias atulharam-lhe a cabeça. Tinha que fazer alguma coisa, não podia continuar ali:&lt;br /&gt;- Vou à casa de banho. - atirou-lhes saltando dali para fora. &lt;br /&gt;Não tinha dúvidas do que queria fazer. Sorrateiramente, conduziu o seu corpo até ao quarto da avó. Preparava-se para espreitar pela fechadura quando a porta se abriu de rompante:&lt;br /&gt;- Mirinho! Tu por aqui? - era Clara. Alta, de cabelos pretos e uns grandes olhos azuis, vestia um &lt;i&gt;cai-cai&lt;/i&gt; branco que lhe deixava as coxas à mostra. «Meu Deus, como ela é boa!», delirava o Astro.&lt;br /&gt;- Ahm. Ahm. Sim, vim visitar os... - mas não pôde terminar a explicação pois Clara tinha-se atirado a ele e, agarrando-o pelo colarinho, arrastou-o até à cama da avó Casimira e do avô Raúl.&lt;br /&gt;- Miro, sabes do que é que uma mulher gosta? &lt;br /&gt;O Astro nem queria acreditar no que estava a acontecer. A sua prima mais velha, no auge dos seus 15 anos, e também a mais boa estava a «pedir-lhe peso». A ele! &lt;br /&gt;Nem contestou. Desde que ouvira o nome da prima na cozinha que sentira as calças apertar-lhe.&lt;br /&gt;Minutos mais tarde...&lt;br /&gt;- Ainda tens muito que crescer, Mirinho. - riu-se Clara fazendo um gesto com a mão enquanto saia do quarto.&lt;br /&gt;Aquela frase destroçou-o. Desiludido e cansado, sentia que ia ficar a qualquer momento com cãibras nas pernas, tal tinha sido o esforço. Para ele tinha sido tão bom. E ela fez com que ele se sentisse envergonhado e frustrado, com vontade de esquecer o que tinha acabado de acontecer.&lt;br /&gt;A leste de tudo, vagueou até à adega do seu avô e bebeu todas as garrafas de vinho tinto ao alcance do seu braço. Casimiro iniciou assim a sua vida no mundo do álcool. Tomou o gosto pela bebida.&lt;br /&gt;Tinha 7 anos...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3761909316072644711-4427675623184241965?l=umgajoassim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umgajoassim.blogspot.com/feeds/4427675623184241965/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3761909316072644711&amp;postID=4427675623184241965&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/4427675623184241965'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/4427675623184241965'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umgajoassim.blogspot.com/2008/07/casimiro-na-casa-dos-sete.html' title='Casimiro na casa dos sete'/><author><name>Radical Sonic</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3761909316072644711.post-4124556002697845535</id><published>2008-07-07T00:00:00.002+01:00</published><updated>2008-07-14T00:16:47.812+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fábio Vieira Fernandes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='José Pedro Assis'/><title type='text'>Casimiro no Euro 2008: Rumo à final (Parte II)</title><content type='html'>«Ca puta de dor de cabeça!», protestou Casimiro de si para consigo, ainda antes de ser capaz de abrir os olhos. A quinta-feira amanhecera soalheira em Basileia, e os primeiros raios de sol do dia acertavam-lhe com toda a força na cara. Mesmo sem conseguir localizar-se geograficamente, o Astro fez um esforço - megalómano, sublinhe-se - e levantou-se. Zonzo, apoiou-se à pedra fria que encontrou a seu lado para evitar cair perante a insistência dos seus joelhos em não suportarem o peso do restante corpo àquela hora. Ficando, a pouco e pouco, mais desperto, logo o Astro se sentiu à beira de um colapso quando os seus olhos piscantes assimilaram o cenário em seu redor: acordara novamente à porta de uma igreja. Tratou de separar rapidamente a mão da parede e afastar-se, só então descobrindo que não estava sozinho ali. Agora que pensava nisso, permanecia na sua cabeça uma vaga memória de ter ouvido uma voz enquanto dormia. Por outro lado, tal voz, grossa e possante, não podia, de forma alguma, ser proveniente das cordas vocais daquele espécime que, do alto do seu aparente metro e oitenta, o mirava. Com um misto de fascínio devido à beleza emanada pela rapariga à sua frente e pânico originado por aquele inquietante &lt;i&gt;déjà vu&lt;/i&gt;, foi apenas capaz de lançar, num murmúrio embargado:&lt;br /&gt;- Eu propus-te em casamento, não propus?&lt;br /&gt;- Pardon?&lt;br /&gt;Embora aliviado, Casimiro não deixou de pensar no quão a sua noção da realidade tinha de ficar completamente distorcida quando se encontrava ébrio para se ter atirado a uma avantesma como Sophie e não se ter feito ao piso de uma obra-prima como...&lt;br /&gt;- Errr... Comment tu t'appeles? - arriscou o Astro, com uma pronúncia notoriamente destreinada.&lt;br /&gt;- Mélanie - limitou-se a rapariga a responder, ao mesmo tempo que a sua face mudava, instantaneamente, para um rosa vivo. Perante a atrapalhação dela - que já era por demais evidente mesmo antes de, após um largo momento de indisfarçável hesitação, ela avançar com os seus lábios até uma das suas bochechas -, o Astro viu-se numa posição assaz desconfortável e que apenas contribuiu para a sua incapacidade de reacção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As coisas, contudo, fluiriam com uma naturalidade inacreditável, sobretudo tendo em conta a barreira linguística entre ambos. Sem terem trocado mais uma palavra que fosse, Casimiro e Mélanie caminharam, lado a lado, pelas ruas de Basileia durante todo o dia, parando apenas numa casa de sandes para um almoço tardio. O Astro estava maravilhado com os locais que estava a conhecer, mas nada que se comparasse aos estímulos emocionais provocados por aquela estranhíssima, porém óptima, situação. Não compreendia o que raio se estava a passar, mas estava a gostar. Inclusivamente, deu por si, a certa altura, a pensar que, mais tarde ou mais cedo, teria de se separar da bela jovem que o fizera esquecer-se de assistir à disputa por um lugar na final do Euro 2008 entre a Espanha e a Itália. Dada a aproximação a passos largos da noite, tal seria inevitável, só que a ideia de a deixar de ter ao pé de si não lhe agradava minimamente. Mais do mais, voltaria a ficar abandonado e confrontado com o problema que andava a tentar evitar há praticamente vinte e quatro horas: o que iria ele fazer da sua vida e como voltaria para Portugal? No entanto, Mélanie continuou a andar incessantemente, sempre no seu passo elegante e jovial, pelo que Casimiro, deleitado, não se fez de rogado em acompanhá-la. Passaram horas desde que se haviam sentado novamente numa esplanada até a suíça se deter, sob o luar, junto a um miradouro com uma vista simplesmente fabulosa. Por uma fracção ínfima de segundo, remeteu um olhar intenso e penetrante para Casimiro e, depois, deixou-se cair num banco de jardim. O Astro, cada vez mais arrebatado, fez o mesmo, ao que ela respondeu encostando a cabeça ao seu ombro. Adormeceu. Angustiado por não saber como lidar com aquela situação que lhe era inédita, Casimiro fez por dormitar também, embora o desconforto da posição e o esforço empreitado no sentido de não acordar Mélanie tenham dificultado imenso essa sua tentativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Despertava novamente com a luz do dia a queimar-lhe as pálpebras, mas, desta vez, a cabeça não latejava e lembrava-se perfeitamente de onde se havia acostado para aquela restauradora sesta nocturna. Não obstante, algo faltava ali: Mélanie deixara de estar ao seu lado. Um dia na sua companhia permanente fora o bastante para a sua ausência se revelar assaz dolorosa. Olhou, por entre os dedos da mão que colocou à frente da cara, para o sol. Estava alto, pelo que Casimiro depreendeu ser já hora do almoço. Completamente desolado, pôs-se de pé com o seu organismo a ordenar-lhe uma viagem directa a um café. Se a sua bexiga parecia estar prestes a rebentar, já o estômago se ressentia da falta de qualquer conteúdo para digerir. Quando, já aliviado, se sentou a uma mesa da agradável pastelaria onde, no dia anterior, estivera com a rapariga helvética de quem nada conhecia senão o nome, o delicioso cheiro que pairava naquele estabelecimento fê-lo encher-se de uma esperança &lt;i&gt;naïf&lt;/i&gt; de que ela pudesse lá voltar. Lembrou-se, então, de deitar as mãos aos bolsos, e em boa hora o fez. De lá, nada saiu além da sua carteira de documentos, do telemóvel com a bateria descarregada há semanas e do bilhete para o jogo de domingo que lhe fora dado pela federação turca. Nem um tostão furado lhe restava. Abandonou o café ainda com a sua barriga a dar horas, pensando que, talvez, o melhor fosse tentar vender aquele ingresso. Precisava de sobreviver e, de qualquer forma, não tinha forma de fazer os quilómetros todos de regresso à capital austríaca.&lt;br /&gt;Atravessou a rua e sentou-se na calçada, observando as pessoas que percorriam aquela via livre de trânsito. Não sabia o que fazer. À falta de melhor alternativa, deixou-se ficar por ali encostado, tentando desesperadamente, mas sem sucesso, arranjar uma solução para o seu berbicacho. O melhor que lhe ocorreu antes de concluir que, além de vender o bilhete para a final, teria de arranjar um trabalho qualquer que lhe permitisse juntar rapidamente o suficiente para regressar a Portugal foi pedir a alguém que o deixasse ligar para o seu pai a pedir ajuda - ideia que pôs imediatamente de lado, por saber qual seria a sua reacção quando tomasse conhecimento de que o filho ficara na Suíça, ainda por cima sozinho. O Astro encontrava-se imerso nestes pensamentos quando teve de novo &lt;i&gt;a&lt;/i&gt; visão: Mélanie corria, com ar afogueado, em direcção à pastelaria de onde continuava a brotar o saboroso aroma a bolos que fazia crescer cada vez mais água na boca em jejum de Casimiro. Num rompante, levantou-se e gritou-lhe, fazendo-a estacar. Era a terceira vez que lhe dirigia a palavra, mas a rapariga pareceu ter reconhecido logo a voz do Astro, a julgar pelo sorriso que ostentava quando se virou na direcção de quem a chamava. Fazendo um desvio no seu trajecto sem abrandar o ritmo, saltou para os braços dele, num cumprimento entusiástico que culminou em três beijos. «Se calhar, afinal ela é &lt;i&gt;avec&lt;/i&gt;...», conjecturou Casimiro, cujo coração palpitava freneticamente. Num ápice, Mélanie retirou da sua &lt;i&gt;pochette&lt;/i&gt; um molho de notas e, visivelmente feliz, puxou o Astro por um braço e arrastou-o para o restaurante que ficava mesmo por cima da pastelaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pôr-do-sol fora simplesmente mágico. Casimiro ainda se encontrava ligeiramente abalado da farta refeição a que tivera direito ao almoço e já a escuridão os havia inundado há largos minutos. Apenas conseguia distinguir não mais que as linhas do rosto de Mélanie quando passava um automóvel numa estrada próxima do local pouco movimentado por onde passeavam.&lt;br /&gt;Voltara a estar o dia todo na companhia daquela fascinante rapariga. Mais uma vez, caminharam ininterruptamente e sem abrirem a boca. A única excepção foi uma chamada que ela recebeu ao cair da noite e que a fez afastar-se um pouco para atender. Quando regressou, dava a sensação de ter ficado ligeiramente afectada com o telefonema, apesar de estar claramante a tentar disfarçá-lo. O Astro fingiu não reparar, e, assim, continuaram em silêncio por mais um bocado. A dado momento, ele deu por si irresistivelmente tentado a dar-lhe a mão. Nem ele acreditaria se lhe contassem que tivera tal vacilação. No entanto, sem ter tido tempo para agir, viu Mélanie olhar para o relógio com um sufoco abafado e espetar-lhe mais um beijo na cara antes de se afastar gesticulando de um modo que transmitia um óbvio pedido de desculpas. Aonde quer que tivesse de ir com tanta lufa-lufa, não havia dúvidas de que o fazia sem a mínima vontade, pelo que o Astro decidiu não parar e continuar a andar na direcção em que ela desaparecera. Pareceu-lhe que, um pedaço mais à frente, ela - ou alguém que, por coincidência, também por ali andava àquela hora - entrava num carro que rapidamente arrancou, abandonando-o num silêncio apenas entrecortado pelo piar de um mocho. Optou por alapar-se ali mesmo, à beira da estrada. Ela haveria de voltar e, assim como assim, ele não tinha quaisquer outros planos na agenda.&lt;br /&gt;À medida que o tempo passava, Casimiro começou, sem deixar de sentir um certo temor simultaneamente pela e apesar da sua posição extremamente fragilizada, a aperceber-se de movimentos bastante suspeitos naquela zona. «Mas que porra... Querem ver que me vim meter no Intendente?» De facto, as relativamente frequentes entradas de raparigas em vários automóveis, juntamente com as que ali saíam de outros tantos veículos, tornavam evidente que aquele não seria propriamente o local mais adequado para alguém dar uma volta com os filhos. De repente, com uma chiadeira ensurdecedora, um Mini Cooper cuja cor o Astro não foi capaz de identificar fez uma travagem brusca mesmo à sua frente, apanhando-o desprevenido. Num rompante, uma figura feminina alta e esbelta («É ela!») fez-se sair do lugar do morto imersa num notório pranto, certificando-se de que batia a porta do carro com uma força exageradamente desnecessária. Ao ter a sua face iluminada pelos faróis do carro, revelou, apesar da sua igualmente inegável beleza, não se tratar de Mélanie. Essa, contudo, sairia logo de seguida por uma das portas traseiras do Mini, mas, ao contrário da primeira rapariga, aparentava uma calma impassível e não mostrava quaisquer sinais de desespero. Quando a viatura se afastou, Casimiro pôde reparar que Mélanie guardou algo no bolso antes de se abeirar da amiga para a reconfortar. Aconchegando-a contra si, olhou para os dois lados da estrada e ambas a começaram a atravessar. Foi então que ela reparou em quem as observava, denunciado, no mesmo instante, uma imprevisível atrapalhação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confuso. À falta de melhor adjectivo, foi assim que Casimiro se sentiu enquanto Mélanie o guiou, sem lhe dizer nada, até onde se encontrava. Também ele se mantivera sem falar, mas isso acontecera apenas porque nem em português fora capaz de articular uma única palavra. Ela não podia ser uma... (Ou podia?) Estava agora deitado, a ver os primeiros raios de sol a transpor os velhos estores da janela, com a suíça deitada sobre o seu peito. A outra rapariga também ali estivera, deitada na cama ao lado, mas saíra pouco depois de Mélanie adormecer, talvez devido à mensagem escrita que então recebera. Permanecia sem conseguir pregar olho. Que raio de sítio era aquele? Tinha ar de se tratar de uma pensão, mas o Astro não avistara nenhuma recepção ao lá entrar, horas antes... Bem assim, o que mais o transtornou foram as nódoas negras e outras marcas feias que, fingindo dormir, conseguiu distinguir no curvílineo corpo da amiga de Mélanie quando ela trocou de roupa antes de abandonar o quarto. Não aguentando mais tamanha inquietação, decidiu-se a levantar cautelosamente a camisola da bela adormecida que o abraçava, fazendo todos os possíveis para não a acordar. Na pequena porção de pele que conseguiu destapar, não avistou qualquer mácula. «Menos mau», murmurou para si mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«GOOOOOOOOOOOOOOL!» Um impressionante urro espanhol ecoou por todo o estádio assim que a bola rematada por Fernando Torres ultrapassou a linha de golo da baliza defendida por Lehmann, aos 33 minutos de jogo. E Casimiro marcava presença, nas bancadas, a assistir compenetradamente a tudo. Mesmo sem saber que equipa desejava mais ardentemente que perdesse, era impossível não se deixar impressionar pela magnitude do espectáculo que uma final de um Campeonato da Europa constitui. Um Campeonato da Europa do qual ele tinha feito parte, ainda por cima. Há quatro semanas que andava perdido entre a Suíça e a Áustria, ao sabor da sorte e do azar, e, por muitas que fossem as vezes que se sentira no fio da navalha, todas elas eram obliteradas pelas oportunidades inacreditáveis que haviam surgido no seu percurso errante. Além de que tinha a certeza de que, assim que voltasse a Portugal e contasse as suas desventuras aos seus amigos, no Groove, ainda se iria rir de episódios como o da estadia em casa dos Carreira e o subsequente suposto noivado com Sophie.&lt;br /&gt;Apesar de o simples facto de ser uma das 51428 almas privilegiadas que estiveram lá se ter tratado da concretização de um sonho ao qual fora dada permissão para nascer assim que o bilhete para aquela partida lhe caiu nas mãos, é com um aperto no peito que ainda hoje Casimiro se recorda de como conseguiu fazer a viagem até Viena. Bem assim, insiste em relembrar Mélanie pelos momentos mágicos que viveram juntos e por tudo o que ela fez por si e não pela maneira como ela arranjou o dinheiro que permitiu que, naquele dia, ele tenha estado no Ernst Happel Stadion com um bilhete de avião para Lisboa no bolso. Embora tudo estivesse, aparentemente, encaminhado para correr bem, o Astro não conseguia sentir-se ainda tranquilo: fazia parte da sua sina que aquela aventura ainda tivesse mais cartadas para dar. Já nem ele concebia que as coisas corressem de outra maneira, pelo que, no que dependesse de si, aquele não seria, de forma alguma, um conto com final feliz e bonitinho, à laia de fábula. E foi desse modo que o Astro conseguiu boleia da polícia até ao aeroporto, depois da sua tentativa falhada de invasão de campo para, todo nu, dar um cachaço a Schweinsteiger, aos 89 minutos da final do Euro 2008.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3761909316072644711-4124556002697845535?l=umgajoassim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umgajoassim.blogspot.com/feeds/4124556002697845535/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3761909316072644711&amp;postID=4124556002697845535&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/4124556002697845535'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/4124556002697845535'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umgajoassim.blogspot.com/2008/07/casimiro-no-euro-2008-rumo-final-parte.html' title='Casimiro no Euro 2008: Rumo à final (Parte II)'/><author><name>Radical Sonic</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3761909316072644711.post-1838686483985464270</id><published>2008-06-30T00:00:00.009+01:00</published><updated>2008-07-13T23:51:32.341+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fábio Vieira Fernandes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='José Pedro Assis'/><title type='text'>Casimiro no Euro 2008: Rumo à final (Parte I)</title><content type='html'>«We have a few days yet till the semifinals, kid. You just gotta have some lessons on tactics and get used to the schemes and the moves we practice during the trainings, and you can make it. You already proved you don't handle the ball that bad.» O Astro ouvia estas palavras que lhe eram dirigidas com ar incrédulo. O seu emissor era um homem de meia-idade de tez morena e bigode farto com cara de poucos amigos. Pelo que percebera, tratava-se de não menos que um tradutor que o seleccionador turco chamara propositadamente para lhe transmitir os seus planos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois do inacreditável episódio do jogo frente à Croácia, Casimiro, embora ainda maravilhado por ter conseguido enganar meio mundo ao ser titular numa partida de um Campeonato da Europa de Futebol, considerara a sensata hipótese de passar-se ao fresco antes que lhe descobrissem a careca e o imolassem. Contudo, as coisas começaram a dar para o torto ainda antes de conseguir abandonar o estádio. Graças a mais uma inacreditável vitória da selecção do quarto crescente e da estrela, os jogadores turcos acorreram ao balneário num estado de absoluta euforia e, entrando, logo repararam que já lá se encontrava um &lt;i&gt;deles&lt;/i&gt;, vestido e a acabar de arrumar as suas coisas. Decidiram falar-lhe. Afinal, por muito grave que fosse o que quer que se tivesse passado com ele ou alguém próximo, aquele era um momento de celebração e união do grupo. Foi assim, ao prestarem uma maior atenção àquela cara ocidental e, sobretudo, ao seu silêncio e expressão de quem não estava a perceber nada do que lhe era dito, que repararam que a pessoa defronte deles não era quem até então julgavam ser. Enquanto tentava, com a cabeça a fervilhar, magicar uma maneira de se safar daquela embrulhada, Casimiro viu um dos jogadores sair do balneário a uma velocidade bastante superior à que imprimira a qualquer uma das jogadas de que fizera parte durante o encontro terminado minutos antes. Tudo parecia, agora, decorrer a um ritmo vertiginoso. Tão depressa se deparou com um ambiente de cortar à faca, com um silêncio constrangedor a pairar entre si e os restantes elementos da equipa que, imóveis, o fitavam, como, no instante seguinte, o Astro viu o seu "colega" reentrar naquela divisão, que parecia cada vez mais pequena. A segui-lo, vinha Fatih Terim. Claramente possesso, mal conseguiu que o seu braço estivesse ao alcance da cabeça do homem que o enganara, o treinador presenteou-o com um cachaço à moda antiga. Preparava-se para não deixar tal mimo morrer solteiro quando, sem aviso prévio, um dos seus adjuntos entrou também no balneário, gritando qualquer coisa em «língua de cão», como o Astro havia já designado todo aquele palavreado. Parecia animado, mas a sua alegria foi esmorecendo rapidamente à medida que se ia apercebendo de que algo muito errado se passava. Depois de um breve diálogo com um dos atletas a seu lado, lá terá ficado a saber o quê exactamente. Com um enorme sangue frio, despachou-se a retirar um telemóvel do bolso do casaco. Os acontecimentos subsequentes passariam, ainda mais, ao lado de um, apesar de tudo, bastante desperto Casimiro: durante o telefonema, o treinador-adjunto ficara a saber que houvera uma qualquer falha de comunicação no seio da comitiva do seu país, pois o jogador que todos pensavam que o Astro era regressara à Turquia para resolver os problemas pessoais que o assolavam; posto isso, uma rápida conversa entre os dois técnicos levou-os a abandonarem o compartimento onde toda a gente se aglutinara, permanecendo os restantes ali presentes sem mexer um músculo, sem soltar uma palavra. Pareciam aguardar o regresso dos dois homens que acabavam de sair. De facto, assim era: cerca de meia hora volvida, ambos reapareciam, acompanhados por um terceiro elemento, e o Astro ouvia, finalmente, uma língua conhecida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de lhe ser transmitida, em inglês, a proposta para manter a farsa perante o resto do mundo e jogar novamente pela selecção otomana, dado esta ter apenas doze jogadores disponíveis para a meia-final, Casimiro limitou-se a responder com um embasbacado «Sure!»&lt;br /&gt;Os dias seguintes revelar-se-iam, de longe, os melhores passados no país do chocolate e dos relógios. O Astro abandonara o Ernst Happel Stadion, em Viena, e voltara para Genebra juntamente com os restantes jogadores turcos, no autocarro da equipa que, no primeiro dia de competição, concedera um golo a Pepe e outro a Raúl Meireles. Agora, a sua vida era passada entre os luxos do La Réserve e uns toques na bola. «Mal eu imaginava que, um dia, tornar-se-ia, de alguma forma, realidade», pensou, ao recordar-se do sonho de criança de se tornar um futebolista famoso. A comunicação social era a sua única preocupação no estágio. No entanto, num dos últimos treinos antes do jogo de quarta-feira, que se aproximava a passos largos, conseguiu uma proeza que, achando-a digna de primeira página em qualquer jornal do mundo, acabou por constituir o único momento em que lamentou realmente não  poder estar rodeado de jornalistas. Infelizmente para si, o treino em que fez um "túnel" a Hamit Altıntop, foi, como todos os outros em que participou com o restante plantel, realizado à porta fechada. Naquele instante, nada lhe ocorreu que lhe pudesse dar mais prazer do que se descobrir que ele, um completo estranho, enfiara a bola por entre as pernas do que considerava ser o melhor elemento do sector defensivo daquela equipa de topo e da qual agora fazia parte. Acabaria por cair em si, contudo, assim que, escassos segundos depois, sentiu a entrada a pés juntos feita pelo defesa do Bayern de Munique. Entrada essa que surgiu porque Casimiro já gargalhava a bom gargalhar, sonhando com manchetes e fotografias de capa, enquanto se dirigia, indolentemente e sem grande vontade de terminar a jogada, em direcção à baliza onde se encontrava Rüştü. Como se não bastasse, não se safaria daquela sem levar ainda um valente calduço e ouvir meia dúzia de impropérios libertados pelo lateral-direito titular da &lt;i&gt;sua&lt;/i&gt; selecção. Apesar das dores resultantes, não se arrependeu minimamente de ter feito o que, na sua cabeça, por momentos se afigurou como «a melhor história que vou ter para contar aos meus netos».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«O tempo passa a voar enquanto fazemos algo que nos diverte.» Dando por si no St. Jakob-Park, em Basileia, o Astro recordou esta frase, tantas vezes dita pela sua falecida mãe. Curiosamente, era aquele o seu suposto destino quando partiu de Portugal, cerca de três semanas e meia antes, diferindo, porém, no local exacto dentro do estádio: agora, Casimiro não possuía bilhete para uma das bancadas, mas sim entrada directa para os balneários. Foi lá que se sentou, a reflectir em tudo o que de extraordinário lhe estava a acontecer, quando faltavam poucos minutos para o grande embate das meias-finais contra a selecção germânica. Chegava, finalmente, a hora em que poderia experimentar o belo sabor da vingança. Com algumas horas de antecedência, soubera que, desta feita, não seria titular - o seleccionador turco comunicara ao plantel, na palestra levada a cabo ainda na unidade hoteleira onde haviam ficado hospedados na noite anterior, que a saída do Astro do onze seria uma das muitas alterações previstas para o jogo daquela noite. Não obstante, Casimiro acreditava piamente que aqueles seus novos colegas iriam vingar a derrota sofrida pela selecção das quinas precisamente no dia em que, embora por engano, fora por eles acolhido (não conseguindo deixar de pensar no quão irónica seria a sua posição naquele momento, caso a selecção portuguesa tivesse apresentado um guarda-redes no último jogo que disputara), e ele estaria no banco de suplentes a dar-lhes todo o apoio que fosse possível.&lt;br /&gt;Infelizmente, esse apoio revelar-se-ia insuficiente. A selecção que representava saiu derrotada daquela partida, originando no Astro um enorme sentimento de injustiça. Afinal, os seus colegas tinham jogado melhor do que os alemães e eram bem mais merecedores de seguir em frente na competição. «Estávamos quase sem uma dúzia de gajos, mostrámos um futebol muito melhor, e estes nazis é que vão à final? Foda-se!», gritou para todos e ao mesmo tempo para ninguém enquanto se dirigia de volta ao balneário.&lt;br /&gt;Sem real necessidade de o fazer, meteu-se debaixo de um dos chuveiros e por lá permaneceu durante mais de uma dezena de minutos. Tentou imaginar como seria a sua vida dali em diante, mas a verdade é que não fazia sequer ideia de como e quando voltaria para casa. E o pior é que, depois de nova desilusão futebolística, sentia-se mais deslocado que nunca. Quando, por fim, ficou pronto para zarpar em direcção ao hotel com os restantes companheiros, dirigiu-se para o confortável autocarro encarnado. Foi nesse momento que o capitão de equipa se abeirou dele, acompanhado pelo tradutor que Casimiro já conhecia. Sem grandes rodeios, foi-lhe comunicado  que a sua ligação à selecção turca acabava ali. Despediram-se dele agradecendo a ajuda prestada e recompensando-o com a oferta de um bilhete para assistir à final do Euro, no domingo seguinte. Perfeitamente imóvel, o Astro demorou uns segundos a assimilar a realidade, reagindo somente depois de o &lt;i&gt;seu&lt;/i&gt; transporte ter arrancado. Cabisbaixo, decidiu que a única opção que lhe restava passava por refugiar-se novamente junto dos seus únicos amigos em terras helvéticas: os copos. Desde a monumental carraspana que o tornara noivo de Sophie que não voltara a encontrar-se com eles, e chegara agora a hora de o fazer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3761909316072644711-1838686483985464270?l=umgajoassim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umgajoassim.blogspot.com/feeds/1838686483985464270/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3761909316072644711&amp;postID=1838686483985464270&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/1838686483985464270'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/1838686483985464270'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umgajoassim.blogspot.com/2008/06/casimiro-no-euro-2008-ttulo-em-falta.html' title='Casimiro no Euro 2008: Rumo à final (Parte I)'/><author><name>Radical Sonic</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3761909316072644711.post-2416662554163155144</id><published>2008-06-23T00:00:00.005+01:00</published><updated>2008-07-13T23:51:29.320+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fábio Vieira Fernandes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='José Pedro Assis'/><title type='text'>Casimiro no Euro 2008: Allez, Casimiro, allez!</title><content type='html'>As coisas continuavam complicadas para Casimiro. Se, por norma, já não lhe era sequer dada qualquer margem de manobra para respirar à vontade, a derrota da Selecção Nacional frente à equipa anfitriã não veio melhorar em nada a sua situação. Depois do jogo de há uma semana, o último da fase de grupos, a única pessoa que, naquela casa, parecia ser capaz de sorrir era Sophie. Claramente, tal devia-se à sua maior ligação à Suíça do que a Portugal, ao contrário do que sucedia com os seus pais. Estes, por sua vez, limitaram-se a ficar rabugentos, pelo que o Astro decidiu que o melhor seria evitar, a todo o custo, pisar o risco.&lt;br /&gt;Do sofá de onde assistiu à desastrosa partida, naquele domingo, encaminhou-se directamente para a cama, mentalizando-se de que estava condenado a desposar a baleia que por ele se enamorara e a adoptar aqueles emigrantes como sua família para o resto da vida. Mais do mais, os dias seguintes apenas serviriam para sedimentar essa convicção. Já se encontrava há quase duas semanas em solo suíço e ainda não tivera outra oportunidade para desfrutar em pleno da euforia que floresce sempre em torno de uma competição como o Campeonato da Europa de Futebol.&lt;br /&gt;Não obstante, todo o mau ambiente que, até então, se vivia em casa dos Carreira pareceu, como que por magia, desaparecer com o amanhecer de quinta-feira. Incrivelmente, o nascer do dia em que os Viriatos iriam novamente entrar em campo tinha feito o humor dos sogrinhos do Astro alterar-se para o oposto do que havia sido nos dias anteriores. Graças a isso, e apesar de a clausura a que estava sujeito não se prolongar assim há tanto tempo, Casimiro sentiu uma alegria como já não tinha memória. Depois de alguns minutos sentado em silêncio ao lado do senhor Carreira, à espera de serem chamados para o almoço, o Astro começou a ser informado acerca do programa das festas para aquele dia. «Filho, logo, depois de limparmos o sebo àqueles nazis, vamos falar com o padre Jeremias. Depois da missa das dez, ele vai estar disponível para nós. Já o sondei anteontem, e ele disse que não se importava de vos casar no dia da final. Parece que já estou a ver: caso a minha menina ao início da tarde e festejo a vitória dos nossos meninos ao fim da tarde. Pelo meio, comemos qualquer coisinha rápida no tasco do Quintas, ou assim... Isso é o menos importante», atirou o patriarca da família. Semelhante discurso fez um alarme soar estridentemente dentro da cabeça do Astro. Não podia, de maneira nenhuma, ir àquela reunião. Tinha de engendrar, o mais rapidamente possível, uma maneira de fugir, de uma vez por todas, daquela casa. O ideal talvez fosse fazê-lo durante a partida. Provavelmente, iria perder todo o jogo contra os alemães, mas não havia mesmo melhor altura para desaparecer. Sendo a casa dos Carreira localizada numa zona em que residem inúmeras famílias portuguesas, com certeza que, àquela hora, dificilmente se cruzaria com alguém pelas ruas. Também ninguém o iria ver a sair à socapa pela larga janela do quarto de banho do andar de baixo. Ninguém o iria ver a saltar a vedação da casa. Nenhuma das vizinhas que o tratavam já por Mirinho iria estar, como, de resto, é habitual, colada à janela a controlar a vida de toda a gente do bairro. Os jogos de Portugal são sagrados por aquelas bandas, pelo que Casimiro resolveu que o melhor seria aderir ao ateísmo por umas horas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Largos segundos após &lt;i&gt;A Portuguesa&lt;/i&gt; ter sido tocada e de toda a família a ter cantado a plenos pulmões - Casimiro descobrira da pior maneira que tinha de o fazer também; o calduço que o senhor Carreira lhe aplicara nos aquecimentos para o jogo anterior da Selecção tinha servido como catalisador para o seu patriotismo -, o apito soava. Estava na hora para começar a pôr o plano em práica. «Senhor meu sogro, dá-me licença por uns momentos? Necessito de me deslocar com alguma urgência até aos lavabos.» Com uma agilidade incrível e, sobretudo, uma enorme vontade de o fazer, Casimiro pulou da janela para cima do canteiro de flores da senhora Carreira e, não sem antes as pisar com vontade, desatou a correr para bem longe daquela prisão. Não sabia para onde se dirigia, mas, pelo menos, as ruas encontravam-se desertas, tal como havia imaginado. Apenas Frederico Bobi e Gastão Rex, os minúsculos cães da vizinha viúva, o avistaram. Como o Astro estava farto daqueles ladrares... Daqueles focinhos... Daqueles seres... Daquela rua! Daquelas semanas infindáveis! Correu como se pretendesse bater um recorde olímpico, não parando até esbarrar contra um táxi que se encontrava estacionado a seguir a uma curva, a já várias centenas de metros do local de onde tinha fugido. Da janela aberta da viatura, emergiu a cabeça de um homem com pescoço de diâmetro igual ou superior ao do de um pneu de triciclo. A sua expressão mal-encarada alterou-se assim que reparou no cachecol que o Astro trazia preso a um dos pulsos: «Então, miúdo? Com pressa para ir ver o Nuninho a marcar uns golos? Entra aí e ouves o relato comigo. Até te levo a onde ias com tanta ligeireza. Fico mais calmo se estiver a conduzir...» Não poderia ter corrido melhor. «Para onde queres ir, mesmo?» O Astro perguntou se o hotel La Réserve, onde estava instalada a equipa turca, ficava muito distante dali. Conhecia-lhe o nome de tanto o ouvir nas notícias nos últimos tempos. Era, aliás, a única referência que tinha de Genebra, e qualquer local servia para se refugiar e retemperar. Ao obter resposta afirmativa («ui, que isso fica quase na outra ponta da cidade!») por parte do taxista, pediu para ser levado até lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não passou um quarto de hora desde que arrancaram até chegarem ao destino. Casimiro saiu do carro e aproximou-se dos portões que guardavam aquilo que lhe pareceu ser um imenso parque florestal. Vendo que o seu novo "amigo" se mostrava interessado em esperar para ver a sua entrada naquele complexo de luxo, simulou a confiança de alguém cujos planos sempre foram deslocar-se até ali e, intrépido, avançou. Obviamente, possuindo tão pouco dinheiro, o Astro não se podia dar ao luxo de pernoitar numa unidade hoteleira daquele calibre. Numa questão de segundos, descobriria que, mesmo que fossem essas as suas intenções, não teria a mais ínfima sorte: os seguranças contratados pela Federação Turca de Futebol, mal avistaram um indíviduo com um cachecol da selecção portuguesa, logo se apressaram a barrar-lhe a entrada e revistá-lo da cabeça aos pés. Durante o processo, o mais rude dos três que o rodearam considerou ainda que aquele adereço ficaria bem melhor num dos caixotes do lixo que por ali se distribuíam e nesse sentido procedeu. Casimiro começava já a achar que mais lhe valia ter ficado quietinho no sofá da casa dos Carreira. Mal por mal, pelo menos lá tinha as comidas deliciosas da dona Almerinda e, em poucos dias, já poderia dar umas valentes "cãibras" com Sophie (e, na melhor das hipóteses, ainda trataria de despachar também a mãe, que era bem mais agradável à vista). «Daqui a uma semana e tal, podia muito bem estar a papar as duas à Mantorras», pensou. Ainda com aquela ideia a marinar na sua cabeça, reparou que um velhote atarracado e com uns óculos de lentes fundo de garrafão gritava e gesticulava com alguns dos outros seguranças que andavam naquelas redondezas. Um deles chegaria inclusive a levar com o saco de plástico que o idoso transportava numa das mãos. Depois de ser largado, Casimiro apenas teve tempo de ver o senhor, sem dúvida na casa dos oitenta e muitos anos, dirigir-se a ele ao mesmo tempo que desatava novamente a gritar numa língua que o Astro nunca antes ouvira. Concluindo que tal conduta não surtia qualquer efeito, o experiente indivíduo, equipado com trajes da equipa turca, decidiu agarrar num dos braços de um perplexo e desconcertado Casimiro e, desse modo, metê-lo à força no banco do passageiro de um automóvel estacionado ali perto. Em pouco tempo, pelo que o GPS parecia indicar, encontravam-se os dois a caminho de Viena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Várias horas depois, a madrugada ia já alta e Casimiro ainda não conseguira saber se Portugal havia conseguido recuperar a desvantagem originada pelo golo de Schweinsteiger, marcado mesmo antes de ter abandonado o táxi (mal ele podia adivinhar que Klose marcaria outro logo de seguida). Tinha acabado de chegar ao hotel onde a selecção turca se encontrava hospedada apenas naquela noite juntamente com o velho resmungão - característica à qual ele, durante toda a viagem, continuaria a fazer jus, reclamando ininterruptamente por algum motivo que o Astro era incapaz de compreender. Este, por sua vez, já não abria a boca desde que se despedira do taxista português.&lt;br /&gt;Foi, então, encaminhado a um quarto, e aí o fecharam ao som de dois ou três berros. Sem pensar muito em tudo o que raio estava a acontecer, deitou-se na cama para, finalmente, deixar-se adormecer. No dia seguinte, seria acordado ao som de mais berros. Berros que continuavam a ser proferidos numa língua que Casimiro desconhecia por completo. Não estava a perceber nada do que se passava, porém, se continuassem a mantê-lo num quarto daqueles e lhe fossem servindo umas refeições jeitosas, podiam muito bem estar a fazê-lo refém que, ainda assim, continuaria sem soltar um pio sequer. Pelo menos, estes não pareciam querer casá-lo. Sem deixar de ouvir mais um vasto número de brados entretanto, acabaria por não demorar a encontrar-se sentado à mesa, equipado com um fato de treino vermelho, a deglutir um pequeno-almoço digno de deuses. Foi nesse momento de repasto que uma luz se acendou no seu cérebro. Tantas vezes tinha ouvido o seu pai dizer... Nunca lhe ligara. «Lá vai o gajo com a bola. Macacos me mordam se aquele turco não é mesmo parecido contigo, filho.» Será que aquela gente o estava a confundir com esse tal jogador? Acabou apressadamente o pequeno-almoço tomado tardiamente e dirigiu-se de novo para o seu quarto. Se a sua suspeita correspondesse à verdade, era possível que tivesse sido acordado mais tarde do que o restante plantel devido às horas tardias a que se deitara. «Ainda bem que fui tomar o pequeno-almoço depois dos outros. De certeza que me catariam... Tenho de aproveitar esta merda ao máximo», pensou, antes de começar a fazer planos para se esconder o mais possível durante o resto do dia. Tudo fazia sentido.&lt;br /&gt;O Astro sabia, no entanto, que não teria uma tarefa fácil pela frente, havendo jogo no final da tarde. De boné enfiado na cabeça, óculos escuros pendurados no nariz e casaco fechado até ao ponto de lhe tapar a boca, compareceu, mais tarde, no restaurante &lt;i&gt;self-service&lt;/i&gt; do hotel, onde todos os jogadores se reuniram para almoçar. Na fila para se servir, deixou-se ficar para o fim, podendo, desse modo, escolher um lugar que lhe facilitasse a defesa do disfarce. Apesar de esta se afigurar a atitude mais sensata, Casimiro sentia algum receio de que o seu afastamente levantasse suspeitas. Contudo, tal não sucederia, para sua grande estranheza. Seria por causa dos conflitos religiosos daquelas gentes? Almoçou pouco e mais rápido do que a restante comitiva de maneira a evadir-se prontamente para o seu quarto. Não obstante, certificou-se de que enchia devidamente os bolsos de bolos ao passar pela mesa das sobremesas.&lt;br /&gt;Até à hora da habitual palestra, ninguém o foi incomodar. Durante a tranquila estadia no aconchego do quarto para onde tivera sido atirado na noite anterior, às primeiras horas dessa tarde, o Astro teria a oportunidade de perceber o porquê de toda aquela confusão. Enquanto fazia &lt;i&gt;zapping&lt;/i&gt; no televisor altamente &lt;i&gt;hi-tech&lt;/i&gt; que tinha ao seu dispor, acabou por parar na Eurosport News a ver uma notícia sobre o tal jogador com quem o seu pai achava que ele era parecido. A sua teoria acabava de ganhar fundamento: o jornalista do canal de notícias desportivas fazia saber que aquele gajo de nome esquisito já estava de novo integrado no grupo, depois de ter tido permissão para se ausentar por umas horas, no dia anterior, para tratar de problemas pessoais. E, para mal dos pecados de Casimiro, informou também que seria provável ele fazer parte do onze inicial da sua equipa, no jogo dos quartos-de-final contra a Croácia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem dar muito nas vistas, quer na conversa com o mister que antecedeu o jogo, quer na viagem de autocarro até ao palco do confronto, o Astro lá conseguiu aguentar a farsa por mais umas horas. Tinha a certeza de que, no balneário, iriam finalmente dar conta de que ele não era a pessoa que pensavam. Ele e o turco não podiam ser assim &lt;i&gt;tão&lt;/i&gt; parecidos. Mas, uma vez mais, levou o engodo a bom porto sem saber ler nem escrever. Os nervos que pairavam no ar impediam que alguém prestasse atenção ao que quer que fosse. Possivelmente, ele, que nunca se vira numa semelhante, era o menos ansioso do grupo.&lt;br /&gt;Sem nada fazer para impedir que isso acontecesse, o Astro deu por si em pleno relvado a sentir na pele o hino da "sua" selecção. Os nervos começavam a aflorar à medida que ia interiorizando a alhada em que se havia metido, mas a vontade de aproveitar uma oportunidade surreal como aquela que lhe caíra no colo crescia cada vez mais. Com o decorrer da partida, o óbvio foi vindo lentamente ao de cima: aquele jogador não estava a render ao seu nível habitual. Mesmo assim, já o jogo ia avançado quando, claramente incapaz de correr mais de dois metros, Casimiro acabou por ser substituído. A partida seguia empatada a zero. Aproximava-se do banco de suplentes, com ela fisgada para seguir imediatamente para os balneários, quando ouviu, proferido pelo treinador Fatih Terim, algo parecido ao ruído de um cão raivoso. No entanto, quem se encontrava no banco conseguiu perceber perfeitamente aquele «puta que vos pariu a ti e à vaca da tua mulher... Ainda nos vão custar a passagem às meias-finais desta merda!»&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3761909316072644711-2416662554163155144?l=umgajoassim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umgajoassim.blogspot.com/feeds/2416662554163155144/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3761909316072644711&amp;postID=2416662554163155144&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/2416662554163155144'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/2416662554163155144'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umgajoassim.blogspot.com/2008/06/casimiro-no-euro-2008-allez-casimiro.html' title='Casimiro no Euro 2008: Allez, Casimiro, allez!'/><author><name>Radical Sonic</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3761909316072644711.post-4878983054155694993</id><published>2008-06-16T00:00:00.013+01:00</published><updated>2008-07-13T23:51:26.112+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fábio Vieira Fernandes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='José Pedro Assis'/><title type='text'>Casimiro no Euro 2008: A boa, a má e o noivo</title><content type='html'>Casimiro encontra-se defronte do televisor com o cachecol da Selecção apertado entre as mãos. O jogo já terminou há mais de duas horas, mas ele ainda não se moveu. Apesar da sua enorme vontade de ir, simultaneamente, afogar as mágoas originadas pela derrota, festejar com os suíços a sua vitória e celebrar a passagem portuguesa aos quartos-de-final em primeiro lugar do grupo - tudo boas desculpas para apanhar uma tosga de caixão à cova -, não vê maneira de conseguir sair daquele sofá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já na quarta-feira passada, depois do jogo que opôs os Viriatos à equipa da República Checa, o Astro se viu na mesma desconfortável situação. De facto, há praticamente uma semana que, de si para consigo, vem dizendo mal do momento em que se encontrou com O Jovem. Escassos intantes após ser abandonado por Ad Hoc, em pleno parque de estacionamento do Aeroporto de Genebra, ouvia o seu nome ser gritado por aquele alucinado amigo do seu pai e do Capitão. O que, então, considerou ter sido um feliz acaso - O Jovem, que fora igualmente ver o jogo, também não conseguira arranjar voo de regresso - acabaria por dar origem à semana mais angustiante de todo o quarto de século da sua existência. Não se enganara ao pensar que as poucas horas que, inevitavelmente, ainda teria de passar em solo suíço iriam decorrer mais animadamente na companhia de alguém conhecido. No entanto, nada nem ninguém o podia ter preparado para o que se seguiria, e, agora, reina no seu ser a certeza de que o melhor teria sido manter-se pelo aeroporto naquela noite e esperar pelo voo que, segundo lhe haviam garantido, partiria em direcção ao Aeroporto Francisco Sá Carneiro bem cedo, na manhã seguinte.&lt;br /&gt;Na altura, contudo, o orgulho ferido fez com que a sua consciência murmurasse «Olha para mim, sou um menino do papá. Ai, que não vou sair daqui porque não está correcto», levando-o a optar por aproveitar a boleia no &lt;i&gt;skate&lt;/i&gt; d'O Jovem até um qualquer local de diversão nocturna daquela pacata cidade. A primeira paragem dos dois boémios seria feita no Bar do Zé Portuga, onde o Astro pediu uma mini «pela Ritinha» e uma &lt;i&gt;Sagres&lt;/i&gt; «pela Selecção», conseguindo, com isso, chamar a atenção de vários turcos que se encontravam reunidos numa mesa próxima a fazer concursos de bebidas. Depois de ter arrumado, sem vacilar, três adversários e metade do orçamento que o seu pai lhe deixara, Casimiro decidiu mudar de ares. Sem se lembrar de avisar o seu novo companheiro de viagem, partiu rumo a outro destino, por um percurso indefinido através das ruas de Genebra que o conduziria até ao duvidoso Bar Mitz. Foi aí que o Astro encontrou «a suíça mais boa que vi na puta da vida», como a descreveu ao indivíduo que - viria a descobri-lo logo de seguida - não era menos que seu namorado. Pouco preocupado com possíveis ataques de ciúme por parte do «bife mal passado» - apodo com que, ebriamente, baptizou Bob - Casimiro apalpou, um por um, cada pedaço do corpo de Emmanuelle, a helvética. Percebendo que nenhum se incomodava minimamente com o seu abuso, foi aproveitando cada vez mais a indiferença da parte dele e a óbvia necessidade de atenção da parte dela. Em pouco tempo, deu por si a dançar completamente enrolado com a Nelinha, enquanto Bob emborcava mais uma cerveja ali perto. Foi só quando, por descuido, entornou a bebida do inglês que as coisas azedaram e, rapidamente, uma portentosa cena de pancadaria tomou conta do bar. Como é hábito nestes episódios, não tardou para que muitas mais pessoas se envolvessem no conflito, impedindo quem quer que fosse de se aperceber que, a certa altura, Casimiro e Bob encontravam-se já a disputar uma amistosa competição de degustação de cerveja, com o dono do bar como árbitro do confronto. O vencedor seria ilibado de quaisquer responsabilizações sobre os danos causados pela briga. Pela segunda vez nessa noite, o Astro ganhou um concurso daquele calibre e, com isso, abandonou, sorridente, o caos plantado no Mitz, não sem antes dar um vigoroso beijo de despedida a Emmanuelle. Afinal, é sempre bonito quando as coisas se resolvem diplomaticamente.&lt;br /&gt;A noite terá certamente continuado durante mais algumas horas sem que o ritmo tenha abrandado. Porém, Casimiro de nada se lembra uma vez fora do tasco que ajudou a destruir e, da manhã seguinte, resta-lhe apenas uma vaga ideia de estar a papar uma gaja à porta de uma igreja. Ideia que seria explicada e, ao mesmo tempo, desmentida pouco tempo depois, precisamente no momento em que o Astro se apercebeu de que acabara de acordar num quarto que lhe era absolutamente estranho. Olhando para o seu telemóvel, viu que a tarde já não demoraria a findar-se. Olhando para a porta, viu que, provavelmente, naquela casa habitava um trambolho uns quatro anos mais novo do que ele e com uns bons quarenta quilogramas a mais. A dor de cabeça do tamanho de meia Suíça que o assolava parecia expandir-se para a dimensão da vizinha Áustria. Percebendo que Casimiro estava confuso, a rapariga que o mirava da entrada do quarto explicou-lhe que o tinha encontrado a dormir à porta da igreja da sua paróquia quando saía da missa das seis da manhã. Informou-o também de que se chamava Sophie e que era filha de pais portugueses emigrados naquele país - por isso, ao ver o cachecol que ele transportava, não pudera deixar de o tentar ajudar. Sophie corou quando, atrapalhada, começou a contar que havia adorado o pedido de namoro que o Astro lhe dirigira ao perceber que ela o levava para sua casa. (Nesta altura, a dor de cabeça de Casimiro ultrapassava já a área da antiga União Soviética.) Corou ainda mais, se possível, ao tentar deixar claro que, apesar de ele ter tentado, por várias vezes, fazer o que chamava de «dar uma cãibra», tal acto só poderia ser consumado depois de casarem. Não parecia possível: a morenaça da igreja não era senão uma obesa atarracada com uma verruga cheia de pêlo a rematar um nariz de fazer inveja ao Pinóquio. Ainda soltou um sorriso de gozo quando lhe passou pela cabeça que a rapariga certamente estaria a revelar um estupendo sentido de humor ao inventar tudo aquilo e que, na verdade, limitara-se a tomar conta de um tuga podre de bêbedo. Tal pensamento deixaria de fazer sentido no instante imediatamente seguinte, quando a mãe de Sophie - apresentando-se como sua sogra - entrou pelo quarto adentro e lhe enfiou um tabuleiro cheio de comida no colo, cravando-lhe, involuntariamente e sem se aperceber, uma esquina no abdómen. Absorto a admirar os vários montes de pães, &lt;i&gt;croissants&lt;/i&gt;, queijos e queijinhos que o tabuleiro continha, o Astro foi surpreendido pela primeira de muitas ordens que receberia daquela senhora que nada tinha a ver com a filha: «Come lá isso tudo rápido, que já vamos jantar.»&lt;br /&gt;Algum sangue frio, concedido por um reconfortante duche, permitir-lhe-ia concentrar-se no reverso positivo de tudo aquilo: um lar onde poderia, com toda a lata do mundo, fazer-se de penetra por uns dias? Tendo em conta que não lhe restava quase dinheiro nenhum, não se afigurava, de todo, uma péssima ideia. Pelo menos, até começar a experimentar a vida que o esperava daí em diante. Sentando-se à mesa para jantar, logo percebeu de onde vinha a alongada estrutura óssea de Sophie: o senhor Carreira não tinha menos de dois metros e a largura das suas costas ultrapassava várias vezes a das do Astro. «Então este é que é o futuro pai dos meus netos?», perguntou, sem pinga de ironia ou fanfarronice, para ninguém em particular, também se sentando, pronto para alimentar um estômago que com certeza não se satisfazeria com pouco. Sentindo o pânico a florescer no seu íntimo, o Astro resolveu tentar acabar com a brincadeira antes que as suas proporções fugissem a qualquer possibilidade de controlo. Tarde de mais. A tentativa de desfazer o mal entendido e explicar que tudo não passara de um erro provocado por uma enorme bebedeira revelar-se-ia completamente infrutífera. Como em todo o resto da semana agora terminada, a senhora Carreira mal deixou o desesperado Casimiro sequer abrir a boca sem, por uma vez que fosse, deixar de lhe meter um chocolate ou qualquer outro bem comestível lá dentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Preciso de fugir. Tenho de me pôr que nem uma carroça. Já.»&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3761909316072644711-4878983054155694993?l=umgajoassim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umgajoassim.blogspot.com/feeds/4878983054155694993/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3761909316072644711&amp;postID=4878983054155694993&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/4878983054155694993'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/4878983054155694993'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umgajoassim.blogspot.com/2008/06/casimiro-no-euro-2008-boa-m-e-o-noivo.html' title='Casimiro no Euro 2008: A boa, a má e o noivo'/><author><name>L!NGU@$</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://img168.imageshack.us/img168/9800/629803163451127170cd3evy7.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3761909316072644711.post-5976237220362297667</id><published>2008-06-09T00:00:00.010+01:00</published><updated>2008-07-13T23:51:22.902+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fábio Vieira Fernandes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='José Pedro Assis'/><title type='text'>Casimiro no Euro 2008: O capitão que não o é e a menina de leste</title><content type='html'>Casimiro ainda não conseguia acreditar e já os bilhetes lhe pertenciam há quase dois meses. Arrancara rumo a Basileia logo a seguir ao almoço do dia anterior, sexta-feira, na velhinha mas carismática 4L do Capitão Ad Hoc, o que fazia com que, tantas horas de viagem volvidas, o seu desconforto fosse significativo. Porém, já faltava pouco para chegarem. Ele e o seu pai haviam decidido aproveitar a boleia do antigo soldado-raso do Exército, que tinha uns negócios de canas de pesca em madeira grená a tratar em Varsóvia e ia passar pela Suíça a ver se ainda conseguia algum financiamento para a gasolina através da candonga de ingressos para o Campeonato da Europa. A viagem de regresso seria feita de avião, logo após o fim do jogo.&lt;br /&gt;Durante a longa jornada até ao país dos Alpes, muitos foram os temas de conversa profusamente dissecados pelos três aventureiros. Os dois Casimiros, pai e filho, passaram uma generosa porção de tempo animados com recordações de momentos de requinte do senhor Lopes. «Abençoado», repetiram várias vezes. Era verdade: se ali se encontravam, a caminho do jogo inaugural do Euro 2008, ao senhor Lopes o deviam, dado ter sido dele a oferta daqueles dois preciosos bilhetes. Outro assunto recorrente foram as desventuras de outros tempos relatadas por Ad Hoc e pelo senhor Castro, que o Astro absorveu completamente siderado. Foi com especial interesse que escutou a hilariante história contada pelo seu pai sobre o surgimento da alcunha Capitão para o líder da trupe, a qual concretizaria o momento de humilhação de Ad Hoc durante aquela viagem. Ao contrário do que Casimiro sempre pensara, o nome não vinha dos tempos do Ultramar, até porque Ad Hoc nunca subira de posto enquanto militar, mas sim de quando o Capitão jogava futebol no Agrário de Lamas. Casimiro equivocar-se-ia novamente, ao pensar que ele teria sido capitão do seu clube; em verdade, Ad Hoc nunca fora mais que um suplente não utilizado cujo sonho era ser capitão da Selecção Nacional. Isso explicava o seu notório desagrado latente para com Nuno Gomes, cujo cabelo, nas suas palavras, fica muito aquém daquele que ele preserva debaixo do seu inseparável chapéu. «E, além do mais, para fazer o que ele faz, também ia eu para lá pastar e comer à pala!», rosnava o Capitão Ad Hoc sobre o 21 da equipa portuguesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, bastaria esperar pelo fim do jogo que opôs Portugal à Turquia para se assistir a um envergonhado baixar de armas da sua parte face ao nosso actual capitão. Quando chegaram a Basileia, a menos de uma hora do início do espectáculo que precederia o Suíça - República Checa, já Ad Hoc tinha sido convencido a também ir ao jogo. Para que tal se pudesse concretizar, tratou logo de pegar nos bilhetes dos seus compinchas e partiu para as imediações do estádio enquanto o Astro e o pai se dirigiram a um café para petiscar qualquer coisita. Três quartos de hora mais tarde, o Capitão estava de volta, com um sorriso estampado na cara. De um fôlego, deu a conhecer os negócios - todos muito pouco lícitos - que acabara de levar a cabo:&lt;br /&gt;- Quem é o Capitão, quem é? Ca puta de negócio acabei de fazer, pá! Meus amigos, toca a levantar as respectivas peidas, que vamos voltar para Genebra! Não estão bem a ver. Cheguei ali e dei logo a volta a um sueco ou lá como se chamam esses filhas da puta daqui. Fodi-o que nem gente grande! Sabem quanto deu pelos vossos bilhetes? Pois, nem eu, que isto de moedas estrangeiras não percebo um caralho. Mas acreditem que foi muito. Ele até chorou quando voltou com o dinheiro para me pagar. Deve ter vendido um colhão para o arranjar, o panasca. Logo a seguir, encontrei um soviético qualquer e, com o dinheiro dos vossos bilhetes, comprei três para o jogo dos nossos meninos. E o melhor é que ainda sobrou para trazer esta lambisgóia, que, com jeitinho, vai fazer com que a gasolina nos fique de borla. Hehe!&lt;br /&gt;Casimiro, estupefacto, mirou o pai, que deu aos ombros como se tudo aquilo fosse a coisa mais natural do mundo. E, assim, lá entraram todos no automóvel - incluindo a rapariga eslovena que o Capitão trouxera consigo - e iniciaram a viagem de regresso à cidade mais ocidental da Suíça, por onde já haviam passado algumas horas antes. Um furo representava, possivelmente, a pior coisa que poderia acontecer num dia daqueles, e o que é facto é que, embora parecesse mentira, aconteceu realmente. Para piorar a situação, o Capitão Ad Hoc não tinha pneu suplente, dado ter decidido que era bem mais importante ocupar o espaço da bagageira com cabos de fibra óptica dourados, porque, se desse tempo, ainda passaria em Frankfurt na viagem de regresso à pátria, já que lá têm boa saída. Naquele momento, o senhor Castro e o seu filho detectaram uma lacuna no Português, chegando à conclusão de que nenhuma das palavras contidas num dicionário da língua de Camões possuía alcance suficiente para insultar devidamente Ad Hoc. De mãos atadas, num país que mal conheciam, viram-se obrigados a resolver o problema recorrendo aos serviços da «lambisgóia». O sarnento dono da estação de serviço pela qual tinham passado dois quilómetros atrás não se queixou dos parcos minutos passados na sua companhia numa arrecadação do seu estabelecimento, devolvendo o favor com aquele que terá sido o seu recorde no que concerne ao tempo dispendido na substituição de um pneu. Já com uma hora de atraso, arrancaram &lt;i&gt;avec toute la vitesse&lt;/i&gt;, como diria o Tio Reinaldo da França, em direcção ao seu destino. Como seria de prever, arranjar estacionamento não se revelou, de todo, tarefa fácil. Uma vez mais, o elemento feminino do grupo mostrar-se-ia mais útil do que alguma vez poderiam ter imaginado, conseguindo um lugar no parque VIP do Stade de Genève.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma vez dento do recinto de jogo, nem tentaram procurar os lugares que a eles estavam destinados. Ainda por cima, um deles era distante dos outros dois. Olhando para o placard, perceberam que restava apenas um minuto para se esgotar o tempo regulamentar e que o resultado era de uma bola a zero, favorável a Portugal. Depois de questionar um adepto tuga que se encontrava nas suas proximidades, o senhor Castro soltou um sonoro «filho da puta do tripeiro careca... tinha de ser ele a marcar o golo». Os seus companheiros de aventura perceberam logo que fora Pepe o seu autor. Toda a gente tinha conhecimento do ódio que o Casimiro pai nutria pelos «corruptos de merda», como tratava toda e qualquer pessoa que alguma vez tivesse tido qualquer ligação ao maior clube da cidade do Porto. Segundos depois, a placa das substituições foi levantada, ordenando a Deco que cedesse o seu lugar a Fernando Meira. Cristiano Ronaldo apoderou-se da bola e subia no terreno. Não tardaria para que o esférico saísse dos seus pés em direcção a João Moutinho que, rodando sobre si mesmo, a deixou para um isolado Raúl Meireles. O número 6 atirou à baliza e... «CABRÕES! Só faltava agora ser o arrumador das Antas a marcar o segundo! Estamos bonitos...»&lt;br /&gt;Cinco minutos depois de entrarem no estádio, o Capitão Ad Hoc, o Astro e o seu pai estavam já prestes a abandoná-lo, com este último a conformar-se aos poucos, ao mesmo tempo que se deixava contagiar pela alegria esfuziante dos outros dois perante o arrebadator arranque dos Viriatos na competição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após a eslovena, com ar afogueado, juntar-se-lhes novamente algum tempo depois, partiram em direcção ao aeroporto, onde Ad Hoc deixaria pai e filho para que estes regressassem a Portugal. Contudo, as más notícias voltariam à ordem do dia quando foram informados de que, para os voos daquela noite, já só um lugar se encontrava disponível. O senhor Castro tinha mesmo de regressar - todos os domingos de manhã, desde que a sua esposa falecera, visitava o seu jazigo no cemitério lá da freguesia, e este fim-de-semana não podia constituir, de forma alguma, uma excepção. O Astro acabou, então, por ficar em terra, recebendo permissão do seu pai para acompanhar o Capitão na sua missão europeia e com ele regressar, mais tarde, a casa.&lt;br /&gt;Depois de o senhor Castro ter embarcado e o carro estar pronto a arrancar, o Capitão Ad Hoc informou Casimiro da sua indisponibilidadade para &lt;i&gt;ménages à trois&lt;/i&gt;. Atirando-lhe uma nota de 10 euros toda manchada de vinho, acrescentou: «Miúdo, já estás um homem feito. Amanha-te aí numa pensão qualquer ou põe o cu a render. Eu vou para a Polónia ganhar a vida.»&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3761909316072644711-5976237220362297667?l=umgajoassim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umgajoassim.blogspot.com/feeds/5976237220362297667/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3761909316072644711&amp;postID=5976237220362297667&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/5976237220362297667'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/5976237220362297667'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umgajoassim.blogspot.com/2008/06/casimiro-no-euro-2008-o-capito-que-no-o.html' title='Casimiro no Euro 2008: O capitão que não o é e a menina de leste'/><author><name>L!NGU@$</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://img168.imageshack.us/img168/9800/629803163451127170cd3evy7.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3761909316072644711.post-4515674619871760514</id><published>2008-06-02T00:00:00.000+01:00</published><updated>2008-06-02T12:12:16.354+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fábio Vieira Fernandes'/><title type='text'>Casimiro na Expo '98, dia 2</title><content type='html'>O pânico instalou-se por momentos nos organismos de Madalena e Casimiro Castro. No exacto momento em que o Astro se virara para lhes perguntar a que horas regressariam a casa, a sua mãe, como que pressentindo a questão que aí vinha, decidiu comunicar-lhe a surpresa que lhe estava preparada: iam ficar a dormir em Lisboa, em casa de um amigo, e, no dia seguinte, regressariam à Exposição. Perante a inesperada informação, Casimiro teve um inigualável ataque de histeria que, contudo, não foi de duração muito prolongada. Rapidamente se desequilibrou e, do alto do seu inseguro poiso, caiu ao Tejo.&lt;br /&gt;Apesar de, naquela altura, ainda estar a decorrer o Acqua Matrix, um senhor de entre as inúmeras pessoas que, nas proximidades, ficaram de repente sob alarme prontificou-se para ir em busca de auxílio, ao passo que os dois progenitores, aflitos, desesperavam ao ver o seu filho atrapalhado graças a uma estupenda inaptidão para a natação. Bem assim, mal Casimiro conseguiu deitar as mãos a uma pedra do muro da doca e respirar mais tranquilamente, percebeu-se, pelos seus gritos ainda estridentes (embora fossem agora de terror e não de excitação), que a sua maior preocupação centrava-se em nada menos que tubarões. Não que ele pensasse que os havia descontrolados pelo rio fora; simplesmente, acreditava convictamente que poderiam fugir do Oceanário, ali ao lado, só para lhe arrancar um membro que lhes servisse de ceia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Duas horas depois, o Astro encontrava-se ainda a tremer em casa de Darlindo, o amigo dos seus pais que morava na capital. Sob um amontoado de xailes, envergava a seca &lt;i&gt;t-shirt&lt;/i&gt; do Gil e da Docas que não encontrara na sua gaveta nessa manhã porque a sua mãe a havia guardado já anteriormente na mala para que ele a pudesse vestir no domingo. Depois de tomar um banho quente - que não fora, de todo, cem por cento eficaz no que se refere a reestabilizar aquela pobre alma -, Casimiro começava a processar todas as novidades. Não só regressaria à Expo '98 no dia seguinte, como, com o passe para três dias que os seus pais lhe compraram (para eles, haviam comprado bilhetes diários, que, a cinco mil reis cada, ficavam ligeiramente mais em conta), tinha a possibilidade de lá ir uma terceira vez mais tarde, no Verão, juntamente com os seus primos e o Tio Reinaldo da França.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria uma noite de reconfortante descanso a que se seguiu a este memorável episódio. E o segundo dia na feira internacional não poderia estar a correr melhor para o Astro. Tendo voltado a chegar lá relativamente cedo, já conseguira visitar, entre outros, o concorrido Pavilhão de Macau e, à hora de almoço, os pais contemplá-lo-iam ainda com uma rara incursão ao McDonald's. Encantado, Casimiro degustou um enorme &lt;i&gt;Big Big Mac&lt;/i&gt; com batatas e cola gigantes antes de se empanturrar definitivamente com um &lt;i&gt;Sundae&lt;/i&gt; de chocolate. Notava-se a felicidade que sentia estampada no seu rosto. Já à saída do Pavilhão do Futuro, algum tempo depois, era algo semelhante a estranheza o que a sua expressão deixava transparecer. Ele própio sentia-se incapaz de dizer se gostara ou não, mal podendo adivinhar que seria naquele local, entretanto transformado no Casino Lisboa, que, anos mais tarde, passaria muitas horas das quais seria realmente incapaz de não gostar.&lt;br /&gt;Esta experiência mais neutra no que se refere à agradabilidade das sensações produzidas no Astro viria posteriormente a ser dissipada pelo divertimento que o pequeno mas muito bem engendrado Pavilhão da Suécia conseguia proporcionar. De facto, Casimiro fartar-se-ia de percorrer os ovos que simulavam as diferentes estações do ano, garantindo que interiorizava devidamente cada um daqueles climas. Nada disto o prepararia, no entanto, para o choque que se daria mais tarde, pouco antes de a família abandonar o recinto para voltar para o seu lar. Foi nas redondezas da Praça Sony, no ainda por si pouco explorado extremo Norte do futuro Parque das Nações, que o Astro encontrou a mascote com quem sempre simpatizara. Foi igualmente aí que tal sentimento sofreu uma irremediável mutação. Tendo passado próximo do homem disfarçado, este, ao reparar em Casimiro, aproximou-se, fazendo com que, automaticamente, o Astro passasse a máquina fotográfica à mãe, para que o encontro histórico ficasse devidamente registado. Enquanto filho e mãe se posicionavam para tirar a foto, o grande Gil animado tomou a súbita decisão de agarrar Casimiro, elevando-o no ar com ambas as mãos. Apanhado de surpresa, o Astro reagiu instintivamente e deu um murro na mascote, cujo reflexo foi o de largar o rapaz que tinha nos braços. Voltando a levantar-se, com o seu mau génio logo a dar sinais de vida, Casimiro lançou-se sobre o Gil, que não se deixou ficar. Assim se iniciou uma épica luta defronte de alguns perplexos transeuntes que, à medida que se foram apercebendo do que se passava, acumularam-se em seu redor, perfeitamente impotentes. Dando conta de que, apesar da sua roupa menos desconfortável, encontrava-se em desvantagem perante o tamanho e a força daquele empregado da Parque Expo, Casimiro desatou a correr desenfreadamente assim que vislumbrou uma oportunidade para o fazer. Sem nunca ser desmascarado, o homem no fato do boneco azul partiu no seu encalce, perdendo-o de vista apenas no parque de estacionamento, onde o Astro conseguiria camuflar-se entre dois veículos.&lt;br /&gt;Casimiro passou a viagem de regresso a casa a espreitar pelo vidro traseiro do carro, receoso que viesse alguém atrás de si para lhe fazer a folha, e ainda hoje estremece de cada vez que vê uma representação do boneco com uma onda na cabeça.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3761909316072644711-4515674619871760514?l=umgajoassim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umgajoassim.blogspot.com/feeds/4515674619871760514/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3761909316072644711&amp;postID=4515674619871760514&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/4515674619871760514'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/4515674619871760514'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umgajoassim.blogspot.com/2008/06/casimiro-na-expo-98-dia-2.html' title='Casimiro na Expo &apos;98, dia 2'/><author><name>Radical Sonic</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3761909316072644711.post-5251167572467692283</id><published>2008-05-26T00:00:00.001+01:00</published><updated>2008-05-26T23:17:38.729+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fábio Vieira Fernandes'/><title type='text'>Casimiro na Expo '98, dia 1</title><content type='html'>Corria o ano de 1998 e não se falava de outra coisa que não da Exposição Mundial de Lisboa. Em verdade, parecia que o certame não se concentrava exclusivamente na propositadamente reabilitada zona oriental da capital, mas que se estendia a todo o país, tal era a densidade da informação que lhe era dedicada e bombardeada para cada lado para que Casimiro se virava. Ainda no auge da adolescência, o Astro fartara-se, durante meses, de amofinar os pais com o seu desejo de lá ir. Apesar de também eles o pretenderem, deixaram o filho pensar que teria de se esforçar para ter direito a tamanha recompensa, e, assim, foi vê-lo a esforçar-se por ajudar nas tarefas domésticas como nunca antes fizera e, inclusive, a estudar. Não foi à toa que aquele jovem que todos os professores apelidavam com um substantivo oriundo de uma pequena lista de eufemismos para "bandalho" acabou o segundo período do seu décimo ano com uma média a rondar o 17.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com um entuasiasmo incontido e apenas comparável ao que sentira quando, anos antes, tivera a oportunidade de, pela primeira vez, ir à Catedral, Casimiro acordou, no sábado do primeiro fim-de-semana em que a Expo '98 abriu ao público, eram ainda três da manhã. Os pais haviam-no informado que o iriam acordar às cinco, para sairem às cinco e meia - o que era mais que suficiente para chegarem cedo a Lisboa -, mas a excitação da viagem impedia-o de tentar dormir mais um bocado. Resolveu, então, organizar as coisas que teria de levar, de modo a garantir que não se esquecia de nada: o boné, os óculos de sol, umas cuecas, os calções, o protector solar, um par de meias, as sapatilhas e... Faltava-lhe a &lt;i&gt;t-shirt&lt;/i&gt; que decidira levar vestida. Estavam todas as outras na gaveta, das sete que ele possuía alusivas à Expo compradas na feira; só não estava, precisamente, a que mostrava o Gil e a Docas a fazerem não se percebia bem o quê numa posição muito pouco ortodoxa. «Mas que porra», pensou. «Ainda deve estar para lavar. Paciência. Vai outra.» Antes de se vestir, lembrou-se ainda de deixar à vista a máquina fotográfica descartável que o Barnabé lhe trouxera da Bracalândia, como &lt;i&gt;souvenir&lt;/i&gt;, no Verão anterior. Revelar-se-ia, certamente, um objecto fundamental para registar para todo o sempre as emoções daquele tão ansiado dia.&lt;br /&gt;Passavam exactamante trinta minutos das cinco da manhã quando o senhor Castro pôs o carro a trabalhar. Casimiro, exausto, acabaria por adormecer pouco depois do início da viagem, pelo que mal deu pela chegada à capital. Estremunhado, acordou com o pai a abaná-lo freneticamente já com a novinha em folha Gare do Oriente no horizonte: «Levanta-te e sai daí, pá. A tua mãe já foi comprar os bilhetes. Vamos andando ali para a entrada, que já está cá muita gente...»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era de perfeito deslumbramento a expressão que se pôde avistar na face do Astro ao longo de todo aquele dia. Os jardins com os chafarizes em forma de vulcão, a magnificência do Pavilhão da Utopia, a vanguardista pala do Pavilhão de Portugal, a Torre Vasco da Gama com a ponte homonimamente baptizada como pano de fundo... Tudo se apresentava majestoso aos seus incrédulos olhos.&lt;br /&gt;A par da viagem de teleférico por cima da Doca dos Olivais (à qual acedeu com alguma relutância, afirmando que o tempo para ver o resto dos pavilhões principais era já demasiado escasso), o Oceanário acabaria por se tornar a atracção que mais agradou a Casimiro, mesmo tendo tido de aguentar três horas debaixo de um sol escaldante para entrar. A visita àquele enorme aquário recheado de espécies marinhas de todo o planeta viria, no entanto, a ser pautada por situações caricatas. Estas pequenas desventuras começariam, desde logo, na aparentemente infindável fila de entrada: talvez devido ao seu aspecto imberbe, uma senhora de aspecto ainda bastante jovial - provavelmente, uma estudante a exercer voluntariado - aproximou-se, juntamente com um grupo de crianças que a seguia, convidando o Astro a juntar-se ao Clube do Gil e promovendo uma iniciativa qualquer do dito cujo agendada para a tarde do dia seguinte. Apesar de nem ter percebido do que se tratava em concreto, Casimiro rejeitou simpaticamente a proposta, não deixando de pensar no quanto gostaria de poder participar em tal encontro. Isso significaria que ele voltaria à Expo no domingo, o que, definitivamente, lhe permitiria visitar um número considerável de pavilhões apelativos que entretanto tinha sido já forçado a retirar das suas contas. Mais tarde, já dentro do Oceanário (para sua infelicidade, não pôde percorrê-lo na totalidade), veria a sua tentativa de obter um autógrafo de Eusébio malograda pela rápida intervenção de dois seguranças. Apesar de frustrado com este percalço, Casimiro viria a conformar-se quando os pais o convenceram de que se tratava realmente de uma lontra e não apenas de uma alcunha das más línguas para o Pantera Negra.&lt;br /&gt;À meia-noite em ponto, hora do Acqua Matrix, lá se encontrava o Astro, acompanhado pelos seus pais, devidamente posicionado junto à doca para assistir ao espectáculo de luz, som e pirotecnia. Graças à insistência da mãe em dirigirem-se para aquele local atempadamente, haviam conseguido um lugar privilegiado mesmo à frente, com a brisa fluvial a chegar-lhes directamente ao nariz vinda de baixo. O sistema elevatório que o Augusto arranjara para o carrinho de rolamentos do seu pai funcionava impecavelmente, sem qualquer mácula, e fazia com que toda a família pudesse, numa imagem digna de um belo retrato, desfrutar em pleno do espectáculo que encerraria o dia. Não tardou muito para que, após o seu começo, Casimiro, à frente de uma enorme multidão que entretanto ali se aglomerara, se empoleirasse no corrimão da pequena barreira que os separava do Tejo. Estava fascinado. Nunca vira cenário tão deslumbrante, tão apoteoticamente sincronizado. Foi no momento em que se virou para perguntar aos pais a que horas regressariam a casa que, sem dar tempo para que alguém percebesse o que se passara ao certo, o Astro caiu ao rio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3761909316072644711-5251167572467692283?l=umgajoassim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umgajoassim.blogspot.com/feeds/5251167572467692283/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3761909316072644711&amp;postID=5251167572467692283&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/5251167572467692283'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/5251167572467692283'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umgajoassim.blogspot.com/2008/05/casimiro-na-expo-98-dia-1.html' title='Casimiro na Expo &apos;98, dia 1'/><author><name>Radical Sonic</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3761909316072644711.post-2065099237792827125</id><published>2008-05-19T00:00:00.000+01:00</published><updated>2008-05-19T21:20:10.448+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='José Pedro Assis'/><title type='text'>O reencarnar de Casimiro</title><content type='html'>Casimiro sentia a cabeça pesada. Não devia ter bebido tanto na noite anterior. Nunca antes uma ressaca o tinha feito sentir tão mal. Tão dorido. Parecia que tinha levado uma pancada de um camião TIR. «Boa, Miro, cada vez estás pior. Que degredo de vida!», recriminou-se. Pensando bem, não se lembrava de ter bebido muito nos últimos dias. Aliás, desde que as Queimas acabaram que não via uma gota de álcool. Já lá iam três dias. «Mau, que se passa aqui afinal?»&lt;br /&gt;Estava cada vez mais baralhado e com mais dores. Sentia-se ainda pior do que no dia em que levou uma coça dos três marmanjos que decidiu apalpar durante uma das suas inúmeras bebedeiras.&lt;br /&gt;Logo que os seus olhos se habituaram à claridade da divisão em que se encontrava, reparou que não conhecia nada do que o rodeava. Aquela cama não era a dele, aquela janela não era a do seu quarto, aquela cadeira não lhe era familiar. De tão confuso, não conseguia ligar todos os elementos da sala. Não via aquele espaço como um todo, mas como um amontoado de mobília que só o estava a preocupar cada vez mais. &lt;br /&gt;Tentou levantar-se e reparou que não se conseguia mexer. «Queres ver que houve uma badalhoca que se aproveitou da minha bebedeira, me comeu e me deixou preso à puta da cama dela? Grande maluca!» &lt;br /&gt;Infelizmente, essa teoria caiu por terra mal olhou por cima do seu ombro direito e viu uma quantidade enorme de maquinaria ligada a várias partes do seu corpo. Entrou em pânico e foi nessa altura que soltou o grito mais estridente que alguma vez ouviu.&lt;br /&gt;Em segundos, viu entrar, no quarto em que se encontrava, uma enfermeira seguida pela  dona Madalena e o senhor Casimiro Castro.&lt;br /&gt;Focou-se na sua mãe e reparou que os seus olhos estavam inundados de lágrimas. Notava-ve um cansaço enorme no seu rosto. Nunca a tinha visto assim. Já o seu pai, afixado ao carrinho que o transportava, parecia mais sereno, apesar de se notar que se tinha desleixado na higiene. Até as suas rodas chiavam mais do que o normal. &lt;br /&gt;Apesar da anormalidade da situação, o Astro sorriu. Foi nesse momento que a sua mãe desatou num choro desenfreado. Alheio ao barulho, o seu pai aproximou-se da cama e disse, com a voz mais calma do mundo: «Três semanas em coma e acordas-me de pau feito?»&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3761909316072644711-2065099237792827125?l=umgajoassim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umgajoassim.blogspot.com/feeds/2065099237792827125/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3761909316072644711&amp;postID=2065099237792827125&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/2065099237792827125'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/2065099237792827125'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umgajoassim.blogspot.com/2008/05/o-reencarnar-de-casimiro.html' title='O reencarnar de Casimiro'/><author><name>L!NGU@$</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://img168.imageshack.us/img168/9800/629803163451127170cd3evy7.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3761909316072644711.post-8230691712817349125</id><published>2008-05-12T00:00:00.001+01:00</published><updated>2008-05-12T23:16:14.001+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fábio Vieira Fernandes'/><title type='text'>A soberania de Casimiro</title><content type='html'>Parece que Pedro Santana Lopes anda com ideias de voltar a mandar nisto tudo assim que lhe surja uma oportunidade para tal. Afigura-se pouco provável que, mesmo na igualmente improvável hipótese de isso de facto acontecer, Casimiro volte a conseguir o lugar de destaque que nunca teve embora sempre se tenha convencido que sim. Na volta, nem ele próprio almejará tal façanha, acreditando que a idade traz algum tino às pessoas. Mas, em 2004, as coisas eram diferentes, e o Astro experienciou o auge da sua inspiração política.&lt;br /&gt;Casimiro tinha três anos quando Portugal aderiu à CEE. Apesar de só muito mais tarde, quando frequentava o ensino preparatório, ter ficado a saber o que era isso de uma União Europeia, sempre fora contra ela por convicção («Porque não!», proclamava ele, convicto, sempre que o questionavam acerca dos motivos que o conduziam a tão radical posição). E foi deste modo que levou a peito a saída de Durão Barroso do poleiro nacional para assumir um cargo em Bruxelas. Inconformado, sentiu que o País precisava de líderes em quem pudesse confiar e não de uns badamecos sem amor à camisola. O País precisava do Rui Costa da política (embora, na altura, Barnabé o tenha feito ver, acertadamente, que o Maestro também havia aceite um cargo noutro país do Velho Continente).&lt;br /&gt;Foi assim que a veia reaccionária de Casimiro despertou, e este resolveu fazer valer os seus deveres cívicos participando activamente nos órgãos de decisão da III República Portuguesa. Mal o XVI Governo Constitucional entrou em funções, o Astro trocou o concerto de Ice-T em Vilar de Mouros por uma incursão à São Caetano à Lapa, na capital, onde viria, nesse mesmo dia, a inscrever-se como militante do Partido Social Democrata. Não que o PSD fosse o "partido do seu coração"; em boa verdade, Casimiro nunca sentiu grande facilidade no processo de distinção entre a sua mão esquerda e a sua mão direita, quanto mais entre as diferentes ideologias políticas (basta, aliás, lembrar o embaraçoso incidente que o confrontou aos apoiantes do PNR, há dois anos).&lt;br /&gt;Não tardaria muito até que, com o charme e a elegância que é capaz de ostentar sempre que a situação o requer, Casimiro concretizasse as suas pretensões: a 26 de Julho de 2004, o Astro assumia oficialmente o cargo de assessor no gabinete do ministro adjunto do primeiro-ministro, trabalhando directamente com a sua secretária. Como o de qualquer outro &lt;i&gt;boy&lt;/i&gt; de Santana Lopes, este emprego como moço de recados &lt;i&gt;chic&lt;/i&gt; previa algumas vantagens compensatórias do árduo empenho que implicava: um vencimento mensal líquido de cerca de 5000 euros (com o primeiro mês integralmente pago) mais subsídios de férias, de Natal e para as despesas de deslocação (maior no caso de renunciar à opção de alojamento pago no Ritz) e alimentação, veículo topo de gama para uso pessoal, &lt;i&gt;chauffeur&lt;/i&gt; disponível 24 horas por dia, férias de 1 de Agosto a 15 de Setembro, e quarenta dias extra de folga anuais.&lt;br /&gt;Sem saber bem como, o Astro chegou a Setembro com apenas cinco dias de trabalho, quase quinze mil euros na conta e com o maior bronzeado que alguma vez vestira. Afinal, conduzir um Z4 Roadster - o mesmo que visitaria a Zambujeira do Mar com menos de duas semanas de rodagem - todos os dias até à praia permitia uma exposição assaz mais prolongada ao sol. Paradoxalmente ao que se possa eventualmente pensar, todas estas regalias acabaram, no entanto, por ter consequências deveras producentes na &lt;i&gt;rentrée&lt;/i&gt;, quando, muitas bifas volvidas e com o ânimo nos píncaros, Casimiro se apresentou de novo ao serviço.&lt;br /&gt;Todo o entusiasmo tornava-o igualmente capaz de aproveitar convenientemente o muito tempo livre que tinha entre mãos e, aos poucos, foi travando conhecimento com uma série de pessoas que trabalhavam em vários Ministérios. Contudo, o seu passatempo favorito consistiu sempre em azucrinar o mais possível a paciência de Henrique Chaves, o seu superior directo, com quem Casimiro antipatizara desde o momento em que lhe fora apresentado. Entre outras histórias, os seus colegas de então certamente ainda se recordarão da vez em que grande parte dos objectos de pequeno porte do ministro, como canetas, apareceram envoltos em preservativos das mais variadas cores. Ou do episódio da avestruz.&lt;br /&gt;Ora, foram situações como estas que fizeram com que Henrique Chaves rapidamente se demitisse e assumisse a propositadamente criada pasta da Juventude, Desporto e Reabilitação, a 24 de Novembro. Dava-se, então, um primeiro grande abanão num Governo com poucos meses de existência, e o Astro, alheio à instabilidade que tal acontecimento originava, rejubilava com o seu feito. E mal poderia adivinhar que a sua insistência em embirrar com Chaves conduziria, escassos dias depois, à dissolução da Assembleia da República.&lt;br /&gt;Para profunda infelicidade de Henrique Chaves, Casimiro simpatizara com Rui Gomes da Silva, o seu novo chefe, e, numa visita sem primeiras intenções às instalações do novo Ministério, dera de caras com Bonifácio, o segurança homossexual que conhecera no Ministério da Ciência, Inovação e Ensino Superior. Num verdadeiro &lt;i&gt;jackpot&lt;/i&gt; de azar para Chaves, Bonifácio, que possuía um desmesurado fascínio pelos fatos Maconde de Casimiro, havia sido transferido para o seu departamento. Em conjunto, os dois idealizariam o plano mais mal enjorcado de que algum Ministro alguma vez fora vítima: aproveitando o feriado de 1 de Dezembro, engendraram um sistema que lhes permitiu encavalitar sobre fios rentes ao tecto uma mão cheia de baldes de tintas de cores garridas. O resultado foi um ministro irreconhecível na manhã do dia seguinte, mal entrou no seu escritório, e as consequências foram as que se sabem: nova demissão de Henrique Chaves, nova chicotada psicológica no Governo, e uma decisão de Jorge Sampaio. Ainda antes do Natal, e numa verdadeira prova do seu apartidarismo, o Astro batia à porta do PS, mas a entrada ser-lhe-ia recusada, alegadamente porque «já cá temos o Tino de Rans. Obrigado e bom dia.»&lt;br /&gt;Casimiro continua sem cartão de eleitor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3761909316072644711-8230691712817349125?l=umgajoassim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umgajoassim.blogspot.com/feeds/8230691712817349125/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3761909316072644711&amp;postID=8230691712817349125&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/8230691712817349125'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/8230691712817349125'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umgajoassim.blogspot.com/2008/05/soberania-de-casimiro.html' title='A soberania de Casimiro'/><author><name>Radical Sonic</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3761909316072644711.post-3457328825646853975</id><published>2008-05-05T00:00:00.002+01:00</published><updated>2008-05-12T02:18:15.328+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ana Maria Cardoso'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='José Pedro Assis'/><title type='text'>Casimiro Castelo Branco</title><content type='html'>«Como se um dia os anjos descessem à Terra, te envolvessem nas suas asas e te levassem de mim. &lt;br /&gt;Assim acordei pensando que te perderia. Sem nunca teres sido realmente minha. &lt;br /&gt;Como se os deuses invejassem o amor que guardas dentro de ti. Assim desejei que os teus olhos caíssem em mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não queria acreditar. Estava a acontecer. Desculpa não ter conseguido acompanhar-te. O teu olhar ofuscou-me. Sem qualquer malícia, despiste-me com o teu olhar. Senti-me nu. Senti que não pertencia àquele lugar. &lt;br /&gt;Como se não bastasse, a tua mirada foi mais longe. Ultrapassaste-me. Beijaste-me a alma. Senti que não estava ali. O meu corpo não me pertencia. Eu não pertencia àquele lugar. &lt;br /&gt;Vi, no meio da lucidez que me restava, o movimento dos teus lábios. Fugi? Sim, mas levei-te comigo. Tu sabes. Aquela noite, aquele instante foi só nosso. Vive escondida no meio das respostas que ficaram por dar. &lt;br /&gt;Hoje, talvez hoje, eu queira essas respostas. Diz-me que não é ilusão, diz-me que não foi ilusão. Quero voltar a sentir-te daquela maneira. Mas mais perto agora. Quero ultrapassar o olhar e tocar-te desta vez. Sentir que és minha. Como naquele momento em que te entregaste, na festa.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Casimiro releu o que tinha acabado de escrever. Pareceu-lhe estar ao nível do que pretendia. Dobrou a folha em quatro e enfiou-a no envelope que tinha comprado horas antes. Já com o remetente e o destinatário devidamente identificados, o Astro molhou o selo a ser usado à medida que pensava: «Depois deste paleio todo, é desta que papo a gaja à Mantorras.»&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3761909316072644711-3457328825646853975?l=umgajoassim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umgajoassim.blogspot.com/feeds/3457328825646853975/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3761909316072644711&amp;postID=3457328825646853975&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/3457328825646853975'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/3457328825646853975'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umgajoassim.blogspot.com/2008/05/casimiro-castelo-branco.html' title='Casimiro Castelo Branco'/><author><name>L!NGU@$</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://img168.imageshack.us/img168/9800/629803163451127170cd3evy7.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3761909316072644711.post-6167757157702479611</id><published>2008-04-28T00:00:00.001+01:00</published><updated>2008-05-03T14:34:23.619+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ana Maria Cardoso'/><title type='text'>Casimiros outra vez</title><content type='html'>- Não pode ser. Isso é muito estúpido. Incoerente. Fisicamente impossível. &lt;br /&gt;O Astro estava completamente intrigado, não conseguia acreditar naquilo que tinha acabado de descobrir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Horas antes, por volta das 15:00, Casimiro estava no Groove com alguns amigos. No meio de muitas conversas e risos, o Astro sentiu-se observado. Olhando na direcção da rua, reparou num velhote com ar desnorteado. Parecia perdido e a precisar de ajuda. Sem se aperceber, o Astro dirigiu-se até ele para lhe prestar algum auxílio. Não entendeu porque raio o fez, nunca na vida tinha tido uma atitude de tão elevado altruísmo.&lt;br /&gt;- Olá, precisa de alguma coisa? - perguntou Casimiro.&lt;br /&gt;O olhar do idoso pareceu alegrar-se quando viu quem o interrogara.&lt;br /&gt;- Olá, então? Já estás por aqui? Não sei o que se passou, queria voltar a tua casa e vim aqui ter. Mas que se lixe, eu queria mesmo era explicar-te como a máquina funciona. Tem-na aí contigo?&lt;br /&gt;- Ah? Desculpe, senhor, mas não sei do que é que está a falar.&lt;br /&gt;- Como? - e olhou de novo, agora com mais atenção para Casimiro.&lt;br /&gt;- Ó que merda! Vim ter a outra realidade. Esta porcaria não atina mesmo. O pior é que estou mesmo a ver o outro a fazer porcaria. Dass!&lt;br /&gt;E o velho continuou a barafustar, mexendo numa bolsa que trazia consigo - parecia procurar alguma coisa -, até se lembrar que não estava sozinho:&lt;br /&gt;- Ah, tu! Já me ia esquecendo. Ouve, Casimiro, eu sou tu. Mas mais velho. Não era suposto tu saberes disto, já que és o mais atinadinho de nós, mas esta porcaria funciona mesmo mal e eu vim cá ter. Agora vou ter que te contar tudo.&lt;br /&gt;E assim foi. Num abrir e fechar de olhos, mais um dos Casimiros tomou conhecimento de realidades alternativas, de histórias cruzadas:&lt;br /&gt;- Vê lá tu que até existe uma em que nós não passamos de uma personagem sobre a qual, todas as segundas, se escreve uma história. Parecem parvos. - concluiu o Casimiro avô.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3761909316072644711-6167757157702479611?l=umgajoassim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umgajoassim.blogspot.com/feeds/6167757157702479611/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3761909316072644711&amp;postID=6167757157702479611&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/6167757157702479611'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/6167757157702479611'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umgajoassim.blogspot.com/2008/04/casimiros-outra-vez.html' title='Casimiros outra vez'/><author><name>L!NGU@$</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://img168.imageshack.us/img168/9800/629803163451127170cd3evy7.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3761909316072644711.post-142792089105045909</id><published>2008-04-21T00:00:00.004+01:00</published><updated>2008-05-03T14:31:33.169+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ana Maria Cardoso'/><title type='text'>Casimiro no céu</title><content type='html'>- Vá, agora é a tua vez. - ouviu uma voz quente e rouca dizer.&lt;br /&gt;Sentiu umas mãos frias tocar-lhe os lábios. Suavemente, aquelas que ele sabia serem as mãos de uma mulher começaram a percorrer todo o seu corpo, até se deterem no meio das suas coxas. A medo, entreabriu os olhos. Uma cabeleira ruiva. Uns olhos verdes admiravam o seu corpo, que ele notou estar nu. Como se não bastasse o desconforto da situação, os efeitos de uma mulher linda a tocar-lhe não demoraram a fazer-se sentir. &lt;br /&gt;Libertou-se de todos os seus receios e começou, também ele, a acariciar aquela que ele sentiu ser a pele mais suave que alguma vez tinha tocado. Deixou-se levar por toda aquela surreal situação. Beijou aquela mulher, aquela rapariga, aquela criança. Desejou-a, amou-a. Debaixo de um céu cheio de estrelas, ao lado de um mar sem ondas. Confundindo o cheiro da sua amante com a deslizante maresia que por eles passava. &lt;br /&gt;De repente, algo ainda mais estranho. Casimiro ouviu vozes. Sabia que elas não pertenciam ali e, contra a sua própria vontade, acordou. «Merda, não acredito que era um sonho. Parecia tão real. Mas que fónix é que me acordou?», indagou-se o nosso amigo. E então, o barulho voltou:&lt;br /&gt;«Trim trim... trim trim... Há coisas fantásticas, não há?» Era este o toque que Casimito tinha escolhido para o despertador do seu telemóvel. Fizera-o porque achava que não poderia haver melhor despertar do que aquele: imaginando as pernas da Ritinha, as mãozinhas da Joaninha e os lábios da Teresinha. E, de facto, assim acontecia. Casimiro costumava passar os dias com um sorriso nos lábios. Hoje, porém, aquele despertar tinha-o irritado. O sonho estava a ser demasiado bom, e real.&lt;br /&gt;Relutantemente, levantou-se. Sabia que, mesmo que conseguisse adormecer de novo, o sonho não voltaria. Arrastando os pés, tentou dirigir-se à cozinha, para comer alguma coisa. No entanto, ouviu umas vozes estranhas. Vinham da sala. «Que estranho! Pensava que estava sozinho em casa! Mas quem raio estará na sala?», intrigou-se o Astro. Girando nos pés, caminhou até à sala a passos largos e abriu a porta de rompante. Não queria acreditar no que os seus olhos viam:&lt;br /&gt;- Ritinha, Joa... TERESINHA??? Mas o que é que vocês estão aqui a fazer? Como é que...? &lt;br /&gt;Casimiro não estava a entender nada. As três meninas dirigiram-se a ele e estenderam os seus braços sobre os ombros do Astro, empurrando-o até ao sofá. Com os seus gestos, mais pareciam estar a venerá-lo. Acariciando-o e beijando-o, iam, lentamente, tirando-lhe a pouca roupa que ele trazia vestida.&lt;br /&gt;A verdade é que, desde que acordara, tudo o que se tinha passado foi muito estranho. Apesar disso, Casimiro não conseguia deixar de se sentir feliz e extremamente confortável. Pedir-lhes para parar e tentar perceber o que se estava a passar estava fora de questão. Assim, refastelou-se no sofá, deixando que elas continuassem com os mimos. &lt;br /&gt;Uma delas, não fazia ideia qual (e também não importava), dava-lhe beijos e pequenas mordidas no umbigo, e começou, lentamente, a descer. Sem aviso, uma dor: «Mas que raio! Porque é que ela me está a morder?» O Astro abriu os olhos. Encontrava-se no seu quarto, na sua cama. «Merda! Mais um sonho. Não posso acreditar... Estava a ser tudo tão real.»&lt;br /&gt;- Mirinho. Acorda, vá. - ouviu de novo uma voz quente e rouca chamar.&lt;br /&gt;Abriu os olhos. Mais um vez, uns grandes e lindos olhos verdes observavam-no. Porém, agora, o Astro conseguia reconhecê-los. Zezerina, o amor da sua vida, olhava para ele. &lt;br /&gt;- Zezerina?&lt;br /&gt;«Nah, não pode ser. Estou a sonhar outra vez! Que merda! Com a Zezerina não!», pensava o Astro. &lt;br /&gt;- Vai-te. Sai. Tu não és real. &lt;br /&gt;Virou-se, e tentou dormir. &lt;br /&gt;O despertador marcava 17:00. Casimiro acordou. Procurou por uma companhia que não encontrou: «Ah? A Zezerina não está aqui? Porque se terá ido embora?»&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3761909316072644711-142792089105045909?l=umgajoassim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umgajoassim.blogspot.com/feeds/142792089105045909/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3761909316072644711&amp;postID=142792089105045909&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/142792089105045909'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/142792089105045909'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umgajoassim.blogspot.com/2008/04/casimiro-no-cu.html' title='Casimiro no céu'/><author><name>L!NGU@$</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://img168.imageshack.us/img168/9800/629803163451127170cd3evy7.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3761909316072644711.post-1076018755677621106</id><published>2008-04-14T00:00:00.003+01:00</published><updated>2008-07-13T22:34:40.482+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fábio Vieira Fernandes'/><title type='text'>O pontapé de saída de Casimiro</title><content type='html'>O ano tem sido intenso para o Astro, que, depois de uma participação num Lisboa-Dakar que não chegou a acontecer, de uma frutífera e há muito ansiada viagem ao Brasil e da recente experiência de possessão e exorcismo, mal podia adivinhar que os festivais de Verão estão longe de constituir as próximas aventuras de destaque do seu vastíssimo cardápio pessoal. Como todos os anos, apesar de a sua carência financeira ser tal que o saldo disponível se afigura insuficiente sequer para os bilhetes, Casimiro já começou a fazer planos para os correr todos, de Paredes de Coura a Sagres. Enquanto aguarda fervorosamente pelo anúncio da segunda edição do inigualável Festival Credial Ponte de Lima, as suas expectativas maiores, a nível musical, recaem no acto lisboeta do Super Bock Super Rock, quando finalmente poderá ver ao vivo, ainda por cima no mesmo palco e na mesmo noite, Mika e Duran Duran. Contudo, a principal atracção dos festivais de Verão para Casimiro não se consubstancia na música, mas sim no "ambiente" que neles se cria, pelo que, com o desaparecimento latente do mítico Vilar de Mouros, é o Sudoeste o evento mais aguardado de ano para ano.&lt;br /&gt;Há já algumas semanas que o Astro se encontra a efectuar uma prospecção de mercado no sentido de adquirir uma nova tenda de campismo. Tal prospecção tem por premissa o numerário actualmente presente no bolso dos estilosos &lt;i&gt;jeans&lt;/i&gt; de Casimiro, o que explica a dificuldade em alcançar a sua conclusão: menos de 20 euros, a decrescer a cada noite de sábado que passa, darão, no máximo, para a tenda da &lt;i&gt;Barbie Campista&lt;/i&gt;. Na feira. Persistente inveterado, Casimiro tem então passado os seus tempos livres na cidade, fazendo marcação cerrada a todas as lojas de desporto e de actividades ao ar livre de todos os espaços comerciais que conhece. Semelhante insistência tem-no impedido, uma vez mais, de levar avante o plano de reabilitação do seu blogue, algo que já vem adiando desde o desafortunado Dia dos Namorados do ano passado, quando, cogitando na vida, o concebeu.&lt;br /&gt;Foi anteontem que a inesperada surpresa surgiu. Em mais uma tarde de sábado passada dentro de um centro comercial, encontrava-se Casimiro embrenhado precisamente em pensamentos vários sobre a questão do blogue na altura em que, entrando em mais uma superfície de venda de produtos de aventura, embateu distraidamente num indivíduo que dela saía. Virando-se, preparado - como era, aliás, seu hábito - para reclamar e proferir mil perjúrios improvisados contra a pessoa que tivera tal ousadia, o Astro deparou-se com um largo sorriso por debaixo de um bigode que tão bem conhecia: acabara de embater no senhor Lopes.&lt;br /&gt;O senhor Lopes é um vizinho de Casimiro já nos seus setenta anos. Viúvo desde 1973 (o Astro jamais se esquecerá de todas as vezes que ouviu a sua teoria sobre o desaparecimento de um pássaro que o seu pai tivera, segundo a qual «o Alexandre fugiu para ir procurar a minha Maria. Ele gostava tanto dela, coitadinho. Foi isso, com certeza que foi isso.»), o senhor Lopes tem dedicado os seus dias, desde que se reformou, a brincar com as crianças lá do bairro. Casimiro lembra-se bem de muitas das tardes que, enquanto petiz, passou em sua casa, a ver desenhos animados num confortável sofá azul e branco e a comer bolo de laranja ou outros deliciosos lanches. Na verdade, o Astro sempre viu o senhor Lopes como o avô que nunca teve.&lt;br /&gt;- Então, Mirinho? Como vai essa vida?&lt;br /&gt;- Está tudo bem, senhor Lopes... E a sua perna? Já está melhor?&lt;br /&gt;- Vai indo ao sítio, a pouco e pouco. Vou agora mesmo para a fisioterapia, por acaso. E que fazes tu por aqui? Ah, é verdade... Antes que me esqueça... Já estou para passar lá em casa há uns dias para vos dar isto... Onde é que eu os pus? Ah, cá estão. Ganhei-os aqui há atrasado no programa do Goucha. Não sei se o teu pai estará interessado em ir. De certeza que sim! Eu só não vou porque já não tenho idade para estas aventuras. Por isso, espero que vocês aproveitem bem a oportunidade. Vá, vou indo. Ná... Não precisas de agradecer, filho. Até logo.&lt;br /&gt;E Casimiro ali ficou, durante largos minutos, extático, a admirar o par de ingressos que o senhor Lopes lhe colocou nas mãos. Der por onde der, dia 7 de Junho, às 18:00, lá estará ele no St. Jakob-Park, em Basileia, Suíça, para assistir ao jogo inaugural do Euro 2008, que oporá a Suíça à República Checa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3761909316072644711-1076018755677621106?l=umgajoassim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umgajoassim.blogspot.com/feeds/1076018755677621106/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3761909316072644711&amp;postID=1076018755677621106&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/1076018755677621106'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/1076018755677621106'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umgajoassim.blogspot.com/2008/04/o-pontap-de-sada-de-casimiro.html' title='O pontapé de saída de Casimiro'/><author><name>Radical Sonic</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3761909316072644711.post-3760819864836853373</id><published>2008-04-07T00:00:00.000+01:00</published><updated>2008-04-07T22:59:11.291+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Jorge Quintas'/><title type='text'>O bigode de Casimiro</title><content type='html'>&lt;i&gt;I can be brown, I can be blue&lt;/i&gt;... Ah, já está a gravar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Casimiro foi a uma superfície comercial comprar material para realizar um projecto de bricolage, como já há imenso tempo pretendia. Já passava da hora do almoço quando Casimiro se lembrou de fazer uma mesa de costura com rodinhas. &lt;br /&gt;Chegou então a altura de Casimiro tomar a grande decisão, que só os homens de barba rija têm o arcaboiço para tomar: qual o tipo de contraplacado a usar?&lt;br /&gt;É que há vários tipos de contraplacado. O melhor seria certamente o contraplacado marítimo, pois a sua elevada resistência aliada ao facto de ser muito leve tornavam-no no melhor candidato. Contudo, é o mais caro! O mais apelativo ao bolso do Astro seria sem dúvida o contraplacado condensado, mas trata-se de um material de fraca qualidade, e, com o tempo, devido a humidades e afins, o projecto sofreria imensos problemas. Casimiro optou pela solução intermédia: o contraplacado MDF. Sendo bastante mais económico do que o contraplacado marítimo, oferece ainda uma resistência bastante aceitável.&lt;br /&gt;Casimiro comprou uma prancha de 1400mm x 1000mm x 16mm.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, é verdade, quase me esquece: o bigode de Casimiro é preto e encaracola nas pontas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3761909316072644711-3760819864836853373?l=umgajoassim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umgajoassim.blogspot.com/feeds/3760819864836853373/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3761909316072644711&amp;postID=3760819864836853373&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/3760819864836853373'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/3760819864836853373'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umgajoassim.blogspot.com/2008/04/o-bigode-de-casimiro.html' title='O bigode de Casimiro'/><author><name>Radical Sonic</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3761909316072644711.post-3249966290778710910</id><published>2008-03-31T00:00:00.007+01:00</published><updated>2008-04-07T22:57:08.476+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ana Maria Cardoso'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='José Pedro Assis'/><title type='text'>Casimiro passa no Campo Pequeno</title><content type='html'>Os relógios marcavam 19:35 no Alasca, mas isso nada interessa para esta história. Casimiro abre os olhos e olha para o despertador ao mesmo tempo que lhe atira a mão direita. Este marcava 9:35. Menos dez horas que no Alasca. O Astro acaba com aquela barulheira. Se há coisa que ele detesta, é ter de acordar com o barulho que aquelas coisas fazem, mas o dia é especial e, por isso, abre-se uma excepção. Levanta-se e dirige-se ao quarto de banho. Tem a bexiga a rebentar. À medida que a esvazia, vai revendo mentalmente os planos que fez para o dia. Está em pulgas. Sai daquela divisão em direcção à cozinha sem sequer pensar em molhar as mãos. Do frigorífico retira um iogurte e de um armário um pacote de bolachas. Segundos depois, está mergulhado no sofá de comando na mão a fazer &lt;i&gt;zapping&lt;/i&gt;. Não repara em nada do que o televisor vai transmitindo. Continua perdido nos planos a pôr em prática dentro de dez horas. A hora em que o Alasca se encontrava no momento. Finalmente o seu tio Reinaldo chega. O Astro já devia estar vestido. Sem demora, salta do sofá para o seu quarto e enfia umas calças de ganga nas pernas, umas sapatilhas nos pés e aquela sua camisola de um vermelho vivo, bonito, pela cabeça abaixo. Sem banho, sem passar qualquer parte do corpo por água. Não há tempo para cenas de maricas, não neste dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fazia algum tempo que tinham saído da terrinha em direcção ao sonho do Astro. Já tinham percorrido largas dezenas de quilómetros e ainda nem meio caminho estava arrumado. Nem o Alasca ficava tão longe no entender do Casimiro. Sem conseguir conter a excitação, o Astro solta o seu vigésimo quarto «Tio, ainda falta muito?». Sem paciência, Reinaldo responde asperamente: «Se me voltas a perguntar isso voltamos para trás e não lhe sentes sequer o cheiro.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficou furioso. Sentia-se em pulgas. Queria ter a certeza de que aquilo estava mesmo a acontecer. Que o tio o ajudaria a realizar um dos seus maiores e melhores sonhos, mas para isso precisava de perceber que estavam no caminho certo. Precisava de ver todo aquele ambiente, precisava de sentir toda aquela agitação típica de grandes espectáculos. Mas a ameaça do tio obrigou-o a manter-se de boca fechada. Não podia, nem queria, perder aquela oportunidade. Era única. &lt;br /&gt;Na esperança de não sentir a demora do tempo passar, e também porque não queria voltar a chatear Reinaldo, o que seria extremamente difícil caso se mantivesse acordado, encostou-se no banco, tentando adormecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Olé! Ei, touro lindo!! Olééé». A multidão, aglomerada nas bancadas, olhava, empolgada, a arena. Jorgino, o toureiro, estava já no meio da praça. Olhava fixamente algo que Casimiro não conseguia vislumbrar. Alto, de fatinho colado ao corpo, mão esquerda na cinta e capote vermelho na outra, parecia esperar alguém. Ou alguma coisa. Até que ela apareceu. A maior girafa que o Astro alguma vez tinha visto na vida. Com uma pele negra como uma noite sem luar, com uns cornos de impôr respeito, aquele animal fez a espinha de Casimiro sentir um enorme calafrio. Mas uma girafa preta e com cornos? O que era aquilo? O pessoal, em redor de toda a arena, explodiu. Batendo palmas, gritavam a uma só voz «Olé!». Foi então que Casimiro se apercebeu, e desesperou: «Eu sabia! Sabia que o meu tio me tinha enganado. Seria lá possível ele me levar onde eu queria realmente? Mentiroso!». Traído e agoniado. Era como Casimiro se sentia. Não aguentou a desilusão e deixou que uma grande e bem gorda lágrima lhe rolasse pela face abaixo. Ouvia alguém a chamar por si, mas não percebia de onde vinha aquela voz. Era voz de homem. Parecia o seu tio. Mas, naquele momento, nada lhe importava. Muito menos falar com o tio. Ele, que o tinha enganado. Que tinha destruído o seu sonho para sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mirinho! Miro... Ó Miro. Acorda, filho! - gritava Reinaldo. Não percebia o porquê de o sobrinho estar a chorar enquanto dormia, refastelado no banco de trás. &lt;br /&gt;- Vá lá, Miro! Estamos a chegar a Lisboa!&lt;br /&gt;O Astro não estava a perceber nada. Estavam numa tourada e o tio falava-lhe de estarem a chegar a Lisboa? Aquele paspalhão tinha-o enganado e ainda estava a gozar com a sua cara? Sentiu-se molhado e abriu os olhos de repente. Viu o tio com uma garrafa de água na mão e ouviu-o dizer:&lt;br /&gt;- Não estavas a acordar, Mirinho. Teve que ser assim. Já chegámos.&lt;br /&gt;Nunca Casimiro estivera na capital. Era a sua primeira vez em Lisboa. Olhou em redor, ainda dentro do carro, a percorrer a Segunda Circular. Tudo lhe parecia extremamente belo. Tudo lhe parecia enorme. Tudo lhe parecia grandioso. Tudo aquilo fazia parte do sonho. E, como que saído do nada, o Astro viu-o. Aquele enorme e belíssimo anfiteatro. Dentro de poucos minutos estaria lá dentro. Rodeado de milhares de pessoas com o mesmo desejo dele, a vibrar com tudo aquilo. Finalmente realizaria o seu sonho. Agora sabia que nada o impediria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrou. O relógio marcava a mesma hora que marcava no Alasca quando acordou. Casimiro não cabia em si de tanta felicidade. Toda aquela envolvente, todo aquele cheiro característico, em nada o admiraram. Em nada o desiludiram, mesmo sendo a primeira vez que os sentia. Sabia que tinha nascido para aquilo. Para estar ali. Aquele odor acompanhava-o desde que se entendia por gente. Por fim, iria mesmo assistir a um espectáculo a sério. As bancadas encontravam-se repletas de pessoas curiosas como ele. Nunca o Astro pensara que pudesse existir tanta gente interessada numa competição daquelas, apesar de saber que não lhe faltavam adeptos. Descobri-lo animou-o. De repente, o animal entra em cena. Toda a gente fixa os olhos naquele belo exemplar. Por momentos, fez-se silêncio no recinto. O Astro acompanhava todo o movimento realizado pelo bicho. Que beleza. Não aguentou e quebrou o silêncio que se fazia sentir:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Ah, grande águia Vitória. É hoje que espetamos quinze a zero aos tripeiros!»&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3761909316072644711-3249966290778710910?l=umgajoassim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umgajoassim.blogspot.com/feeds/3249966290778710910/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3761909316072644711&amp;postID=3249966290778710910&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/3249966290778710910'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/3249966290778710910'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umgajoassim.blogspot.com/2008/03/casimiro-passa-no-campo-pequeno.html' title='Casimiro passa no Campo Pequeno'/><author><name>L!NGU@$</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://img168.imageshack.us/img168/9800/629803163451127170cd3evy7.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3761909316072644711.post-2854867953404146815</id><published>2008-03-24T00:00:00.003Z</published><updated>2008-03-24T18:05:56.904Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fábio Vieira Fernandes'/><title type='text'>Casimiro sente o chamamento do Senhor</title><content type='html'>João Paulo II discursava animado naquele seu dialecto esquisito. A Praça de São Pedro encontrava-se, como sempre, repleta de gente, apesar da chuva miudinha que caía quase ininterruptamente. Algures por ali, sob um daqueles guarda-chuvas azuis, estaria certamente, em êxtase, atingindo píncaros de fé, o seu pai. Algures no quarteirão ao lado, numa garagem de um prédio, estaria certamente, a ensaiar com menos um elemento, a sua banda. E o Astro ali, na sala de sua casa, em frente ao televisor, todo engravatadinho à espera da hora da missa, na companhia de sua mãe, que não pudera ir ao Vaticano por causa do trabalho.&lt;br /&gt;Desde petiz que Casimiro estava habituado à «grande apetência para a religião» dos seus progenitores, como ele se lhe referia. Nunca gostara de ir à igreja ao domingo e odiara a catequese durante todos os anos que a fora obrigado a frequentar. Não que se considerasse ateu, dado que até conseguia descortinar algum interesse nos contos bíblicos. Simplesmente, não tinha paciência para o quinhão prático de tais lides. Além disso, de todas as festas religiosas, a Páscoa sempre foi, de longe, a mais expedita no que se refere a vascolejar as suas emoções: todas as missas e demais celebrações, todas as comidas típicas, todas as reuniões familiares e, sobretudo, todas as privações a que era sujeito se lhe afiguravam exageradas a um nível quase surreal.&lt;br /&gt;Naquele domingo de Páscoa em particular, fora, então, obrigado a madrugar para se janotar a tempo de ainda ver parte da transmissão televisiva da Eucaristia celebrada pelo papa. Mais tarde, iria, juntamente com a sua mãe e a sua tia de França, à missa da sua paróquia. O seu pai, por outro lado, concretizara finalmente o sonho de participar numa excursão de sensivelmente uma semana à Cidade do Vaticano, meta para a qual andara a juntar dinheiro desde que conseguira a reforma por invalidez. Devido à sua ausência, e também porque as obras de reconstrução de sua casa não haviam ainda terminado apesar de o incêndio ter ocorrido no Verão anterior, o almoço mais importante de toda esta época festiva iria este ano decorrer na luxuosa vivenda do Tio Reinaldo da França.&lt;br /&gt;Para Casimiro, o cenário não se poderia vislumbrar mais tenebroso: primeiro, teria de aturar o Padre Amaro por não menos do que uma boa hora e meia (o Astro já estava habituado a que a grande referência da terra no que se refere à ingestão de líquidos se entusiasmasse sempre nas datas mais importantes); depois, seria a vez de os seus primos mais novos Jean Pierre e Jean Michel o amofinarem durante horas com os seus brinquedos XPTO vindos lá de terras transpirinaicas; e, a somar a tudo isto, a azia por se encontrar com um risquinho ao meio a ver um velho gagá na televisão em vez de estar todo despenteado na garagem a curtir com o resto da malta já se fazia sentir com bastante intensidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às onze horas em ponto, o Padre Amaro surgiu perante os fiéis, e logo o Astro, entalado entre os primos na segunda fila da direita a contar do altar, reparou, com curiosidade, que o pároco se dava a conhecer invulgarmente sóbrio, tendo em conta a ocasião. «Menos mal... Sempre pode ser que se despache e, com sorte, nem mande as piadinhas do costume», pensou. Desde que Amaro o expulsara da igreja a meio de uma missa por levar a cabo, com o seu colega de catequese Constâncio, uma competição de traques, Casimiro nunca mais fora à missa com o «barril ambulante».&lt;br /&gt;De facto, e - apercebeu-se Casimiro - para estranheza de todos os presentes, a Eucaristia decorria de um modo que, noutra paróquia qualquer, se poderia apelidar de "normal". Pelo menos, assim foi até ao sacramento da comunhão. Usualmente, enquanto o padre executava o ritual de tomar o corpo e o sangue de Cristo, os fiéis iam posicionando-se ordeiramente por forma a também eles comungarem. Estavam já duas filas de tamanho considerável formadas quando, sem nada que o fizesse prever, Amaro voltou a atestar o copo. Terminando de o beber, atestou-o uma vez mais. E outra. E outra. E mais umas quantas. Até que, dando conta do esgotamento do &lt;i&gt;stock&lt;/i&gt; de sangue do Salvador, encheu o peito de ar e proclamou:&lt;br /&gt;- Alguém que vá ao Ósteas comprar uma garrafinha! Podem dizer para pôr na minha conta.&lt;br /&gt;Todas as pessoas se entreolharam, abismadas com o que se estava a passar. Vendo que nem vivalma se mexia, o padre gritou um sonoro «JÁ!» antes de ameaçar não continuar o sermão se não lhe fosse satisfeita a exigência. Dito isto, o Astro prontificou-se para ir até ao café, ao que a senhora Castro, que se mostrava profundamente chocada com os acontecimentos a que acabara de assistir, reagiu com bastante relutância. Após alguma insistência, o jovem Casimiro conseguiu livrar-se das rédeas da mãe e saiu para a rua, com um sorriso a esboçar-se na sua face perante a sensação de uma amostra de liberdade. «Vá lá... Afinal, nem tudo está a correr mal.»&lt;br /&gt;Uma vez no Café do Ósteas, local para onde fugia de quando em vez para jogar nas máquinas com os seus compinchas, o Astro aproveitou a possibilidade de direccionar as despesas para a conta do Padre Amaro e debitou ao velhíssimo dono do estabelecimento uma lista que incluía diversos itens para além da simples garrafa de tinto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cambaleando ligeiramente devido ao elevado peso dos sacos que transportava em ambas as mãos, Casimiro precipitou-se pela sacristia adentro, onde encontrou o presbítero à sua espera, quase em desespero.&lt;br /&gt;- Finalmente!&lt;br /&gt;- Pois... É que... Bem, o Ósteas disse que o senhor padre era capaz de querer tudo isto... - o Astro entregou as bebidas ao já ruborizado sacerdote.&lt;br /&gt;- Oh! Sim, sim... Realmente, aquele anormal já sabe bem o que a casa gasta! Hehe! Bom homem, o Ósteas... Bom homem...&lt;br /&gt;- O senhor padre agora vai continuar a missa? - perguntou timidamente o Astro, querendo acreditar que Amaro lhe daria a resposta que ele imaginara.&lt;br /&gt;- Qual quê! - retrucou o padre, corroborando as esperanças de Casimiro. - Íamos lá agora continuar com aquele palanfrório todo, queres ver? Vamos mas é desfrutar destes néctares divinos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, inserido neste belo quadro de convívio, o Astro não só voltou a simpatizar com o bonacheirão Padre Amaro, como ainda se sentiu mais religioso do que nunca, celebrando a ressurreição de Jesus. Eram já quase duas horas da tarde quando ambos foram encontrados nos lavabos da sacristia. Amaro estava inconsciente, e o Astro, que só voltaria a conseguir comer amêndoas lá para o fim da Pascoela, não parava de apregoar aos sete ventos o seu desejo de se tornar sacerdote quando fosse grande.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3761909316072644711-2854867953404146815?l=umgajoassim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umgajoassim.blogspot.com/feeds/2854867953404146815/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3761909316072644711&amp;postID=2854867953404146815&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/2854867953404146815'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/2854867953404146815'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umgajoassim.blogspot.com/2008/03/casimiro-sente-o-chamamento-do-senhor.html' title='Casimiro sente o chamamento do Senhor'/><author><name>Radical Sonic</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3761909316072644711.post-4563865064830845020</id><published>2008-03-17T00:00:00.024Z</published><updated>2008-03-18T01:48:03.369Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fábio Vieira Fernandes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='José Pedro Assis'/><title type='text'>Casimiro vai mais Além</title><content type='html'>No palco, uma senhora que aparentava ter menos de trinta anos traduzia as palavras alemãs proferidas minutos antes. Na plateia, lágrimas escorriam de jovens olhos mal pintados, cartazes com muitos 'X' eram amachucados por mãos nervosas e revoltadas, miúdos inocentes que acompanhavam as namoradas eram agredidos. O caos estava instalado, e nada fazia parar o bando de raparigas que procuravam, enraivecidas, um livro de reclamações onde pudessem descarregar as suas frustrações. Aquilo não podia estar a acontecer. Não podia mesmo. Eles não podiam ter feito uma coisa assim! Tantas horas mal dormidas naquela calçada gélida na noite anterior. Tantas horas passadas durante o dia entre empurrões, insultos lançados em murmúrios preferencialmente inaudíveis e sandes mal trincadas devido à excitação. E agora, em segundos, todos estes sacrifícios revelavam-se vãos. Alguém ia ter de morrer graças a esta brincadeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A muitos quilómetros de distância, alheado de todos estes acontecimentos, Casimiro encontrava-se embrenhado num arrebatador jogo de &lt;i&gt;strip poker&lt;/i&gt; num Groove já encerrado a novos visitantes, sobretudo se estes fossem agentes da Guarda Nacional Republicana. As coisas não corriam bem para o Astro, que já não vestia mais do que uma &lt;i&gt;wifebeater&lt;/i&gt; e uns boxers do rato Mickey, mas dificilmente ele poderia importar-se menos. Afinal, o jogo afigurava-se ainda mais desfavorável às três galdérias romenas que a pandilha de boémios contratara para o serão dedicado às cartas.&lt;br /&gt;Mais uma jogada infeliz, e mais um rol de pragas rogado por Casimiro ao inventor do póquer. Eis que, com o tronco já ao léu e em posição para retomar a jogatana, sente o seu auto-controlo esvair-se do corpo a uma velocidade vertiginosa. Com efeito, numa fracção de segundo, os restantes elementos à volta da mesa viram o Astro ficar invulgarmente imóvel numa posição digna de um guarda real do Palácio de Buckingham. Tendo-se mostrado primeiro fechados, rapidamente os seus olhos se esbugalharam. Seria alguma espécie de transe? Ao fim e ao cabo, o Astro já se havia esticado bastante no consumo de líquidos e na inalação de fumos, mesmo para os seus padrões habituais.&lt;br /&gt;Num repente, Casimiro levanta-se, pega no batom de cor preta de uma das senhoras de Leste e unta exageradamente os lábios. Todo o Groove congela. Todo à excepção do Astro, que, sem vacilar, agarra uma saia negra de couro, pertença de outra das raparigas sentadas à mesa de onde acabara de se levantar, abandonada pelo chão e enfia-a pelas pernas acima com toda a perícia de quem faz aquilo há muitos anos. Barnabé, de todos o que melhor conhecia Casimiro, estava petrificado. Nunca antes a ganza tinha batido daquela maneira ao seu melhor amigo. Após vestir um &lt;i&gt;top&lt;/i&gt; negro com reflexos vermelhos, e ignorando toda a envolvente humana, Casimiro procura acessórios para melhorar a sua &lt;i&gt;toilette&lt;/i&gt;. Tanto a toalha preta pendurada no quarto de banho como o lenço vermelho que Jorge trazia no bolso do casaco que usara horas antes no casamento da irmã serviram para aprimorar todo aquele modelito. Ninguém conseguia entender o que se estava a passar, e pior ficaram quando o Astro desatou a debitar, num tom por demais estridente, palavras sem nexo: «&lt;i&gt;Beyond the world&lt;/i&gt;... &lt;i&gt;Don't you turn around&lt;/i&gt;... Ahhhhh!...  Benfica! &lt;i&gt;Just me and you&lt;/i&gt;... &lt;i&gt;It's time to run&lt;/i&gt;... &lt;i&gt;Hey&lt;/i&gt;! &lt;i&gt;Hey&lt;/i&gt;!...»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa das mesas mais recônditas do Groove, na zona em que as lâmpadas há muito se encontravam fundidas por pura negligência da parte de Eric, encontrava-se o Padre Amaro. Como em todos os domingos, dormitava agarrado à sua fiel amiga: a garrafa de absinto. Garrafa esta que se ia esvaziando à medida que o padre ia emborcando &lt;i&gt;shots&lt;/i&gt; «à saúde de» todos os presentes e de quem mais se lembrava.&lt;br /&gt;Os gritos que Casimiro largava com tanta vontade fizeram-no despertar. Não necessitou de muito tempo para, do alto da sua perspicácia, logo compreender o que ali se estava a passar. Os pequenos pormenores que toda a gente presente no bar àquela hora não conseguia vislumbrar esbarravam com toda a força nos olhos calejados de Amaro: Casimiro estava possuído. Nem o elevado nível de álcool no sangue o impediu de levantar-se e avançar destemido porém com cautela em direcção ao corpo alterado do Astro. Sem dar mostras de hesitar por um segundo que fosse, deu ordens aos presentes para que lhe fornecessem objectos que lhes pareceram completamente despropositados para a ocasião. Nesse momento, uma das imigrantes de Leste abriu a boca para insultar o padre por todo aquele estendal aparentemente sem sentido. Ouviu-se também Eric soltar, de detrás do balcão, um suspirado «Bêbedo... sempre bêbedo!» Como mandava o seu feitio, o Padre Amaro arremessou o copo de &lt;i&gt;shot&lt;/i&gt; na direcção do dono do Groove, ao mesmo tempo que gritava com toda a autoridade: «Seus anormais, devem pensar que se exorciza um corpo possuído por uma fã dos Tokio Hotel furiosa com umas gotinhas de água benta e um crucifixo... Isto não é um demónio qualquer, seus anormais!»&lt;br /&gt;Padre Amaro era já um padre com muita experiência, quer de Igreja, quer de bebida. Na sua paróquia, sempre correra o rumor de que fora um grande exorcista quando ainda não se havia entregue totalmente ao álcool. Contudo, Amaro sempre desmentira tais boatos, alegando que nada tinha a ver com essas coisas e que tudo não passava de umas brincadeiras que gostava de fazer com texugos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de imobilizada sobre uma mesa, a versão pseudo-gótica de Casimiro continuava a tentar debater-se como lhe era permitido - nomeadamente, cantando sobre tempestades tropicais. «&lt;i&gt;Nan&lt;/i&gt; lhe podemos tapar a boca?», indagou outra romena, a da cabeleira mais clara. «É óbvio que não, ó Maria Madalena», respondeu prontamente o padre, afoito com os últimos preparativos para o exorcismo. «Ele vai ter de se vomitar todo. Com aquela quantidade de minis bebidas, qualquer anormal vai ao grego.» De mãos na cabeça, Eric lamentava-se: «Mas porquê? Por que é que estas coisas só me acontecem a mim? Como é que, com isto neste estado, vou conseguir abrir o tasco de manhã?» Ninguém lhe respondeu. Pelo contrário, um «uau!» colectivo fez-se ouvir quando, com um bater das palmas das mãos, Amaro fez todas as luzes do Groove, à excepção da que brilhava precisamente sobre a cabeça do Astro, apagarem-se em simultâneo. «Anormais inocentes!», protestou, acrescentando: «Não repararam que falta aqui alguém? Mandei o Jorge ir desligar as luzes. Ai... É por causa de desatenções dessa estirpe que acabais sempre encornados, seus anormais. A juventude já não é o que era no meu tempo...» Passou um olho pelos objectos que lhe tinham colocado à disposição na mesa ao lado da ocupada por Casimiro. «Rodeado por canalha... Isto tinha que me acontecer de novo quando estou rodeado por canalha...», comentou entre dentes, antes de gritar a uma das senhoras: «Ouve lá, ó frutinha! Não funcionas muito bem da cinta para cima, pois não? Eu disse que não tratava disto só com água benta e um crucifixo, mas continuam a fazer falta. Despendura mas é essa cruz que tens pousada sobre a prateleira e vai encher-me um copo de água. Sem gás, sua anormal!»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com tudo finalmente a postos, Amaro enfrenta decidido o seu demónio:&lt;br /&gt;- Quem és tu, minha anormal?&lt;br /&gt;- Eu sou a Ninhas - respondeu uma voz feminina proveniente da boca do Astro.&lt;br /&gt;- Ai és a Ninhas... E não tens nome de gente?&lt;br /&gt;A conversa entre o sempre constrangedor Padre Amaro e um Casimiro possuído por uma jovem arrogante prosseguiu animadamente, enquanto esta ia descrevendo a terrível desilusão que o adiamento do concerto dos seus ídolos representava.&lt;br /&gt;- Então tu resolveste achar que a solução passava por matares alguém, de preferência o senhor Covões? Que anormal... Obviamente, não foste bem sucedida nessa missão. Foi por isso que te suicidaste?&lt;br /&gt;- Não... Eu suicidei-me porque não suportava viver sabendo que o Bill tem uma laringite...&lt;br /&gt;Foi a gota que transbordou o copo da paciência de Amaro, que, perdendo a réstia de compostura que ainda mantivera até então, assentou duas sonoras chapadas na cara do pobre Casimiro:&lt;br /&gt;- Sua anormal! Ele nem sequer é um gajo a sério! Vou mas é para casa... Não estou para aturar fantochadas... A minha vida não é isto...&lt;br /&gt;Dito isto, virou costas e dirigiu-se à saída. O Astro chorava compulsivamente. Todos os restantes, que permaneceram impávidos durante o desenrolar de todos estes acontecimentos, entreolharam-se, estupefactos.&lt;br /&gt;- Mas que vou eu fazer com este trambolho amarrado à mesa? - questionou Eric.&lt;br /&gt;- Ah, pois... Dêem-lhe um &lt;i&gt;Ben-u-ron&lt;/i&gt;, que isso passa. E um &lt;i&gt;shot&lt;/i&gt; de absinto, já agora, porque os exorcimos sem vómitos não têm piada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3761909316072644711-4563865064830845020?l=umgajoassim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umgajoassim.blogspot.com/feeds/4563865064830845020/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3761909316072644711&amp;postID=4563865064830845020&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/4563865064830845020'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/4563865064830845020'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umgajoassim.blogspot.com/2008/03/casimiro-vai-mais-alm.html' title='Casimiro vai mais Além'/><author><name>Radical Sonic</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3761909316072644711.post-8435678718061409153</id><published>2008-03-10T00:00:00.005Z</published><updated>2008-03-10T13:53:05.321Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Luís Oliveira'/><title type='text'>Casimiros</title><content type='html'>Coelhos da &lt;i&gt;Duracell&lt;/i&gt; gigantes.&lt;br /&gt;Casimiro tropeçou na calçada enquanto o bando de coelhos da &lt;i&gt;Duracell&lt;/i&gt; gigantes que o perseguia se tornava cada vez mais próximo. O Astro ofegava, zonzo, e só lhe apetecia vomitar tal era o terror que se tinha apoderado dele. Tentou levantar-se, em vão, pois quando olhou já os coelhos o tinham rodeado e o olhavam com um ar ameaçador e dentes escancarados. Num acto de desespero, Casimiro levou as mãos aos céus e bradou loucamente:&lt;br /&gt;- Meu Deus! Por favor afasta-os de mim! Eu juro que nunca mais fumo daquela merda!!&lt;br /&gt;Fez-se silêncio. O Astro olhou em redor e constatou que os coelhos da &lt;i&gt;Duracell&lt;/i&gt; gigantes haviam desaparecido. "Ufa!", pensou Casimiro, "Devia começar a rezar para o Benfica ganhar o campeonato!" Piscando os olhos, reparou num travesti que o olhava surpreso, do outro lado da rua. O travesti virou-se rapidamente e começou a descer a rua. "Normalmente fugiria eu dele", pensava Casimiro enquanto se dirigia para casa.&lt;br /&gt;Eram 6 da manhã e o nosso herói tinha acabado de sair do Groove, completamente embriagado e pedrado. Fora lá que os coelhos apareceram, e ele saíra do bar aos berros e saltos, para gáudio de todos. Já era normal Casimiro fazer destas cenas e todos achavam uma paródia. O Astro sabia que não passava de uma alucinação, mas mesmo assim os coelhos pareciam mesmo reais e assustadores. Quando chegou a casa dirigiu-se rapidamente para a retrete, vomitando tudo o que ingerira nas últimas horas. Por sorte que o seu pai não se encontrava em casa, devido aos novos turnos do trabalho.&lt;br /&gt;Casimiro subiu as escadas, dirigindo-se para o seu quarto, e quando pôs a mão na maçaneta da porta, todo o quarto explodiu, enquanto ele foi projectado para o fundo do corredor e estilhaços de madeira e tijolo voaram por todo o lado. Quando o Astro se recompôs, não queria acreditar no que via. As duas paredes do seu quarto que davam para o interior da casa haviam desaparecido. Apenas as paredes exteriores se encontravam de pé, embora as janelas lhes tivessem sido arrancadas. Por toda a casa choviam cinzas e pequenos estilhaços incandescentes. Casimiro nem se deu conta que estava inteiro e com quase nenhum arranhão, pois a sua atenção agora estava presa no sítio onde antes estivera a sua cama.&lt;br /&gt;Uma enorme esfera armilar prateada rodopiava a velocidades cada vez menores, e, dentro dela, um homem com uma bata branca e de longos cabelos e barba brancos carregava sucessivamente nos comandos da sua cadeira, acoplada à esfera armilar. Casimiro deixou cair uma lágrima enquanto pensava: "Cruzes, aquela erva era mesmo boa! Agora estou a ver o &lt;i&gt;Gandalf&lt;/i&gt; com uma máquina do juízo final!!"&lt;br /&gt;Quando os elos da esfera pararam de girar, o velho que nela se sentava olhou em redor, com um grande sorriso na cara. Quando pousou os olhos sobre um Casimiro atónito, exclamou:&lt;br /&gt;- Já não me lembrava como sou bonito! - e o Astro arregalou ainda mais os olhos.&lt;br /&gt;- Não sabes quem eu sou? - perguntou o velho, sempre sorridente. Após alguma hesitação, Casimiro berrou:&lt;br /&gt;- Sei! Chamas-te Charro e fumei-te à meia hora! Agora desaparece! Tu não és real!&lt;br /&gt;O velho soltou uma gargalhada enorme e levantou-se da cadeira, dirigindo-se para o Astro.&lt;br /&gt;- Estou a ver que escolhi uma daquelas noites de fostedo – gracejou o velho. – Um dia vais mudar muito, Miro. E parece que esse dia é hoje. Toma, isto é para ti – e entregou a Casimiro um relógio cheio de botões e luzes e um ecrã digital onde tinha escrito a data daquele dia.&lt;br /&gt;O Astro começou a rir-se e disse:&lt;br /&gt;- Isso é para eu me transformar em &lt;i&gt;Power Ranger&lt;/i&gt;? Tu és o &lt;i&gt;Zordon&lt;/i&gt;? Meu, nunca um charro me bateu tão mal!&lt;br /&gt;- Não, eu não sou o &lt;i&gt;Zordon&lt;/i&gt; nem isto serve para te transformares em &lt;i&gt;Power Ranger&lt;/i&gt; – disse o velho. – O meu nome é Casimiro Castro, tenho quase 80 anos e isto é uma máquina do tempo que fiz especialmente para ti. Aquela ali também é uma máquina do tempo, mas foi o meu primeiro modelo, e como viste é bastante perigosa - apontou o velho para a esfera armilar da qual tinha saído.&lt;br /&gt;- HAHAHA!! – riu-se Casimiro. – Estás a querer dizer que és eu daqui a uns 50 anos e que inventaste a máquina do tempo e vieste ao passado dar-me uma também a mim??? Já agora, que tal está o mundo lá pelo futuro? Quando é que o Benfica vai ganhar o campeonato? O Zé Cabra lançou mais algum álbum? – gozou o Astro.&lt;br /&gt;E foi aí que o sorriso do velho desapareceu pela primeira vez. Olhando para o chão, e com muita tristeza nos olhos, disse:&lt;br /&gt;- O Benfica nunca mais ganhou o campeonato. Deixou de jogar de jeito e inclusive desceu para a segunda divisão – e agora era Casimiro que já não se ria mais, perante as lágrimas que escorriam pela cara do velho. – O Zé Cabra morreu com a SIDA, um ano antes de descobrirem a cura. Muito chorei quando vi a notícia na televisão... 50% da população humana são chineses muçulmanos! É que não podiam ser chineses ou muçulmanos! São exactamente as duas coisas. A única coisa boa que aconteceu foi o José Sócrates admitir que o seu governo era uma ditadura. Ainda lá está o filho da mãe. Tem mais de 100 anos e ainda está fino. Deve ser do &lt;i&gt;jogging&lt;/i&gt; que fazia todos os dias.&lt;br /&gt;O velho sentou-se de novo na sua máquina do tempo, cabisbaixo. Recomeçou a mexer nos comandos e as luzes acenderam-se. Enquanto Casimiro olhava para ele boquiaberto, o velho rematou:&lt;br /&gt;- Tenho que ir embora. A Zezerina não gosta que eu ande por aí a viajar no tempo e a explodir com os sítios onde aterro. Eu sei que não estás a acreditar em mim, mas como prova digo-te isto: eu sei sobre a tua filha.&lt;br /&gt;Casimiro arregalou ainda mais os olhos, e ia questionar o velho quando os elos da esfera armilar começaram a girar a velocidades cada vez maiores e criando uma grande luz. O Astro afastou-se com medo de outra explosão, mas com um enorme clarão, a esfera desapareceu de repente.&lt;br /&gt;O nosso herói ficou de pé, de olhos abertos a olhar para o nada e com um estranho aparelho em forma de relógio na mão. "Quem caralho era este gajo?!", pensou Casimiro. "Que raio de futuro era aquele do qual ele falou? Isto não me parece nenhuma alucinação! Ele parecia mesmo real! Será que esta merda me permite viajar no tempo...?", indagou-se o Astro olhando para o grande botão vermelho no centro do aparelho. "E como sabia ele da minha filha?? Só duas pessoas sabem disso e nenhuma delas me iria pregar uma partida com isso!" Mais uma vez Casimiro sentiu o vómito a subir-lhe pela garganta acima. Com uma enorme raiva despoletada pela lembrança daquelas memórias recalcadas, o Astro atirou com o aparelho contra a parede e correu para a casa de banho.&lt;br /&gt;Quando voltou, Casimiro vinha decidido. "É fácil tirar isto a limpo", pensou. "Basta testar o aparelho e já vejo se isto é verdade ou se é uma alucinação." Mas então deparou-se com o aparelho caído no chão, com a tampa de fora e fios soltos.&lt;br /&gt;- Merda, pá! – berrou Casimiro, correndo para junto da parede onde se encontrava o aparelho. – Já fiz merda outra vez!&lt;br /&gt;O aparelho tinha a tampa de fora, mas era fácil de pôr no lugar. O problema parecia ser os três fios soltos que tinha. &lt;br /&gt;"Merda! O gajo nem me ensinou como se mexe nesta merda nem como funciona!", pensou o Astro. "Eu não vou saber reparar isto!"&lt;br /&gt;Casimiro examinou os três fios. Um vermelho, um azul e um verde. "O azul é que eu não ligo ao vermelho!", pensou. "Vai ter que ficar um solto, e parece que é o azul, hehe!" Uniu o fio vermelho ao verde e colocou a tampa no sítio. Apertando o aparelho no pulso, Casimiro reparou nos três botões por baixo do mostrador onde estava a data desse dia. Premindo os botões, ajustou a data para o dia da morte da sua mãe. "Não custa nada acreditar", pensou. "Nem tentar."&lt;br /&gt;O Astro respirou fundo e olhou em redor para o que restava do seu quarto. "Volto a tempo do pequeno-almoço", pensou, premindo o grande botão vermelho.&lt;br /&gt;Fez-se silêncio.&lt;br /&gt;Nada aconteceu.&lt;br /&gt;- Bem... Parece que o charro já perdeu o efei... - disse Casimiro quando de repente o chão se abriu debaixo dos seus pés e caiu a grande velocidade num vazio negro.&lt;br /&gt;Casimiro rodopiava e caía a grande velocidade num imenso fosso negro ao mesmo tempo que à sua volta iam aparecendo centenas de imagens difusas e desfocadas, no meio das quais o Astro caía. Passando tangente a todas estas imagens que rodopiavam à sua volta, Casimiro olhou para baixo, tentando avistar um fundo que não existia, mas o que viu foi uma dessas imagens a aproximar-se cada vez mais, exactamente na sua linha de queda. Nunca o Astro teve tanto medo na sua vida como estava a ter agora. O coração parecia querer saltar-lhe para fora, perante a possibilidade de um choque cada vez mais iminente. As primeiras lágrimas saíram-lhe dos olhos devido à grande velocidade de queda, mas as lágrimas seguintes eram do puro terror que sentia perante o grande choque que estava a escassos segundos de o esborrachar contra aquela imagem.&lt;br /&gt;Casimiro fechou os olhos com força, contando os seus últimos segundos de vida: 4... 3... 2... 1...&lt;br /&gt;Poft!&lt;br /&gt;Casimiro aterrou numa alcatifa.&lt;br /&gt;"Estou inteiro!!", pensou. A colisão com o solo parecera apenas a de um pequeno salto de um metro ou pouco mais. Olhou para cima, e viu que havia um tecto. "Por onde raio eu caí?", indagou-se.&lt;br /&gt;O nosso herói olhou em redor e reparou que estava no seu quarto. Não o quarto destruído que havia deixado, mas sim o seu quarto inteiro, com tudo no sítio, exactamente antes de o seu equivalente do futuro o destruir.&lt;br /&gt;- C'um Catâno!! Consegui!! Voltei ao passado!! O velho tinha razão! Esta cena viaja mesmo no... - disse Casimiro, olhando para o aparelho, e constatando que o mostrador ainda indicava a data da qual tinha partido, e não a do dia da morte da sua mãe, há alguns anos atrás. "Que se passa com isto?", pensou. "Queres ver que retrocedi no tempo apenas algumas horas? Será que, do choque contra a parede, pus estas porcaria a funcionar mal?"&lt;br /&gt;Estava o Astro com estas inquietações, quando ouviu vozes familiares a aproximar-se. Vozes cujos donos Casimiro não queria encontrar, muito menos o da voz feminina.&lt;br /&gt;Antes que eles entrassem no quarto, Casimiro esgueirou-se para o guarda-fatos e escondeu-se lá, deixando uma fresta para poder ver sem ser descoberto.&lt;br /&gt;Quando a porta se abriu, entrou no quarto um jovem exactamente igual a Casimiro, e aparentando a mesma idade, de mão dada com uma rapariga, que apesar de o Astro já a ter reconhecido pela voz, foi com grande choque que a viu de novo, exactamente igual à última vez que a vira, só que desta vez com um grande sorriso estampado no rosto.&lt;br /&gt;Irene atirou com o seu companheiro para cima da cama, despiu a &lt;i&gt;t-shirt&lt;/i&gt; e a saia, ficando apenas em &lt;i&gt;lingerie&lt;/i&gt; e atirou-se para cima da cama, enquanto o seu companheiro se despia também, adivinhando-se já o que se seguia.&lt;br /&gt;Dentro do guarda-fatos, tanto o coração de Casimiro como a cabeça andavam a 100 à hora. "Isto não pode ser o passado!", pensou. "Eu nunca trouxe a Irene para aqui! Isto não pode estar a acontecer em nenhum tempo! Nem no futuro eu ia querer, nem ela!" Foi aí que Casimiro reparou numa fotografia na mesa-de-cabeceira. Ele e Irene abraçados. E a fotografia já aparentava ter uns aninhos. "Tenho que voltar rápido! Esta não é a minha realidade! Isto não pode acontecer!", pensou o Astro enquanto ajustava o aparelho mais uma vez para o dia da morte da sua mãe e premia o botão vermelho. A última coisa que Casimiro viu antes de cair no fosso negro foi Irene a chupar o sexo ao seu equivalente daquele mundo.&lt;br /&gt;Mais uma vez o nosso herói caía a alta velocidade no fosso negro, à medida que aquelas imagens desfocadas rodopiavam à sua volta. Quando estava quase a colidir com uma dessas imagens, Casimiro fechou os olhos com força, desejando encontrar a realidade que procurava.&lt;br /&gt;Mais uma vez o Astro aterrou em cima de algo fofo. E frio. Muito frio.&lt;br /&gt;Quando abriu os olhos, deparou-se com uma imensa planície de neve. Nevava por todo o lado. O céu estava coberto de nuvens. Até onde a vista alcançava, só se via neve.&lt;br /&gt;Uma era glaciar de um futuro longínquo veio-lhe à cabeça, mas essa ideia foi logo afastada quando olhou para a máquina do tempo e mais uma vez viu que estava na data inicial da qual tinha partido. Já tinha viajado duas vezes e tinha aterrado em presentes alternativos. "Que raio está a acontecer?!", pensou.&lt;br /&gt;Foi então que reparou que já não sentia os pés, e que a neve que caía já se acumulava acima dos joelhos.&lt;br /&gt;"É melhor sair daqui antes que fique enterrado. Aqui não vou encontrar ninguém.", pensou, enquanto mais uma vez digitava a data da morte da mãe, e era engolido pelo fosso negro.&lt;br /&gt;Desta vez, a queda demorou mais tempo. Passaram-se imensos segundos enquanto o nosso herói caía por entre aquela escuridão e aquelas imagens difusas. Apesar de já ser o terceiro "salto" que dava, o terror que sentia não tinha diminuído em nenhuma vez. Parecia mesmo mais medonho ainda. Parecia que aquela queda não ia acabar nunca.&lt;br /&gt;Mas o Astro lá acabou por chocar numa das imagens e, mais uma vez, aterrou numa alcatifa. Na mesma alcatifa, concluiu ao abrir os olhos.&lt;br /&gt;O seu quarto. Exactamente como o conhecia.&lt;br /&gt;Antes de mais, Casimiro olhou para a máquina do tempo, constatando que mostrava a mesma data outra vez.&lt;br /&gt;"Avariei mesmo esta merda, pá!", pensou. "Como raio vou regressar a onde parti?!"&lt;br /&gt;Enquanto pensava nisto, olhou em redor. Não havia fotografias na mesa-de-cabeceira. Nunca fora muito dessas coisas. Na parede, junto à porta estava a bandeira do SLB, tal como ele a tinha posto. E, no computador, alguém tinha estado a pôr fotos de gente nua num blog.&lt;br /&gt;O Astro aproximou-se para ver melhor, quando sentiu algo duro a bater violentamente na sua cabeça. Caindo ao chão, sentiu uma dor aguda na nuca e a escuridão a cobrir-lhe os olhos e perdeu os sentidos.&lt;br /&gt;Quando acordou, Casimiro viu que se encontrava no mesmo sítio, mas atado a uma cadeira, enquanto à sua frente estava um rapaz exactamente igual a ele, que andava de um lado para o outro, bastante nervoso, com uma frigideira na mão direita e uma garrafa de vodka na esquerda.&lt;br /&gt;Quando o jovem viu que Casimiro acordou, chegou-se à beira dele preocupado, dizendo:&lt;br /&gt;- Fogo, 'tava a ver que te tinha posto em coma! - E, logo a seguir, tentando moldar uma expressão assustadora na cara, gritou:&lt;br /&gt;- Quem és tu?! Como caralho és igual a mim e como entraste aqui??&lt;br /&gt;Casimiro virou a cara de lado, tentando desviar-se dos perdigotos que lhe caíam em cima.&lt;br /&gt;- Se eu te contasse, não ias acreditar – disse o Astro, fechando os olhos devido à forte dor que sentia na cabeça.&lt;br /&gt;- Podes tentar – retorquiu o outro, dando mais uns goles na garrafa de vodka.&lt;br /&gt;- Tu lá sabes... O meu nome é Casimiro Castro, tenho 26 anos, e recebi a visita de um velho de 80 anos que me disse que era eu do futuro e que me deu isto – disse Casimiro apontando para a máquina do tempo, no seu pulso. – O gajo disse-me que era uma máquina do tempo, e então eu estive a tentar viajar no tempo p'ra salvar a minha mãe, mas acho que estraguei esta porcaria, porque até agora não viajei em tempo nenhum, mas encontro sempre realidades alternativas. E pronto, caí aqui e acho que tu me deste com essa frigideira na cabeça. Desculpa lá se te assustei.&lt;br /&gt;O Outro Casimiro não disse nada. Andou mais de um lado para o outro e acabou com a garrafa de vodka, olhando de vez em quando para o Astro. Passado um pouco, saiu do quarto e voltou com uma grade de &lt;i&gt;Super Bock&lt;/i&gt; e uma faca. Cortou as cordas que prendiam Casimiro, entregou-lhe uma garrafa de cerveja e disse:&lt;br /&gt;- Viajaste no tempo p'ra salvar a tua mãe, dizes tu? Salvar de quê?&lt;br /&gt;- Do acidente, é claro! – respondeu Casimiro. – De que haveria de ser?&lt;br /&gt;- Acidente... E, já agora, que acidente?? – perguntou o Outro, provocando grande espanto no nosso herói, que lhe perguntou rapidamente, num rasgo de compreensão:&lt;br /&gt;- A tua mãe está viva?!?!?!&lt;br /&gt;- Claro que está – disse o Outro. – Porque não haveria de estar? A esta hora está no emprego. Estes turnos novos lixaram a vida aos meus pais. Mas espera lá! A tua mãe está morta?? Foi nesse acidente...?&lt;br /&gt;Casimiro anuiu, afundando-se nos seus pensamentos. "Salto para um sítio e tudo aconteceu de maneira diferente...", pensou. "Aqui, a minha mãe nem está morta! Que sorte que este tem...”&lt;br /&gt;Entretanto, o Outro questionou Casimiro acerca das viagens no tempo que tinha feito, e o nosso herói lá lhe contou, desde a visita do velho, até ao último salto, mas omitindo o encontro com a Irene.&lt;br /&gt;- Meu, parece que andas a saltar entre mundos paralelos! – disse o Outro Casimiro, maravilhado. Ao que o Astro respondeu:&lt;br /&gt;- Mundos paralelos? Tipo realidades alternativas? Realmente, é o que parece. As mesmas pessoas, mas vidas diferentes. Ou até sítios diferentes. E a data nunca muda. Fogo, e tu acreditas nas coisas assim tão facilmente ou é da vodka? – Rindo-se, o Outro respondeu:&lt;br /&gt;- Acredito. Tu estás aqui, não é? E, por exemplo, eu antes nem acreditava em super heróis, e há duas semanas atrás fui salvo pelo Super-Homem, quando estava a ser assaltado pelo Preto e o bando deles. Fiquei perplexo!&lt;br /&gt;- Não gozes comigo! – gritou Casimiro. – O Super-Homem?!&lt;br /&gt;- Não estou a gozar, pá! Também fiquei assim! O gajo voava e tudo! Está nas notícias por todo o lado! Foi demais!&lt;br /&gt;Agora era Casimiro que estava perplexo. Neste mundo, até o Super-Homem havia. "Que coisa!", pensou. Lembrando-se então da Irene, perguntou-lhe:&lt;br /&gt;- Tu tens namorada? – Ao que o outro respondeu, hesitando:&lt;br /&gt;- Err... Pode-se dizer que sim...&lt;br /&gt;- Quem é a tua namorada?? – perguntou Casimiro já alarmado.&lt;br /&gt;- Hum... err... pá... o Barnabé... - respondeu o Outro Casimiro, quase em surdina. Não compreendendo, o Astro começou a rir e perguntou:&lt;br /&gt;- O Banabé?? Que tem o Barna...&lt;br /&gt;- Sim, eu namoro com o Barnabé – respondeu o outro, com uma expressão bastante decidida e séria, mas nervosa. E aí Casimiro compreendeu. O choque atingiu-o como um murro no estômago. Com o horror estampado no rosto, olhou para o computador e ficou ainda mais chocado. O seu equivalente deste mundo paralelo estava a pôr fotos de homens nus num blog. Um blog homossexual. Casimiro levantou-se gritando:&lt;br /&gt;- Tu és...&lt;br /&gt;- Homossexual? – respondeu o Outro. – Sim, sou! E tu és homofóbico?&lt;br /&gt;- Chega-te para lá, meu! – berrou o Astro, correndo até à parede.&lt;br /&gt;- Podes parar quieto um segundo? Não te preocupes, que eu não tenho fetiches comigo próprio. E, se tivesse, podia muito bem recorrer à...&lt;br /&gt;Mas Casimiro já não o ouvia. Sem sequer digitar uma data na máquina do tempo, premiu logo o botão vermelho e fechou os olhos. O chão fugiu-lhe de debaixo dos pés, e recomeçou a cair no vazio. Desta vez não abriu os olhos, não viu as imagens que rodopiavam à sua volta, nem viu o choque contra uma dessas imagens.&lt;br /&gt;Mais uma vez, o nosso herói aterrou em algo fofo.&lt;br /&gt;Tinha aterrado numa bela paisagem verdejante. Colinas cheias de relva, e alguns arbustos e pedras, e um céu azul, pincelado com algumas nuvens, davam uma enorme beleza àquele sítio solarengo.&lt;br /&gt;"Foda-se! Saltei de um mundo onde sou &lt;i&gt;gay&lt;/i&gt;, para o mundo dos &lt;i&gt;Teletubbies&lt;/i&gt;!", pensou o Astro. "O que será pior?!"&lt;br /&gt;Casimiro cedo descobriu o que era pior, quando se voltou, e viu um bando de coelhos da &lt;i&gt;Duracell&lt;/i&gt; gigantes rodearem-no, olhando-o com um ar ameaçador e dentes escancarados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, no mundo de Casimiro, o seu quarto já destruído sofreu outro grande abalo, quando se deu outra explosão, e, no local onde antes existia a sua cama, apareceu mais uma vez a esfera armilar, com o Casimiro do futuro lá dentro. Quando os elos pararam de girar, o velho disse:&lt;br /&gt;- Pá, esqueci-me de te ensinar como isso funcio... Eh, onde 'tás?&lt;br /&gt;O velho olhou de um lado para o outro, concluindo que chegara tarde, e foi então que viu no chão um pequeno fio eléctrico amarelo. Arregalando os olhos de horror, apanhou-o do chão.&lt;br /&gt;- Merda!! – foi a única coisa que disse.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3761909316072644711-8435678718061409153?l=umgajoassim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umgajoassim.blogspot.com/feeds/8435678718061409153/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3761909316072644711&amp;postID=8435678718061409153&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/8435678718061409153'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/8435678718061409153'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umgajoassim.blogspot.com/2008/03/casimiros.html' title='Casimiros'/><author><name>Radical Sonic</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3761909316072644711.post-8775727762834773308</id><published>2008-03-03T00:00:00.007Z</published><updated>2008-03-09T10:38:35.110Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Hugo Vieira'/><title type='text'>Casimiro, o Astrolopitecus Mulherengus</title><content type='html'>Dia 5 do mês: é de manhã e os olhos abrem-se com o ressalto de uma tábua da cabeceira da cama na testa do nosso amigo. Com uma respiração ofegante, dores por todo o corpo e o desespero de uma noite de pesadelos estatelado na face, Casimiro levanta o tronco do leito dos seus lençóis e vê o T1 de que é arrendatário de pantanas. É a bandeira do SLB esticada em cima da secretária quando devia estar na parede junto à porta, é uma caixa de pinchonas a verter bolas desde cima do roupeiro, o candeeiro de lava com 3 peixinhos lá dentro a nadar, juntamente com 2 litros de vodka e absinto (diga-se que estes já nadavam à superfície da dita mistela e de papo para o ar) e a porta de casa entreaberta, entre outras balbúrdias dignas de realce. Pondo logo a mente a funcionar, imagina o assalto de que foi alvo, ao mesmo tempo que sua em bica pelo corpo todo:&lt;br /&gt;- Que se passou aqui? Porta aberta? Que dores são estas? Devo ter sido violado, não? É que só pode!&lt;br /&gt;Lembrando-se do seu tesouro, manda logo a mão à gaveta da mesa-de-cabeceira para ver se não lhe tinham levado os preciosos €5 que lhe restavam da mesada que devia durar mais 25 dias e que este guardava para comprar a &lt;i&gt;Playboy&lt;/i&gt; do mês. Ali estavam eles! Ficou logo todo contente, desvalorizando tudo o resto. De repente ouve um suspiro nas suas costas, enquanto que uma mão percorre a anca do Astro:&lt;br /&gt;- Queres ver que o ladrão também dormiu cá??? - pensou este.&lt;br /&gt;Vira-se então para o outro lado e dá com uma louraça do seu metro e oitenta, lábios carnudos, dona de um peito estilo Pamela e toda nua, enroscada num lençol da sua cama. É então que pensa para si próprio:&lt;br /&gt;- Minha irmã não é, namorada acho que não tenho e ontem não saí de casa. Como vieste tu cá parar, minha lontra? Queres ver que fui à pesca e desta vez acertei no isco? O truque de manter a minhoca quente que o meu tio Reinaldo da França me ensinou começa finalmente a dar resultado!&lt;br /&gt;Já mais calmo e dentro de si, a jovem acorda e olha-o nos olhos. A dona dos olhos verdes mais comestíveis que o nosso homem já tinha visto estava a comê-lo com os olhos ao mesmo tempo que diz:&lt;br /&gt;- Ontem não dava nada por ti e hoje estou capaz de me casar contigo! És sempre assim tão... tão... COISO GRANDE, TRABALHADOR E BOM??? Onde andei eu estes anos todos para ter perdido isto???&lt;br /&gt;O Astro interroga-se a si mesmo, pois além de nada recordar, as anteriores experiências sexuais tinham todas saído furadas graças ao seu desejo insaciável de comer uma miúda em cima da bandeira do Glorioso.&lt;br /&gt;- Espera lá! Bandeira, gaja, secretária... Queres ver que... Não pode! Papei-a à Mantorras!!!&lt;br /&gt;O Astro tinha acabado de acordar de uma noite na qual este tinha levado Pandomanix (não, não era a amante do Astérix. Era o nome que estava na chapa do uniforme de padeiro que estava pendurado na cadeira do outro lado da cama, que devia ser o nome da padaria) a voar pelos confins do céu nas asas da águia Vitória. Por isso as dores, a desarrumação e a BELA COMPANHIA!... Mas faltava explicar a porta aberta... Surge então uma visão na mente de Casimiro: a bela Pandomanix entra no quarto e este está amarrado à cama, todo nu, coberto de uma camada de &lt;i&gt;chantilly&lt;/i&gt; e de pau no ar! Parecia um &lt;i&gt;Mini Milk&lt;/i&gt; nos tempos da sua infância. Pandomanix salta-lhe para cima e... O Astro acordou da visão, volta a olhar para a miúda, a qual passa a língua molhando os próprios lábios, como quem diz:&lt;br /&gt;- Aqui a estrela quer c'o metas, ó Astro! Bora lá!&lt;br /&gt;Casimiro levanta-se da cama como veio ao mundo, vai à porta, fecha-a de rompante e volta para a cama dizendo:&lt;br /&gt;- Bora lá aproveitar que não é todos os dias que se tem um descendente de um casal &lt;i&gt;gay&lt;/i&gt; africano, dos quais os espermas foram misturados para me dar origem. Sou todo teu, miúda!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3761909316072644711-8775727762834773308?l=umgajoassim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umgajoassim.blogspot.com/feeds/8775727762834773308/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3761909316072644711&amp;postID=8775727762834773308&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/8775727762834773308'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/8775727762834773308'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umgajoassim.blogspot.com/2008/03/casimiro-o-astrolopitecus-mulherengus.html' title='Casimiro, o Astrolopitecus Mulherengus'/><author><name>Radical Sonic</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3761909316072644711.post-424500388507036072</id><published>2008-02-25T00:00:00.000Z</published><updated>2008-02-25T22:24:30.412Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='José Pedro Assis'/><title type='text'>Casimiro em apuros</title><content type='html'>Parecia ao Astro que tinha sido ontem, no entanto, já passavam dois dias desde que fora vítima de uma tentativa de assalto levada a cabo por três indivíduos com mau aspecto. Este sentimento devia-se, talvez, ao facto de Casimiro ter dormido 22 horas seguidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Preto, um jovem albino de metro e noventa e três, originalmente baptizado por sua mãe, Maria Emília, a Xiscas, de António Manuel, já tinha cumprido várias pequenas penas por delitos menores. Tinha voltado do Linhó há semana e meia. Como acontecia sempre, tinha sido visto naqueles dias na companhia dos seus amigos de infância Coxo e Zé Mirolho. O Coxo ou José Joaquim, como apenas os pais o continuavam a chamar, tinha ganho a alcunha depois de ser campeão nacional inter-escolas de 1500 metros, quando andava no 6.º ano de escolaridade. Acompanhou o Preto em todos os crimes por ele cometidos, mas, ao contrário dele, nunca fora apanhado e continuava, por isso, com um cadastro imaculado. Nunca o Preto entregou o seu grande amigo apesar de todas as ameaças de pena agravada por não o fazer ou das promessas de atenuação de pena no caso de o fazer. Tudo isto alimentava ainda mais uma amizade já bastante forte que durava desde que ambos tinham três anos de idade. Já André Ricardo, o Zé Mirolho ou Zé Mira, era assim conhecido por ter nascido com um olho a menos. Desde que atingiu a maioridade e deixou de prestar contas aos seus progenitores que usava uma pala «à pirata» a sobrepor a zona onde o olho lhe faltava. «Dá um estilo do caralho», dizia sempre que lhe comentavam o adereço. Ao contrário dos dois amigos, André Ricardo estudou ao ponto de ter frequentado um curso superior e, para alegria de sua mãe, falecida no mesmo acidente em que faleceu a mãe do Astro, acabou mesmo por terminar o curso de Português-Francês via ensino. Claro que, como muitos colegas de curso e de outros cursos virados para o ensino, se encontrava sem colocação. Decidiu então, ao fim de dois anos de inactividade, juntar-se aos seus amigos em alguns crimes. Sendo o cérebro de todas as operações que levavam a cabo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O crime processou-se de forma simples, como sempre. O Coxo, de todos o que tinha o aspecto menos mau, vestido de fato preto, gravata vermelha e camisa branca, abeirou-se do Astro, eram 23h53, quando este se encontrava a realizar algumas operações na caixa de multibanco do seu bairro. Conseguiu, disfarçadamente, dar uma olhadela no código que Casimiro acabara de introduzir. Sorriu quando o Astro acabou o que tinha a fazer e fingiu utilizar o multibanco até que Casimiro dobrou a esquina do prédio. Metros à frente, o Preto e o Zé Mira esperavam a passagem do Astro para lhe roubar o cartão. Aluado como sempre, Casimiro levava o cartão na boca enquanto o dinheiro acabado de retirar da máquina, a carteira e os talões emitidos lhe ocupavam as duas mãos. Obviamente, não reparou num albino e num indivíduo com uma pala num olho que o fitavam com um olhar ameaçador. À medida que se aproximava dos dois amigos, estes iam retirando as armas do lugar em que repousavam, à beira das suas calças. Zé Mirolho olhou em redor para se certificar de que ninguém se encontrava por perto, o Preto afundou ainda mais a cabeça no capuz que trazia. Aquela cor de cabelo denunciava-o sempre. O Astro sentiu o metal tocar-lhe uma das fontes. Só nesse momento reparou que havia mais gente na rua. Viu o Coxo, sem perceber que Zé Mirolho estava nas suas costas, e ficou apavorado. Em segundos, sentiu uma pancada na nuca e abriu a boca nesse momento, soltando um sonoro «Ai!». Com isso, o cartão soltou-se e embateu no chão. O Astro teve que se curvar tal a violência do golpe e foi nesse momento que viu as botas do indivíduo que o atingiu. Sem perder tempo, António Manuel apanha o cartão e inicia a fuga. André Ricardo seguiu-lhe os passos. Meio atordoado, o Astro encostou-se a uma parede, agarrando-se à cabeça. Nesse momento, ouviu algo que lhe pareceu uma luta. Vários tiros disparados. Um grito abafado. Dois corpos a cair. Segundos depois, abeirava-se dele um homem bem constituído. O Astro apenas conseguiu reparar no caracol que este tinha em frente à testa, na sua camisola azul e nas suas botas de um vermelho sangue. O estranho entregou o cartão a Casimiro sem proferir uma única palavra. Seguidamente, cerrou o punho direito, apontou o braço ao céu e levantou voo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais uma vez, o Super-Homem salvou o dia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3761909316072644711-424500388507036072?l=umgajoassim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umgajoassim.blogspot.com/feeds/424500388507036072/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3761909316072644711&amp;postID=424500388507036072&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/424500388507036072'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/424500388507036072'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umgajoassim.blogspot.com/2008/02/casimiro-em-apuros.html' title='Casimiro em apuros'/><author><name>L!NGU@$</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://img168.imageshack.us/img168/9800/629803163451127170cd3evy7.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3761909316072644711.post-6269817878233358541</id><published>2008-02-18T00:00:00.000Z</published><updated>2008-03-01T19:25:24.748Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ana Maria Cardoso'/><title type='text'>Os dias não são todos iguais, na vida de Casimiro</title><content type='html'>"Isto sempre me pareceu abichanado, mas hoje, querido e fiel amigo, não posso deixar de te contar um dos melhores momentos da minha vida.&lt;br /&gt;A verdade é que tudo já se passou há uns dias. No dia 14 de Fevereiro, o dia de S. Valentim, ou o dia dos Namorados, como normalmente lhe chamam. Para mim, foi muito mais do que isso...&lt;br /&gt;Até hoje esse sempre foi um dia banal, na minha opinião. Desta vez foi diferente. Ela fez-me sentir verdadeiramente especial! Como nunca antes tinha acontecido.&lt;br /&gt;A princípio tudo corria normalmente. Mais um dia de estudo e aventura para mim. Rapidamente me apercebi de vários casalinhos, com ar apaixonado, olhinhos brilhantes e mãos dadas a passear pelas ruas. Curiosamente, todo aquele cenário não me passava indiferente e estampou-me um sorriso na boca. Sem me aperceber, sem entender porquê, senti-me à espera de algum acontecimento importante. Crescia em mim uma forte sensação de que aquele dia ficaria para sempre marcado na minha vida. Mal eu sabia porquê. "Tontice", pensei. "Eu nem sequer namorada tenho".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fim das aulas, sem vontade de me fechar dentro de casa com um dia tão lindo lá fora, resolvi dar uma volta pela avenida mais bonita da minha cidade.&lt;br /&gt;A princípio um jardim, depois uma fonte e, por fim, ela. Lá longe, consegui distinguir os seus lindos cabelos ondulados e reparar que os seus profundos olhos verdes reflectiam cada raio de Sol que lhes tocava. &lt;br /&gt;Parecia estar como eu: a passear, sozinha. Achei estranho, mas ao mesmo tempo o meu coração explodia por dentro. Apetecia-me sorrir, saltar, gritar, pegar nela e apertá-la bem forte contra o meu peito. Acariciá-la, tocar os seus lábios com os meus. Dar-lhe tudo o que ela me pedisse.&lt;br /&gt;No entanto, estava ali. Parado. Quase hipnotizado a olhar para ela. Não me apercebia das pessoas que por mim passavam, da distância que nos separava. Só a via a ela. Foi então que aconteceu. Zezerina tinha reparado em mim... e sorria. &lt;br /&gt;Involuntariamente, mas feliz, os meus passos encaminharam-me até ela. Ela fez o mesmo. Cada vez mais próximo, reparei nas suas bochechas rosadas, por baixo das suaves e dispersas sardas do seu rosto. Nem queria acreditar que eu a fazia corar. Parecia-me surreal demais. Porém, tudo isto aconteceu, meu querido companheiro. Isto e algo mais...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num abrir e fechar de olhos, a noite chegou. Desta vez foi a minha vez de corar. Nem tínhamos dado conta do tempo passar. Passeámos, falámos, rimos e brincámos como duas crianças durante todo o resto de tarde. Convidei-a para jantar comigo. Proposta que ela não recusou.&lt;br /&gt;No fim, acompanhei-a até casa. Ainda à porta trocámos alguns elogios e piropos envergonhados. A verdade é que nos sentíamos bem um com o outro, não nos queríamos separar, mas também não quis forçar nada. Beijei-lhe a face, sentindo que ambos queríamos algo mais. E quando me preparava para entrar no carro ouvi-a dizer "Casimiro, obrigada! Este foi o melhor dia da minha vida." E comprometi-me, pela forma como a olhei, dizendo-lhe que a amava."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3761909316072644711-6269817878233358541?l=umgajoassim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umgajoassim.blogspot.com/feeds/6269817878233358541/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3761909316072644711&amp;postID=6269817878233358541&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/6269817878233358541'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/6269817878233358541'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umgajoassim.blogspot.com/2008/02/os-dias-no-so-todos-iguais-na-vida-de.html' title='Os dias não são todos iguais, na vida de Casimiro'/><author><name>L!NGU@$</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://img168.imageshack.us/img168/9800/629803163451127170cd3evy7.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3761909316072644711.post-1571126790716788113</id><published>2008-02-11T00:00:00.000Z</published><updated>2008-02-11T14:28:13.958Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='José Pedro Assis'/><title type='text'>O primeiro dia de aulas de Casimiro</title><content type='html'>O auditório encontrava-se repleto. Se assim não era, poucos lugares se encontravam vazios. Tão poucos que não se notavam no meio daquela imensidão de indivíduos ensonados e com vontade de estar noutro local que não aquele. Casimiro espreitou através do rectângulo de vidro que fazia parte daquela porta de madeira já gasta por anos e anos de abre e fecha. Anos e anos de alunos a entrar e a sair. Anos e anos de pancadas fortes, de pontapés, de mãos pesadas. Reparou no estado em que toda aquela massa humana se encontrava. Tanta gente e, no entanto, parecia que se respirava a um só ritmo. Notava-se que todos na sala sofriam da mesma maneira aquele momento. O Astro apurou o olhar e reparou num adolescente com os seus dezoito anos. Pela maneira como lutava para acompanhar todo aquele movimento respiratório, só podia ser a primeira vez que ali entrara. Não queria parecer diferente de ninguém. Aparentemente, ninguém reparava naquela luta do rapaz. Apenas Casimiro. De repente, por uma das outras portas do auditório, entra um outro aluno. Já vinha atrasado. Todas as cabeças se voltaram para o olhar. Mesmo a do rapaz de dezoito anos. Parecia já ter entrado no ritmo da sala. Despreocupado e alheio aos pares de olhos cravados nele, o aluno acabado de entrar sentou-se num dos poucos lugares livres e desapareceu. O Astro invejou todo aquele à-vontade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabia que o professor tinha prometido uma surpresa na última aula. O professor Antunes. Aquele que ninguém curte, aquele que manda gente para a rua por tudo e por nada, aquele que adora fazer testes surpresa. Desta vez, não era o caso. Tinham feito um na aula anterior. Não iam fazer dois testes seguidos. Agora que pensava nisso mais a sério, preferia bem mais um do que uma aula normal. «Parece que tenho cinco anos. Não estou a ir para a primeira aula da primária!»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentiu um toque no ombro direito. Uns belos olhos verdes sorriam para ele.&lt;br /&gt;- Bom dia, desculpa, é aqui a aula de Higiene dos Plásticos?&lt;br /&gt;O Astro ficou hipnotizado e, por momentos, não conseguiu articular palavra. Caiu em si:&lt;br /&gt;- Sim, é nesta sala, menina.&lt;br /&gt;- Obrigado! - disse, sorrindo ainda mais, enquanto se preparou para entrar. Casimiro ficou a observar Zezerina enquanto ela se dirigia para a zona da sala em que se encontrava o puto de 18 anos. Não reparou que todos a observavam atentamente, de uma maneira diferente da usada anteriormente para o último aluno a entrar. Realmente, apesar de não ter mais de vinte anos, Zezerina já tinha um corpo de fazer inveja a muitas mulheres com mais dez e vinte anos. O Astro já a tinha visto a passear pelo campus várias vezes e aquele andar especial tinha-lhe ficado na retina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abandonou estes pensamentos quando olhou para o palanque onde os professores se costumam encontrar para dar as aulas. Este ainda se encontrava vazio, mesmo passando dez minutos do estipulado para o início da aula. Para Casimiro fazia todo o sentido que ainda nenhum professor lá se encontrasse, mas, para os alunos, não devia fazer grande sentido. O Carrancas, nome que os alunos, tão carinhosamente, usavam para se referir ao professor Antunes, nunca se atrasava, nunca faltava. Além disso, trancava a porta depois de entrar na sala, já que entrava sempre à hora marcada. Apesar de tudo isto, os alunos não arredavam pé. O medo impedia-os de fazer o normal noutras cadeiras: fugir passados dez minutos da hora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem saber muito bem porquê, o Astro ganhou coragem e irrompeu pela sala. Sem pensar, dirigiu-se ao palanque. Todos o fitaram. Sentiu-se a tensão no ar. Se o Carrancas via aquele gajo ali em cima, ia ser bonito. Há uns tempos, quando Jorge, o engraçadinho da turma, se sentou na sua cadeira antes de este entrar, levou com um processo ao ser apanhado a fazer uma imitação do professor. Casimiro pousou o olhar em Zezerina. Tudo seria mais fácil estando iluminado por aqueles olhos de um verde-esmeralda. Pousou a pasta que trazia em cima da mesa, aclarou a voz e as suas cordas vocais conseguiram emitir o seguinte: «Bom dia! O vosso professor teve um acidente na noite passada e morreu depois de hora e meia de tentativas de reanimação. Serei eu o vosso professor até ao fim do semestre. E agora a surpresa que vos foi prometida...»&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3761909316072644711-1571126790716788113?l=umgajoassim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umgajoassim.blogspot.com/feeds/1571126790716788113/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3761909316072644711&amp;postID=1571126790716788113&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/1571126790716788113'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/1571126790716788113'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umgajoassim.blogspot.com/2008/02/o-primeiro-dia-de-aulas-de-casimiro.html' title='O primeiro dia de aulas de Casimiro'/><author><name>L!NGU@$</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://img168.imageshack.us/img168/9800/629803163451127170cd3evy7.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3761909316072644711.post-5140295389636418750</id><published>2008-02-04T00:00:00.000Z</published><updated>2008-02-04T02:58:33.688Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Manuel Santos'/><title type='text'>Rio Casimiro</title><content type='html'>3 de Fevereiro. 23h45. Algures.&lt;br /&gt;Depois de mais um dia entediante, Casimiro está a deslocar-se para o seu lar, pensando na viagem que vai fazer no dia seguinte. O Astro nunca gostou do Carnaval. Do seu tempo de criança, as poucas lembranças que retém referiam-se aos seus disfarces preferidos, Robin Hood e o seu homónimo Robin, o colega do Batman. Tudo o resto, foi estranhamente apagado ou reprimido da sua memória. No entanto, depois de constantes provocações por parte dos seus amigos no Groove, decidiu cometer uma loucura. Decidiu viver o verdadeiro Carnaval, viajando para o Rio de Janeiro, Brasil. &lt;br /&gt;Entretanto, pára num descampado, de modo a ceder às suas necessidades fisiológicas. Poucas coisas lhe sabiam tão bem na sua vida, como dar uma "mijinha" ao ar livre. A sensação de liberdade, a excitação de poder ser apanhado... Casimiro desfrutava do momento, fitando o céu estrelado, num estado de relaxamento e prazer tal, que parecia estar a entrar no mundo dos sonhos. Nisto, avista no céu uma estrela cadente! «WOUW»! Ele nunca tinha visto uma estrela cadente! Depois de uns breves segundos em estado de perplexidade, onde o Astro não sabia bem que sensações o estavam a invadir, regressa à realidade e pensa: «Foda-se, que jeito isto tinha dado se eu estivesse num encontro romântico!».&lt;br /&gt;Desiludido, volta a concentrar-se na sua fiel "mijinha", concluindo enternecidamente: «Não há melhor chuva dourada do que tu!». Terminado o solene acto, o Astro aperta os botões e põe-se a caminho. Sente um calorzinho húmido nas calças. «Foda-se»!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4 de Fevereiro. 07h00. Aeroporto Francisco Sá Carneiro.&lt;br /&gt;O Astro está inquieto, enquanto aguarda para fazer o check-in. Nunca fez uma viagem de tal distância. «O que vou fazer durante este tempo todo?» – questiona-se Casimiro. Desloca-se até uma tabacaria, onde decide comprar o jornal "A Bola", as revistas "FHM" e "Maxmen" e uns quantos chupas. Terminada a compra, desloca-se para a fila para fazer o check-in. Olha em volta e repara num grande número de forças policiais com pastores alemães circulando. O Astro tinha ouvido recentemente umas histórias no Groove, sobre pessoas que são detidas por estes polícias nos aeroportos, sendo revistadas até ao ínfimo pormenor (toque rectal incluído). Assim, esta visão estava a deixá-lo um pouco nervoso. Mais nervoso ficou, quando um desses polícias começou a caminhar em direcção a si! «Foda-se, mas porquê eu?!» – indagava-se ansiosamente o Astro. O Polícia continuava a caminhar em sua direcção. «Mas porque é que eu não fiz a barba, como a minha mãe me disse? Para que é que ando armado em Mourinho?». Já só distava meia-dúzia de metros do Polícia. Casimiro era todo ele tremores e suores quentes. O Polícia toca no Astro e pergunta-lhe: «Pode-me emprestar "A Bola" um bocadinho? Queria ver como ficou o meu Gondomar!».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4 de Fevereiro. 12h00. A sobrevoar o Oceano Atlântico.&lt;br /&gt;O Astro já não consegue dormir mais. Não pára de pensar no que o espera em terras de Vera Cruz, na festa que vai encontrar, nas pessoas, na confusão. Pega n’"A Bola". «Foda-se, o Benfica empatou de novo!» – berra Casimiro, despertando a atenção dos outros passageiros. O dia não começou definitivamente bem. Acaba de ler o jornal e pega na "FHM". «EI CARAMBA!!!» – solta Casimiro, num tom bartsimpsoniano. Uma velhota que estava sentada à sua beira, logo o fitou com olhar reprovador. O Astro cora. Pensa com os seus botões enquanto vai coçando sofregamente o escroto: «Mas que grandes mamas tem a Floribella! Tenho que começar a ver mais vezes a novela...». A velhota fita-o novamente. O Astro cora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4 de Fevereiro. 15h00. A sobrevoar o Oceano Atlântico.&lt;br /&gt;À medida que o tempo passa, mais a cabeça de Casimiro se vai acumulando de questões. «Mas porque raio vim eu aqui? Ainda por cima sozinho... Por causa do pessoal do Groove? Foda-se, tenho mesmo que começar a beber menos. E eu nem sequer gosto do Carnaval... Só mesmo o Barnabé, para me convencer a fazer isto! Ao menos que existam tantas gajas como ele me disse!» O Astro vê o seu relógio. Já só faltam 2 horas para finalmente aterrar na bela cidade do Rio de Janeiro. Elege o seu MP3, como último parceiro de viagem. "Time is Running Out" é a primeira música. «Não!» – pensa o Astro – «Terra nova, música nova!». Vai mudando as músicas no seu MP3, até achar as que pretende, sacadas à pressa na última noite no eMule. Finalmente encontra. "Oh Miiiiiilla... Mil e uma noite de amor com você...". «Agora sim!» – exclama o Astro, concluindo de seguida, determinado – «Brasil... Casimiro está a chegar!!!».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4 de Fevereiro. 23h00.&lt;br /&gt;Depois de pousar as malas no seu Hotel, Casimiro está finalmente em pleno Carnaval brasileiro! O cenário é uma bela e enorme avenida, repleta de gente, bem perto da bela praia de Ipanema. Casimiro fica perplexo com o que vê. Era bem diferente de tudo o que já tinha visto na sua humilde e peculiar vida. À sua frente, passa um desfile de uma escola de samba, com as dançarinas em trajes muito reduzidos e com chapéus espampanantes. O Astro pensa na sua mãe. «Se estivesse aqui, estava já a chamar-lhes badalhocas!». Nunca tinha visto tanta mulher jeitosa em tão poucos metros quadrados e em vestidos tão reduzidos. O Astro estava atordoado. Nisto, decidiu aventurar-se pelo meio da confusão. E que confusão! Milhares de pessoas dançavam, saltavam, bebiam! E Casimiro ali no meio, sozinho, envergonhado, sem saber o que fazer. Mas o Astro toma uma decisão, no seu entender, muito inteligente. Vai até à barraca mais próxima e pede uma Super Bock. «Super o quê?! Aqui não tem isso, não...» – respondeu o homem da barraca. «Foda-se, dê-me uma cerveja!» – rematou o Astro. A cerveja não prestava, mas isso não interessava no momento. O que Casimiro queria mesmo, era atingir um nível de alcoolémia que lhe permitisse perder a vergonha, sem que fosse necessário regressar ao Hotel à boleia do INEM. «Foda-se, aqui não há INEM! Se bem que lá na terrinha também não...» – lembrou-se o Astro. Mas já era tarde de mais. Nada o iria demover do plano traçado. &lt;br /&gt;Umas cervejas mais tarde e uns valentes metros calcorreados, Casimiro começa a interagir e a dançar ao som da música. «Carnaval é isso galera!» – ouviu o Astro numa coluna! E concordava plenamente com isso. Aquilo era o verdadeiro Carnaval para ele. Não precisava de nenhum disfarce de Robin Hood ou de uma careta feia qualquer para ser um completo anónimo naquele meio. Podia fazer o que quisesse, com quem quisesse, que ninguém saberia. Mas que sensação de liberdade. Bem melhor que as suas mijas ao ar livre. E Casimiro estava a adorar. Nisto, repara numa mulher deslumbrante, como muitas que foi vendo ao longo da noite. «Que gatinha!» – diz o Astro completamente babado e não tirando os olhos da mesma. A mulher repara no olhar constante de Casimiro e sorri para ele. O Astro pensa para si: «É agora ou nunca! Vou ter com ela e vou meter conversa, de certeza que ela não me resiste!». Bebe um último trago de cerveja e... «Olá gato!» – interpela a mulher – «Tudo bem com você?». Casimiro cospe a cerveja. «Tá tudo bem...» – responde atónito. Não esperava uma entrada de leoa destas. E antes que pudesse dizer algo mais, a mulher acrescentou: «Como se chama?». Casimiro ficou embasbacado. Será que devia dizer o seu verdadeiro nome? Será que ela iria gostar do seu nome tradicionalmente português? Será que o ia achar sexy? «Rui Costa!» – afirma decidido o Astro. «E tu?»&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3761909316072644711-5140295389636418750?l=umgajoassim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umgajoassim.blogspot.com/feeds/5140295389636418750/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3761909316072644711&amp;postID=5140295389636418750&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/5140295389636418750'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/5140295389636418750'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umgajoassim.blogspot.com/2008/02/rio-casimiro.html' title='Rio Casimiro'/><author><name>Radical Sonic</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3761909316072644711.post-7140570555807840689</id><published>2008-01-28T00:00:00.001Z</published><updated>2008-01-28T00:28:43.820Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='José Pedro Assis'/><title type='text'>Casimiro luta pela liberdade</title><content type='html'>Como era possível ter-se desleixado daquela maneira? Como podia ter-se distraído num momento como este? Como foi capaz de não pensar que podia atrair atenção sobre si? Todos estes pensamentos populavam a mente de Casimiro enquanto ele se tentava manter concentrado no que ocorria à sua volta. O ponteiro do conta-rotações do automóvel em que viajava atingia valores que o Astro não acreditava ser possível atingir. O ponteiro do mostrador ao lado passava largamente dos 120Km/h. Saindo do rádio, a voz de Pac Man não podia estar mais de acordo com o momento: «Eu jogo tanto GTA que já me podia...» Que infantilidade. Tantos anos nisto e foi cometer um erro daqueles. «Passar um vermelho? Passar um vermelho com um carro acabado de roubar? Que anormal. E que raio de sorte, tinha de estar um carro patrulha ali tão perto?» Não havia volta a dar. Tinha que continuar a fugir. Não podia entregar-se agora. Iriam, com certeza, conseguir ligá-lo a todos os roubos que efectuara nos últimos anos. Ou a uma grande parte deles, pelo menos. Casimiro tentou contar rapidamente o número de viaturas que tinha usurpado em tantos anos deste serviço, mas longe iam os tempos em que era um aprendiz desta "arte". Tempos em que guardava religiosamente toda a informação sobre o que fazia. Só agora pensava na estupidez desses actos: «E se me encontram aquilo? Vão conseguir ligar-me a todos os roubos dos primeiros anos. Boa, Casimiro!» Tinha mesmo que ir até ao fim com aquela fuga. Não podia quebrar agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já eram três os carros que o seguiam. Se conseguisse sair desta enrascada não iria mais roubar. Era desta que deixava a profissão. Com a idade que tinha não se podia deixar apanhar. Uma condenação nesta altura da sua vida seria uma pena perpétua. «Quem quero eu enganar? Se me safar disto vou continuar a roubar. Merda de vida!» Estava perdido nestes pensamentos quando reparou que a luz do depósito se encontrava acesa. «Só me faltava mais esta!», lamentou-se. Sabia que àquela velocidade e com uma condução tão agressiva o depósito não iria aguentar muitos mais quilómetros. Começou a rever mentalmente todas as ruas que podia percorrer dali para a frente. Tentou descobrir qual delas lhe daria maior cobertura numa possível fuga a pé. Virou à direita. Percorreu mais uma centena de metros e guinou o carro para a esquerda. Estava próximo da rua que escolhera para abandonar o veículo. Mudou uma última vez de direcção, desta vez à direita. Encontrava-se na Rua das Tintas. O Groove ficava ao fundo, mesmo ao virar da esquina. Abriu a porta do BMW em que tinha viajado nos últimos cinco minutos. Dez? Trinta? Sessenta? Perdera toda a noção do tempo. Não tinha qualquer ideia de quantos minutos tinham passado desde que não respeitara aquele maldito semáforo. Respirou o ar frio da rua. Sentiu os pulmões encherem-se de coragem. Os vários carros que o seguiam iam travando bruscamente perto de si. Ia começar uma perseguição a pé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Largou-se numa corrida desenfreada em direcção ao Groove. Não ia entrar. Não agora. «Espero um dia poder voltar a pôr os pés ali dentro.», pensou. Tantos e bons momentos tinha passado naquele pequeno bar. Tantas bilharadas, tantas cervejas, tantos golos gritados, tanta vida. Dobrou a esquina e entrou numa zona pedestre. Esperava conseguir misturar-se com a multidão que enchia todo o espaço. Contava também com um maior cuidado dos polícias no manejamento das suas armas de fogo. Não se podiam dar ao luxo de ferir alguém por causa de um ladrão de carros. Viu algumas vantagens em se ter metido naquele local. À medida que serpenteava por entre famílias que faziam as suas últimas compras de Natal, a quantidade de agentes no seu encalço foi aumentando consideravelmente, assim como a sua adrenalina. Agora, além dos polícias que foram saindo dos automovéis que o seguiam até há pouco tempo, seguiam-no também os que patrulhavam normalmente as ruas a pé. Ouviu o que lhe pareceu o rodar das hélices de um helicóptero não muitos metros acima da sua cabeça. Que se passava? Andava meio mundo atrás dele? Sentia-se cada vez mais apertado. Parecia-lhe que cada passo que dava era mais um que o levava na direcção contrária à liberdade. Não podia ser. Não podia deixar-se ir por causa de um erro daqueles. Não podia!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passo após passo sentia os seus músculos a arder, mas, ao invés de o impedir de continuar a sua marcha, esta dor só o fazia correr mais e mais. Queria que aquilo fosse apenas um sonho mau, que estivesse prestes a acabar. Infelizmente, não era. Soube-o da pior maneira. Acabara de sentir uma dor aguda atacar-lhe um dos braços. Não podia ser. Não podia ter sido atingido. Como teve coragem algum agente de disparar sobre ele naquele local? Só agora Casimiro reparara que era mínima a quantidade de pessoas no largo em que se encontrava. Tinha percorrido largos metros de uma rua infestada de alegria, de paz, de Natal, mas a rua tinha acabado. Como foi estúpido ao ponto de não ter mudado de direcção uns metros atrás? Como não se lembrou de onde acabava aquela rua? Espreitou sobre o ombro na esperança de ainda poder voltar ao cruzamento com outra das ruas cheias de Natal. Não podia. Estava rodeado. Temendo pela solidão que sentiria fechado numa cela escura durante anos, atirou a mão esquerda à sua cintura. Sentiu o frio do metal gelar-lhe a mão, o corpo, a alma. Como podia? A arma estava colada ao corpo. O corpo estava a ferver. O arrepio que sentiu não podia ser por causa da temperatura daquele objecto. Este calafrio não era mais do que o pavor por ter que recorrer pela primeira vez a este método. Nunca antes tinha sido necessário usar a sua Colt. Tudo se passava a mil à hora na cabeça do Astro. Não foi necessário o revólver se mover muitos centímetros do local onde se encontrava. Vários projectéis trespassaram o corpo do Astro que, segundos depois, jazia na calçada. O último suspiro de Casimiro fora dado no Largo das Três Cruzes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«CORTA! Bom trabalho, Casimiro. Levanta-te, pá. Vamos gravar outra cena.»&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3761909316072644711-7140570555807840689?l=umgajoassim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umgajoassim.blogspot.com/feeds/7140570555807840689/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3761909316072644711&amp;postID=7140570555807840689&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/7140570555807840689'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/7140570555807840689'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umgajoassim.blogspot.com/2008/01/casimiro-luta-pela-liberdade.html' title='Casimiro luta pela liberdade'/><author><name>L!NGU@$</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://img168.imageshack.us/img168/9800/629803163451127170cd3evy7.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3761909316072644711.post-710101827282326281</id><published>2008-01-21T00:00:00.001Z</published><updated>2008-01-21T00:00:26.733Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fábio Vieira Fernandes'/><title type='text'>Casimiro procura casa nova</title><content type='html'>«Mas eu só preciso de duas assoalhadas, senhor!», dizia o homem de gravata vermelha sentado na cadeira verde sem rodas. Claramente, o homem de gravata azul às riscas cinzentas sentado na cadeira verde com rodas, a quem o homem de gravata vermelha sentado na cadeira verde sem rodas impacientemente chamou "senhor" - que o era; notava-se pelo aspecto francamente jovial com que se apresentava no seu posto de trabalho -, estava apenas a fazer aquilo para que era pago. Claramente, o homem de gravata azul às riscas cinzentas sentado na cadeira verde com rodas tentava impingir ao homem de gravata vermelha sentado na cadeira verde sem rodas uma moradia com umas boas vinte e sete assoalhadas. O senhor Borges era vendedor de casas. Não o fazia por conta própria (se tivesse dinheiro para tal, realizaria antes o seu sonho de abrir uma loja de ferragens), mas também não era um pequeno subalterno numa de muitas filiais dessas imobiliárias multinacionais que agora se vêem por aí a cada esquina. O senhor Borges, que vestia sempre impecavelmente, e neste dia estava especialmente elegante com a sua gravata azul às riscas cinzentas, era o responsável por uma pequena imobiliária na terra de Casimiro.&lt;br /&gt;Casimiro entrara lá por curiosidade. Curiosidade é o nome que é dado muitas vezes, especialmente pelas mulheres, à verdadeira razão que nos faz entrar num qualquer estabelecimento comercial: a intenção de adquirir, de facto, um qualquer bem ou serviço. Mas Casimiro tencionava mesmo mudar de casa. Segundo o próprio Astro, não era por a casa dos seus pais ser desagradável (parece que possuía até um frondoso jardim, com piscina e tudo), mas sim porque, sobretudo desde que a sua mãe falecera, o seu pai tornara-se particularmente rezingão. Além disso, Casimiro ambicionava ser dono de um espaço só seu, um sítio para onde pudesse levar a namorada que não tinha mas que contava de vir a ter em breve. O problema é que Casimiro tinha tanto dinheiro como o senhor Borges. Não podia ser considerado pobre - afinal, ainda é necessário bastante para abrir uma loja de ferragens -, mas com certeza que teria de juntar todos os seus trocos para conseguir o mais humilde tecto que encontrasse à venda.&lt;br /&gt;Amigos seus aconselharam-no a pedir algum emprestado ao seu pai, mas o Astro sabia que isso seria uma estupidez. Não, o seu pai nunca lhe poria um cêntimo que fosse na mão. Casimiro estava por conta própria nesta perseguição ao seu novo sonho. E foi assim que, por curiosidade, entrou na imobiliária onde trabalha o senhor Borges. Uma vez lá dentro, entreteve-se a ler anúncios sobre apartamentos e vivendas que se degladiavam por um novo dono, enquanto o homem da gravata vermelha sentado na cadeira verde sem rodas acabava de ser atendido. Não demorou muito até que este se levantasse e passasse pelo Astro, a caminho da saída, resmungando, de si para consigo, «mas para que raio quero eu tantas assoalhadas se nem posso ter filhos?» De facto, fazia sentido. Pelo menos, foi o que pensou Casimiro antes de se sentar na cadeira verde sem rodas. Casimiro não usava gravata - aliás, o fato que trajava era de treino -, mas o simples facto de estar sentado naquela cadeira concedeu-lhe imediatamente um ar um tudo-nada mais importante.&lt;br /&gt;«Ora, então, o que vai ser?», perguntou, galhofeiro como sempre, o senhor Borges. Casimiro desatou a contar-lhe os seus planos, confessando ao mesmo tempo as lacunas das suas finanças. Foi então que o senhor Borges proferiu uma grande verdade: para infelicidade de Casimiro, encontravam-se ambos numa imobiliária e não no programa da Oprah. Inconformado, o Astro foi confeccionar o jantar para o seu pai. O mesmo viria a repetir-se, todos os dias, ao longo dos anos que se seguiram a esta conversa com o senhor Borges - que, entretanto, juntou à sua colecção uma gravata cor-de-rosa bem moderna.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3761909316072644711-710101827282326281?l=umgajoassim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umgajoassim.blogspot.com/feeds/710101827282326281/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3761909316072644711&amp;postID=710101827282326281&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/710101827282326281'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/710101827282326281'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umgajoassim.blogspot.com/2008/01/casimiro-procura-casa-nova.html' title='Casimiro procura casa nova'/><author><name>Radical Sonic</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3761909316072644711.post-7724647391445219320</id><published>2008-01-14T00:00:00.001Z</published><updated>2008-01-14T00:29:12.650Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ana Maria Cardoso'/><title type='text'>A voz em Casimiro</title><content type='html'>O dia acordou choroso. O vento assobiava e a chuva fustigava as janelas do quarto de Casimiro. Todo um temporal se desenrolava lá fora. Dentro de casa estava tudo calmo. Casimiro dormitava no calor dos lençóis da sua cama. &lt;br /&gt;Acordou. No entanto, e ele logo percebeu, não foi um acordar qualquer. Era um acordar diferente do normal: alguém tinha chamado por ele. Uma voz quente, suave. Apaixonante! &lt;br /&gt;Decidiu, num instante, que não queria deixar de a ouvir. Queria possuir aquele som. Mas onde? Onde estava? Para onde se devia dirigir para a encontrar? Casimiro sentia-se perdido.&lt;br /&gt;Levantou-se sem grande custo, consciente de que apanharia um resfriado. Mas não quis saber! Naquele momento só uma coisa lhe importava. Naquele momento só havia uma coisa que ele desejava conhecer. &lt;br /&gt;Já não era ele quem comandava os seus movimentos. Já não era ele quem controlava os seus pensamentos. Era ela. Aquela maldita, mas tão maravilhosa, voz que mandava nele.&lt;br /&gt;Em boxers, percorreu toda a casa. Passo a passo. Encostou o ouvido às paredes mais frias, até sentir que a voz se perdia. Cada vez mais a sentia mais longe...&lt;br /&gt;Como se se fizesse luz, O Astro percebeu: a voz estava no seu quarto. Quase aflito, não contendo a ansiedade, voltou. E logo percebeu. Não tinha tudo passado de um sonho. Lembrou-se que ela tinha dormido com ele. A voz de Zezerina. A menina que tinha conhecido há dois anos num bailarico de Verão, lá na terrinha de sua mãe. Sem se aperceber, tinha sido aquela voz que o tinha acompanhado durante todo o tempo de farra da noite anterior. "Eu sabia que a conhecia de algum lado", pensou. E, por fim, deu-se conta. &lt;br /&gt;Casimiro estava apaixonado...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3761909316072644711-7724647391445219320?l=umgajoassim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umgajoassim.blogspot.com/feeds/7724647391445219320/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3761909316072644711&amp;postID=7724647391445219320&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/7724647391445219320'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/7724647391445219320'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umgajoassim.blogspot.com/2008/01/voz-em-casimiro.html' title='A voz em Casimiro'/><author><name>L!NGU@$</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://img168.imageshack.us/img168/9800/629803163451127170cd3evy7.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3761909316072644711.post-6106488945607869536</id><published>2008-01-07T00:00:00.000Z</published><updated>2008-01-07T12:41:01.004Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fábio Vieira Fernandes'/><title type='text'>A grande aventura de Casimiro no deserto</title><content type='html'>Desde pequeno que Casimiro tinha uma assumida paixão por automóveis. Lembrava-se bem do velhinho &lt;i&gt;Fiesta&lt;/i&gt; que o seu pai toda a vida insistiu em deixar ficar na garagem, apesar de se encontrar completamente inutilizável, e que aquele maldito fogo consumiu. Lembrava-se igualmente dos dias em que se tinha de levantar de madrugada, cheio de sono, para ir ver ao vivo o Rali de Portugal, no tempo em que ainda havia &lt;i&gt;o&lt;/i&gt; Rali de Portugal. Agora, era a vez dele.&lt;br /&gt;Um dos grandes sonhos de Casimiro tornara-se realidade. Bem, mais ou menos: apesar de uma participação a sério no mítico Dakar se afigurar tão impossível como sempre, ele estava a viver a mesma aventura que os verdadeiros pilotos. Acontece que o patrão do seu padrinho ganhara recentemente o Euromilhões e decidira doar uma generosa maquia ao seu leal subordinado. Por sua vez, o padrinho do Astro lembrara-se, com toda a euforia em volta de mais um Lisboa-Dakar, de oferecer ao seu afilhado a melhor prenda de Natal que ele alguma vez recebeu: um jipe altamente equipado com tecnologia de ponta e uma pequena cunha junto de uma das equipas em competição no rali dos ralis para que prestasse auxílio técnico e logístico a Casimiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquela manhã, o Astro acordara particularmente fatigado. Pela primeira vez desde que partira do Mosteiro dos Jerónimos, três dias antes, abandonava a sua tenda já depois de o sol nascer. Enquanto fritava uns ovos no pequeno fogão a gás integrado na mala do seu Mitsubishi, tentou ligar, em vão (não havia tido tempo para ler tantos manuais de instruções), o rádio por satélite também integrado no seu Mitsubishi de modo a poder ouvir todas as notícias acerca dos últimos preparativos para o arranque oficial da prova, que se daria na madrugada seguinte. Aproveitando o facto de, nesse ano, o Dakar só ter início a 5 de Janeiro, Casimiro pôde participar na festa de fim de ano que durante vários meses preparara com os amigos e, ainda assim, arrancar mais cedo do que a restante comitiva. Dar início à maior aventura da sua vida logo ao fim da tarde do dia 1 permitira-lhe ganhar algum avanço em relação às equipas participantes no rali, que certamente não tardariam em ultrapassá-lo. Não obstante todas as advertências dos seus amigos, o Astro não considerava imprudente lançar-se à primeira parte do seu percurso rumo ao Senegal por conta própria. Porém, o primeiro dia inteiramente em solo africano deixava-o ligeiramente mais apreensivo.&lt;br /&gt;Foi, contudo, a pensar na sua eventual primeira experiência de condução no deserto ainda nesse dia que o Astro deglutiu o seu pequeno-almoço e arrumou todas as tralhas no jipe. Tal como já acontecera quando ainda se encontrava em Portugal, o facilitismo falou mais alto e, por volta da uma e um quarto da tarde, Casimiro chegava a Marraquexe sem nunca haver abandonado a estrada principal. À medida que ia regateando com os vendedores por umas bugigangas para oferecer quando regressasse a casa, não deixou de reparar que por todo o lado os locais debatiam algo acerca do Lisboa-Dakar. Incapaz de perceber ao certo o teor das acaloradas conversas, Casimiro achou que se deveriam somente ao facto de a caravana do rali estar prestes a passar por aquelas bandas uma vez mais.&lt;br /&gt;«Sete horas», resmungou de si para consigo, sentindo uma pontada de fome. O Astro acabava de fazer inversão de marcha e estava decidido a lançar-se à aventura de uma vez por todas. A alternativa era esperar que toda a comitiva o alcançasse, mas ele recusava-se a sequer considerar tal hipótese. O GPS apitava por todo o lado, dando facilmente a entender que seria absurdo tentar continuar a viagem pela estrada. Assim, no sítio indicado pelo aparelho, Casimiro fez-se corajosamente à areia.&lt;br /&gt;Rapidamente - ou, talvez, prematuramente -, concluiu que aquilo não era tão difícil como faziam crer. Tanto assim foi que, durante essa noite e mais dois dias, o Astro seguiu a sua jornada pelo inóspito deserto sem sobressaltos e naquilo que, embora de acordo com as indicações do sistema de navegação, lhe parecia ser "sempre em frente". Foi já na Mauritânia, palco de muitas das etapas do Lisboa-Dakar, que Casimiro teve um percalço digno de registo. Numa zona rochosa, viu-se incapaz de evitar um quase imperceptível mas fatal buraco e furou o pneu dianteiro da direita. Ali estava algo com que ele não contara: um problema técnico sem equipa técnica por perto para o socorrer. Era certo que ele atravessara dunas a uma velocidade razoável nos últimos dois dias, mas não era menos estranho que não houvesse, pelo menos, sinais da organização do rali pelos sítios por onde passara, nem mesmo nos locais onde cruzara estradas que pareciam não ser pisadas desde que foram cruzadas, um ano antes, pelos seus heróis das duas, quatro e mais rodas.&lt;br /&gt;Estava o Astro a degladiar-se com o guia de utilização do macaco de última geração integrado no seu Mitsubishi quando se apercebeu, de repente, de que se encontrava rodeado por uma dúzia de homens com uma distinta tez morena e barba cerrada, todos ostentando portentosos turbantes azul-turquesa. Antes mesmo de Casimiro se poder mostrar receoso perante a intimidante situação de um ataque iminente que, com alguma sorte, deixaria a sua companhia reduzida ao chassis daquilo que, de momento, ainda era o seu &lt;i&gt;Pajero&lt;/i&gt; pintalgado aqui e ali por alguns autocolantes da Galp, um dos homens de turbante avançou e berrou, na sua língua: «Ó amigo, o Lisboa-Dakar diz que foi cancelado e não sei quê...»&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3761909316072644711-6106488945607869536?l=umgajoassim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umgajoassim.blogspot.com/feeds/6106488945607869536/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3761909316072644711&amp;postID=6106488945607869536&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/6106488945607869536'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/6106488945607869536'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umgajoassim.blogspot.com/2008/01/grande-aventura-de-casimiro-no-deserto.html' title='A grande aventura de Casimiro no deserto'/><author><name>Radical Sonic</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3761909316072644711.post-8131692017746022496</id><published>2007-12-31T00:00:00.000Z</published><updated>2007-12-31T01:48:38.684Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='José Pedro Assis'/><title type='text'>Casimiro e as doze badaladas</title><content type='html'>Estava na hora. O Astro encontrava-se nervoso como nunca… 3… 2… 1…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Momentos antes, ultimavam-se pormenores. Nada foi deixado ao acaso. Não podia ser de outra maneira. Tudo tinha que correr bem à primeira. Estas coisas não se repetem. Não a toda a hora. A azáfama era grande. Casimiro, além de nervoso, sentia-se extremamente excitado. Todo o rebuliço próprio daquele dia não lhe era estranho. Não era a primeira vez que vivia aquele momento. «Isto acontece todos os anos. Eu já passei isto várias vezes», pensou. Apesar de se tentar acalmar com este pensamento, o Astro sabia que desta vez tudo era diferente. Desta vez, a posição que ocupava no meio de toda aquela festa era diferente de todas as outras vezes. Nunca tinha passado aquele momento naquele local. Sentia-se importante. Sentia-se o centro de tudo, finalmente. A roupa que usava não era a mesma de outras ocasiões. Vestia um fato de um branco imaculado. Sentia-se bem dentro daquele traje. Era com aquela vestimenta que sempre sonhara estar naquele dia. Ele próprio ajudou a desenhar alguns detalhes do modelo que lhe cobria o corpo. Tinha que estar à medida das suas necessidades para aquela ocasião. Tinha que estar perfeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Porque me sinto assim? É dia de festa. Só tenho que estar contente. Só tenho que me sentir realizado por me encontrar nesta posição num dia como o de hoje.» Animou-se, sentiu toda a energia que alguém que está a realizar um sonho de uma vida pode sentir. Custava-lhe não ter a sua mãe a seu lado num momento tão importante da sua vida. Se há coisa que sempre quis poder partilhar com a sua progenitora era aquele momento. Tantos anos juntos e, naquele dia, àquela hora, a D. Madalena não podia estar presente. Era fisicamente impossível tal coisa acontecer. Na verdade, esse era o único factor que minava a felicidade do Astro. Não fosse isso e Casimiro estaria a atingir níveis de felicidade nunca antes atingidos por si. Afastou este triste pensamento, reparando que se verificava, uma última vez, se os foguetes estavam aptos para serem accionados no momento certo. Afinal de contas, o dia tinha que ser de festa e os foguetes tinham um papel importantíssimo em todo aquele arraial. Reparou também que circulavam garrafas de champanhe pela sala que via através do monitor. Se tudo corresse bem, as suas tampas iam saltar acompanhando os pulos de alegria de todos os que lá se encontravam. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eram poucos os minutos que separavam o momento em que Casimiro descolou os olhos do ecrã do momento para o qual todo aquele aparato tinha sido montado. Encontravam-se todos a postos. Todos esperavam que a contagem se iniciasse. Num acto irreflectido e mecanizado, o Astro benzeu-se. Pensou na mãe e em toda a gente importante que fazia parte da sua vida. Sabia que todos estavam felizes, tal como ele. Faltavam 13 segundos…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;12... 11... 10... 9... 8... 7... 6... 5... 4... 3... 2... 1... 0... Descolar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sonho tornara-se realidade. Casimiro acabava de iniciar a sua primeira missão como astronauta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3761909316072644711-8131692017746022496?l=umgajoassim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umgajoassim.blogspot.com/feeds/8131692017746022496/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3761909316072644711&amp;postID=8131692017746022496&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/8131692017746022496'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/8131692017746022496'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umgajoassim.blogspot.com/2007/12/casimiro-e-as-doze-badaladas.html' title='Casimiro e as doze badaladas'/><author><name>L!NGU@$</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://img168.imageshack.us/img168/9800/629803163451127170cd3evy7.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3761909316072644711.post-4835716332163274367</id><published>2007-12-24T00:00:00.000Z</published><updated>2007-12-24T00:00:40.183Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fábio Vieira Fernandes'/><title type='text'>A Felicidade de Casimiro</title><content type='html'>O Espírito Natalício fazia-se sentir como nunca antes o havia feito. Aliás, nunca até àquele ano havia sido dirigido grande apreço ao Natal por parte de Casimiro. Toda aquela história das bolinhas vermelhas, do azevinho, do badocha da falsa barba branca, das prendas e subsequentes toneladas de papel desperdiçado, do pinheiro, e das musiquinhas irritantes e insistentes lhe causava uma espécie de urticária cujos sintomas começavam a manifestar-se por altura do Dia de Todos os Santos e só desapareciam por completo numa altura em que ainda era aceitável cantar as Janeiras mas já não faria qualquer sentido cantar os Reis.&lt;br /&gt;Contudo, tinha Casimiro uns viçosos 18 anos quando conheceu a Felicidade, e tudo aconteceu graças a essa estação do ano que é a Quadra Natalícia. Felicidade trabalhava como ajudante do Pai Natal num centro comercial na cidade mais próxima da terra do Astro, aonde ele se dirigiu mal tiveram início as férias, juntamente com dois colegas, para ir ao cinema ver &lt;i&gt;Os Anjos de Charlie&lt;/i&gt;. Devido ao mau tempo daquela noite, que incluía chuvas torrenciais, ventos incrivelmente fortes, e ainda um nevoeiro por demais cerrado como extra, a viagem demorou mais que o previsto e os três amigos perderam a sessão das dez. Bem assim, dirigiram-se de imediato às bilheteiras e, à cautela, reservaram três lugares para a sessão da meia-noite. Com muito tempo pela frente para queimar, decidiram dar uma volta pelas lojas, que certamente se encontravam apinhadas de gente a fazer compras. Casimiro preferia ficar sentado à porta da sala de cinema à espera do fim da sessão que decorria do que, nas suas palavras, «estar a levar com o Natal em cima», mas, ainda que com alguma dificuldade, Jorge e Barnabé lá o convenceram a acompanhá-los. Quando atravessavam o longo e largo corredor do rés-do-chão, depararam-se com uma barreira quase intransponível de crianças formando uma enorme e sinuosa fila à espera de se sentarem no colo do Pai Natal contratado pela Sonae para aquele complexo. Enquanto os seus colegas se esforçavam, em vão, por furar por entre a miudagem para passarem para o outro lado do centro comercial, Casimiro estacou, especado, com o olhar incrustado no sorriso arrebatador da mais alta das três ajudantes do pretenso S. Nicolau.&lt;br /&gt;Ainda que, mais tarde, graças ao filme, o Astro esquecesse aquela bela imagem por algum tempo, a distracção logo acabou e, à medida que abandonavam o &lt;i&gt;multiplex&lt;/i&gt;, com Barnabé aflito por ir à casa de banho, ele não pensava noutra coisa que não o sorriso da rapariga que vira a entregar um chupa-chupa a um rapaz pequeno e anafado de cabelo ruivo. Começou a correr em direcção às escadas rolantes sem dar qualquer justificação a Jorge, que ficou sozinho e atarantado a ver para onde ele acorria com tanta pressa. Casimiro saltou duas barreiras (o resto do centro comercial já se encontrava encerrado àquela hora) e desceu dois andares por escadas que já descansavam para o dia seguinte e, portanto, não rolavam. Ao chegar ao piso térreo, a sua esperança inchou: ainda estavam a arrumar o estaminé do badocha da falsa barba branca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma semana volvida, já Casimiro declarava no Groove a todos os seus conhecidos que Felicidade era o grande amor da sua vida. Aliás, desde que falara com ela pela primeira vez que o Astro vivia em função da sua nova amada. Nessa noite, então, não falava de outra coisa. Às onze e meia, iria encontrar-se com ela... pela segunda vez! Apesar de preocupados com tamanho entusiasmo, os seus amigos não conseguiam deixar de ficar contentes ao ver tanta felicidade nos olhos de um rapaz cuja vida fora até então pautada por sucessivos insucessos amorosos. Quando a hora marcada chegou, Casimiro despediu-se e abandonou o bar, ainda sóbrio, como já não acontecia há tantos e tantos sábados.&lt;br /&gt;Era dia 23 de Dezembro, pelo que o Astro sabia que seria improvável voltar a encontrar-se com Felicidade antes da Consoada. Além disso, sentia, pela primeira vez na vida, uma vontade inexplicável de comprar e oferecer uma prenda de Natal. Nem quando fora obrigado, uns anos antes, a fazê-lo, para um jantar de turma com troca de presentes, o fizera. Mas o amor mudava tudo. O amor fazia com que ele quisesse surpreender Felicidade, que certamente não estaria à espera de tal gesto. O problema era que Casimiro não fazia ideia sobre o que comprar, dado que ainda não a conhecia o suficiente para saber com alguma certeza aquilo de que ela gostava. Ter-se-ia conformado com a ideia de não lhe dar o que quer que fosse naquela noite, não tivesse sido o facto de ela ter feito a surpresa que ele ambicionava proporcionar-lhe: Felicidade apareceu na Ponte Velha, às onze e meia, como haviam combinado, com um grande embrulho na mão. A primeira reacção do Astro foi de grande embaraço, mas rapidamente tudo mudou, quando avistou o bilhete de Felicidade escondido no meio de todo o esferovite que o caixote que ela lhe oferecera continha. O bilhete dizia, simplesmente, «Gosto de ti». Com o espírito subitamente iluminado, Casimiro esforçou-se por despachar delicadamente aquele encontro e, à primeira oportunidade, fugiu para casa. Tinha o presente perfeito planeado ao detalhe na sua cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era meia-noite em ponto. Nos calendários, as folhas viravam do dia 24 para o dia 25. Ouve-se o som da campainha. O senhor Andrade, sentado no sofá a comer uma apetitosa rabanada, indagou-se sobre quem seria o estupor que lhes estava a tocar à campainha àquela hora daquele dia. Do lugar em que se encontrava defronte da lareira, a sua esposa ordenou:&lt;br /&gt;- Vai ver quem é, Carlos.&lt;br /&gt;- Que vá lá o Tó, que nunca faz nada! - retorquiu o rapaz de barba por fazer que jazia no tapete a ver televisão.&lt;br /&gt;- Tudo bem, tudo bem... Eu vou.&lt;br /&gt;Embora extremamente preguiçoso, Tó, o filho mais velho dos Andrades, esforçava-se por manter um saudável ambiente familiar sempre que visitava os pais. Sabia que a mãe nunca o perdoara por ter ido viver com uma brasileira e que, para piorar a situação lá em casa, Carlos andava intencionalmente a causar demasiados problemas desde que ficara sem a chave do carro por ter sido apanhado a conduzir embriagado.&lt;br /&gt;Espreitando pela vidraça da porta, Tó avistou dois enormes vultos a carregar aquilo que, no escuro, parecia ser um guarda-roupa. Reticente, abriu a porta e ouvir uma voz grave gritar:&lt;br /&gt;- Vimos trazer uma prenda para a Felicidade!&lt;br /&gt;O senhor Andrade mostrou-se tão ou mais confuso do que Tó ao ouvir isto quando dois bisontes vestindo sobretudo e gorro lhe entraram pela sala empurrando um monstruoso caixote envolto num espampanante laçarote roxo.&lt;br /&gt;- Então... feliz Natal! - despediu-se um dos rapazes que carregaram a maior prenda que Felicidade alguma vez recebera, enquanto ambos se dirigiam à saída.&lt;br /&gt;Felicidade levantou-se, embasbacada, e começou a tentar abrir um embrulho que se revelava maior do que ela própria. Assim que lhe foi dada suficiente folga, Casimiro saltou do embrulho, vestindo apenas um gorro de Pai Natal e uma tanga vermelha ornamentada com bolinhas e luzinhas de várias cores e cantando o &lt;i&gt;Jingle Bells&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;Casimiro sentiu o Espírito Natalício como nunca antes o havia sentido e, ao acordar na manhã seguinte, duvidava seriamente que pudesse ter alta a tempo da passagem de ano.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3761909316072644711-4835716332163274367?l=umgajoassim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umgajoassim.blogspot.com/feeds/4835716332163274367/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3761909316072644711&amp;postID=4835716332163274367&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/4835716332163274367'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/4835716332163274367'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umgajoassim.blogspot.com/2007/12/felicidade-de-casimiro.html' title='A Felicidade de Casimiro'/><author><name>Radical Sonic</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3761909316072644711.post-4605041309446996980</id><published>2007-12-17T00:00:00.000Z</published><updated>2007-12-17T00:12:41.221Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Eduardo Bouças'/><title type='text'>Casimiro sobre rodas</title><content type='html'>Vou começar por desfazer um mito que há na cabeça das pessoas: o Casimiro não tem pernas. Tem o tronco aparafusado a um carro de rolamentos da marca Gant. Além disso, possui uma estrela na cabeça (fixa com fita-cola, que os parafusos aleijavam). As pessoas julgam que é um adorno alusivo ao tema dos astros, mas não: é a forma de o Casimiro apanhar a TV Galiza.&lt;br /&gt;Há uns anos, o Casimiro juntou uns cobres e fez o investimento por que ansiava desde sempre: comprou um Ford Fiesta verde-esmeralda. Contudo, ele acaba por preferir andar de transportes públicos uma vez que a alavanca de velocidades encravou na marcha-atrás, e ele aborrece-se um bocado porque acaba por ir para sítios que não lhe interessam (ainda no outro dia queria ir para Idanha-a-Nova e deu por si em Esposende).&lt;br /&gt;A grande paixão do Casimiro são os animais. A primeira história que gostava de vos contar, apesar de ser um pouco triste e me comover um pouco, é a do Júlio, o pássaro. O Júlio, ou Alexandre, como toda a gente o tratava devido à sua barba ruiva, foi o primeiro animal de estimação de Casimiro. Estávamos em 1973. Numa certa manhã de Abril, o Júlio desapareceu, e, desde essa altura, muito se especulou. A versão oficial é de que ele morreu em Alcobaça com uma crise de caspa, mas há pessoas que dizem que ele foi raptado para trabalhar nas minas. O que é certo é que os senhores dos cravos eram para fazer uma revolução nessa semana e, por respeito ao Casimiro, esperaram um anito.&lt;br /&gt;Falemos agora do melhor amigo do Astro, o Rodas. O Rodas entrou na vida de Casimiro por alturas do Natal, pelas mãos do Joca Sapateiro, carteiro de profissão. Dentro de uma simpática embalagem de Correio Verde, vinha um perú e um cartão de boas festas. O Astro achou tudo aquilo estranho, dado que a encomenda vinha endereçada a um tal de Almeno Palhas, mas o Joca Sapateiro às vezes bebe uns copos ao almoço e troca as moradas todas da parte da tarde (com a agravante de naquela terça-feira a diária no Café do Ósteas ter sido tripa e isso puxa à pinga). De qualquer forma, Casimiro engraçou com o bicho e decidiu adoptá-lo, com todo o carinho, arranjando-lhe um lugar privilegiado no armário da despensa, ao pé da lata das bolachas.&lt;br /&gt;Uns anos depois, Casimiro acordou de noite estremunhado e com vontade de comer qualquer coisa. "Uma mista?", foi a primeira hipótese. "O perú!", lembrou-se o Astro numa fracção de milissegundos. Dirigiu-se ao armário onde o havia guardado e, atentando melhor no animal, reparou que afinal se tratava não de um perú, mas sim de um gato de plástico, de cor preta. Devido à sua forma arredondada, semanas depois já andava o Rodas a dançar o &lt;i&gt;foxtrot&lt;/i&gt; em cima do &lt;i&gt;tabelier&lt;/i&gt; do Ford Fiesta.&lt;br /&gt;Um dos momentos mais marcantes da vida de Casimiro foi quando o Tito, seu amigo de infância (que dizem estar bem na vida, pois tomou conta do negócio do pai, a funerária "Bom Sucesso", nas Taipas), lhe falou de uma oportunidade de emprego que o entusiasmou de sobremaneira. Era na Maia. O Astro decidiu ir imediatamente ao estabelecimento em questão, apontando, portanto, o carro em direcção ao Feijó. Passados três dias e meio, chegou finalmente ao seu destino. "Sorria, está na Maia", observou alegremente Casimiro, enquanto procurava a tal Rua Fernão Ferreira. Finalmente, acabou por encontrar o estabelecimento de que Tito lhe falara: Salão de Cabeleireiro "O Careca". A alegria estampada no rosto do Astro.&lt;br /&gt;Um pouco apreensivo, mas com uma boa dose de coragem, Casimiro entra lentamente no estabelecimento e observa o atarefado ambiente que lá se vivia. Logo à entrada, estava uma senhora, na casa dos 60, a sentar-se para ser atendida. "A ver se fica certinho desta vez, Lacoste. Da última vez, tive de o rapar ao chegar a casa!", exclamou para com o sujeito que lhe ia cortar o cabelo. Casimiro veio mais tarde a saber que esse tal sujeito, Rúben de seu nome, fez um safari em África há uns anos e, num momento de distracção, a sua perna esquerda foi comida por um crocodilo. Ficou conhecido como Lacoste desde então e está para ser despedido devido a queixas da clientela. "Ele está sempre ao pé-coxinho e o penteado fica uma desgraça", alegou um cliente.&lt;br /&gt;O Astro começou a aperceber-se de que o ambiente de trabalho naquele salão não era o melhor, e a carreira de cabeleireiro não era propriamente o que ele tinha em mente para fazer o seu futuro brilhar. Era preciso encontrar um rumo. Casimiro voltou para o seu carro (que já estava dois quarteirões abaixo de onde o tinha estacionado, pois o travão de mão tinha avariado há uns tempos, e o Astro, com o nervosismo da entrevista de trabalho, esqueceu-se de colocar na bagageira os pêssegos que costumava usar para calçar as rodas).&lt;br /&gt;Casimiro, já sentado ao volante do Ford Fiesta, achou repentinamente o caminho para a sua vida. Fitando os olhos do seu eterno amigo de plástico, que o escutava pacientemente de cima do &lt;i&gt;tabelier&lt;/i&gt;, disse com determinação e extrema seriedade:&lt;br /&gt;"Rodas, quero ser &lt;i&gt;stripper&lt;/i&gt;."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3761909316072644711-4605041309446996980?l=umgajoassim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umgajoassim.blogspot.com/feeds/4605041309446996980/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3761909316072644711&amp;postID=4605041309446996980&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/4605041309446996980'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/4605041309446996980'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umgajoassim.blogspot.com/2007/12/casimiro-sobre-rodas.html' title='Casimiro sobre rodas'/><author><name>Radical Sonic</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3761909316072644711.post-762109743501995970</id><published>2007-12-10T00:00:00.000Z</published><updated>2007-12-10T00:02:29.375Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Luís Oliveira'/><title type='text'>Casimiro a bordo</title><content type='html'>Um gajo qualquer de vinte e tal anos a fazer de puto do Secundário batia noutro gajo qualquer de vinte e tal anos a fazer de puto do Secundário por causa de uma gaja qualquer de vinte e tal anos que fazia de pita do Secundário. "Os &lt;i&gt;Morangos com Açúcar&lt;/i&gt; são a mesma coisa todos os dias", pensou Casimiro. Fez &lt;i&gt;zapping&lt;/i&gt;, em vão, pois a alternativa era a &lt;i&gt;Floribella&lt;/i&gt; ou a seca dos canais públicos.&lt;br /&gt;Levantou-se e foi até ao quarto, com vontade de ouvir qualquer coisinha que anulasse o efeito negativo dos Expensive Soul da morangada. No computador, o &lt;i&gt;eMule&lt;/i&gt; fazia &lt;i&gt;download&lt;/i&gt; de um vídeo que Casimiro esperava há algum tempo. O &lt;i&gt;download&lt;/i&gt; ainda não tinha chegado a metade quando o Astro abriu a pasta da música e cirandou por pastas e pastas até decidir o que ia ouvir. Aquele vídeo podia ser visto na net, mas Casimiro queria tê-lo pois andava com ideias de fazer um blogue com o mesmo tema do vídeo e tinha intenções de o postar e comentar.&lt;br /&gt;Quando o som começou a sair das colunas, Casimiro sentou-se no pufe e fechou os olhos. A tarde até que não tinha sido má, pensou ele. O pessoal lá no Groove divertia-se sempre entre finos, cigarros e bilhar, ao som de música a sério. Estava com vontade de voltar para o bar. Mas dali a pouco os seus pais chegariam a casa e iam maçar-lhe a cabeça de novo. "Chatos do caraças...", pensou Casimiro, ignorando as ironias do destino.&lt;br /&gt;A música saia baixinho das colunas, onde alguém cantava:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;i&gt;For one moment&lt;br /&gt;I wish you'd hold your stage&lt;br /&gt;With no feelings at all&lt;br /&gt;Open minded&lt;br /&gt;I'm sure I used to be so free&lt;/i&gt;"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Casimiro estava sozinho numa mesa no Groove. Fumava um cigarro e ia dando uns goles no fino que tinha na frente enquanto os seus olhos não desprendiam da mulher que jogava bilhar com um conhecido seu. Alta, de longos cabelos loiros e com umas glândulas mamárias incríveis, aquela mulher era um regalo para a vista de todo o homem ali no bar. Mas a mulher ignorava toda a gente e até quase o seu jogo de bilhar, focando a sua atenção no Astro. Olhares sedutores e sorrisos misteriosos aceleravam o coração de Casimiro, que quase falhou uma batida aquando da epifania que teve: "Pamela...", pensou ele. Sentiu uma erecção apertar-lhe as calças quando a sua musa, de costas para ele, se curvou sobre o bilhar para uma jogada que nada mais era senão um gesto para seduzir Casimiro. Aquelas calças justinhas que realçavam as nádegas que para ele se empinavam iam dando com ele em louco.&lt;br /&gt;E foi então que a mulher se virou e caminhou na direcção de Casimiro enquanto uma voz familiar cantava pelas colunas do bar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;i&gt;I thought I was a fool for no-one &lt;br /&gt;Oh baby, I'm a fool for you&lt;/i&gt;"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mulher parou na frente de Casimiro e inclinou-se para ele revelando praticamente todo o interior da blusa que ela vestia e o Astro só desejava que as calças não lhe rebentassem, tal era o volume que as apertava. Nisto ela abre a boca, e numa voz que só podia ser de anjo disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Transferência concluída.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Casimiro acordou e pestanejou. A luz dos lampiões entrava pela janela do quarto revelando que o dia já dera lugar a noite. O &lt;i&gt;Media Player&lt;/i&gt; já tinha corrido o álbum todo que pusera a dar e no computador uma barra verde do &lt;i&gt;eMule&lt;/i&gt; avisava que a transferência do vídeo estava concluída. Casimiro levantou-se e dirigiu-se para o computador.&lt;br /&gt;"Vamos lá ver o vídeo do barquinho", pensou o Astro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3761909316072644711-762109743501995970?l=umgajoassim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umgajoassim.blogspot.com/feeds/762109743501995970/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3761909316072644711&amp;postID=762109743501995970&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/762109743501995970'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/762109743501995970'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umgajoassim.blogspot.com/2007/12/casimiro-bordo.html' title='Casimiro a bordo'/><author><name>Radical Sonic</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3761909316072644711.post-7898756888133363834</id><published>2007-12-03T00:00:00.000Z</published><updated>2007-12-03T10:21:14.242Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fábio Vieira Fernandes'/><title type='text'>Surrealismo segundo Casimiro</title><content type='html'>Suores. Calafrios. Mãos trémulas. Desorientação total. «Estes pesadelos têm de acabar», disse o Astro de si para consigo. Acordado, sentia-se ainda pior do que quando submerso nos seus estranhos sonhos doentios. Pondo-se de pé, percebeu que, desta vez, adormecera no sofá da sala. Ou, pelo menos, era lá que se encontrava quando acordou. Não se lembrava minimamente de sequer ter-se sentado lá. Olhou em seu redor e pareceu-lhe que se encontrava tudo no seu devido sítio.&lt;br /&gt;Na noite anterior, por volta das quatro horas, Casimiro havia acordado completamente nu na banheira da casa de banho do quarto dos seus pais, com as pernas empoleiradas para fora. Contudo, o mais estranho fora, depois de conseguir acender a luz, ter encontrado todos os frascos de condimentos e especiarias que a mãe tinha devidamente expostos, por ordem alfabética, em cima do lavatório. No seu lugar, na cozinha, encontrava-se o frasco de sabonete líquido e a lâmina de barbear do seu pai.&lt;br /&gt;Dirigiu-se ao televisor, onde balouçava o logótipo da LG, com o intuito de o desligar. Antes de o fazer e, consequentemente, mergulhar a sala na mais profunda penumbra, abriu a gaveta do leitor de DVD por forma a retirar o filme que teria estado a ver. Nada residia lá. Voltou a sentir um arrepio e, de repente, toda a casa se lhe afigurou gelada. «Estamos em Agosto, co'a breca!» Decidiu esquecer tudo até à manhã seguinte, e foi para a cama. Não se apercebendo de que a cama estava impecavelmente feita, o que nunca acontecia dado que a mãe do Astro decidira, há já um bom par de anos, que o melhor seria nem se abeirar do quarto do filho tal era o caos permanente em que se encontrava, enfiou o seu corpo exausto no seu confortável leito e adormeceu de imediato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Miro, acorda, filho! Estás cheio de sede!» Casimiro abriu os olhos estremunhado. Encontrava-se debruçado sobre a mesa da cozinha, e a mãe ostentava um ar preocupado. «Voltaste a adormecer aqui? Agora é todos os dias a mesma brincadeira?» O Astro sentia-se demasiado ensonado e desorientado para se preocupar em prestar atenção ao que a mãe lhe dizia. Aliás, o Astro nem sequer se encontrava capaz de perceber o quão surreal era a sua mãe encontrar-se ali, a seu lado, na cozinha, com aquele &lt;i&gt;écharpe&lt;/i&gt; lilás. Levantou-se e abandonou a cozinha sem prestar quaisquer contas à sua progenitora. Mudou de roupa (desde quando é que possuía um pijama dos &lt;i&gt;Teletubbies&lt;/i&gt;?) e avançou, destemido, para o exterior. Estava decidido a consultar um especialista. Os pesadelos tinham de acabar.&lt;br /&gt;Enquanto caminhava rua fora, começou a recapitular todos os detalhes das últimas cinco tenebrosas noites. À medida que o fazia, a indisposição que o assolava fazia-se sentir cada vez com mais intensidade. Não aguentando a agonia, sentou-se na soleira da porta de um bloco de apartamentos situado mesmo em frente do Tribunal, do outro lado da estrada. Encostou a cabeça à parede, olhando para as caixas do correio na parede à sua frente. Antes de conseguir lembrar-se de onde conhecia o nome do proprietário do 2.º Esq. Frente, a força da gravidade levou de vencida as suas pálpebras, e o Astro adormeceu.&lt;br /&gt;Uma vez mais, Casimiro sentia necessidade de entrar naqueles sítios todos que via à sua volta. Mas só um, o último, mesmo lá ao fundo da rua, se encontrava aberto. Desatou a correr. Sabia que era escusado, pois, mal lá chegasse, a porta iria fechar-se na sua cara, como acontecia invariavelmente em todos os seus sonhos. Assim foi. Ao mesmo tempo que tentava desesperadamente arrombar a fechadura, sentia-se a suar em bica, e os pés estremeciam-lhe.&lt;br /&gt;Voltou a acordar. Estava sentado numa confortável cadeira, e o silêncio era total. Depois de esfregar veementemente os olhos, Casimiro apercebeu-se que se encontrava defronte a uma secretária de madeira, e, por detrás dela, um homem de meia-idade e com os óculos na ponta do nariz mirava-o penetrantemente. «Boa tarde», tentou o Astro. O homem anuiu com um aceno de cabeça. Sem que ele próprio percebesse porquê, compreendeu que se achava no local aonde se dirigia quando saíra de casa de manhã. Sem medo, prosseguiu: «Era um copo de água, se faz favor.»&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3761909316072644711-7898756888133363834?l=umgajoassim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umgajoassim.blogspot.com/feeds/7898756888133363834/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3761909316072644711&amp;postID=7898756888133363834&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/7898756888133363834'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/7898756888133363834'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umgajoassim.blogspot.com/2007/12/surrealismo-segundo-casimiro.html' title='Surrealismo segundo Casimiro'/><author><name>Radical Sonic</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3761909316072644711.post-7378204100083273597</id><published>2007-11-26T00:00:00.000Z</published><updated>2007-12-23T19:13:53.785Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='José Pedro Assis'/><title type='text'>O maior espectáculo da vida de Casimiro</title><content type='html'>O Astro sentiu uma brisa gelada varrer-lhe o rosto. «Devem estar uns valentes graus negativos», disse para o indivíduo que se encontrava deitado a seu lado. Não obteve resposta. O seu companheiro dormia profundamente. Casimiro entendia-o bem. Já tinham passado várias horas desde que montaram acampamento naquele local frio e húmido. Sem dúvida que tudo passaria melhor com umas horinhas de sono, mas a excitação impedia-o de fazer o mesmo que Barnabé. Abriu um olho, espreitou à sua volta, e reparou que ainda eram as únicas pessoas da fila. «Como é possível?», pensou. As bilheteiras abriam dentro de sete horas e Casimiro tinha sido o primeiro a chegar. Barnabé chegou míseros minutos depois do Astro. Tinha perdido a corrida. &lt;br /&gt;Apesar de ainda faltar mês e meio para o concerto, Casimiro tinha necessidade de sentir o bilhete na sua mão. Ninguém lhe iria roubar o prazer de ser o primeiro a adquirir o papelinho mágico. Há muito que esperava por aquele evento. Nada o ia impedir de estar na primeira fila dentro de 45 dias. Perdido nestes pensamentos, adormeceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um tímido sol espreitava por detrás de negras nuvens. A chuva não tardava em chegar. A apenas três minutos da abertura da bilheteira, Barnabé consegue acordar Casimiro. Sem pensar em mais nada e ainda ensonado, o Astro salta de dentro do saco-cama, tira o gorro da cabeça e posiciona-se na primeira posição da fila. Estava prestes a desembolsar uma pequena fortuna, mas isso não o preocupava minimamente. Nem reparou no actual tamanho da fila. &lt;br /&gt;A funcionária eleva a persiana e o Astro vislumbra o bloquinho de cor amarela. A senhora não tinha mais de 40 anos, mas Casimiro reparou no ar envelhecido que apresentava. A vida não lhe devia sorrir. O Astro afastou estes pensamentos e focou-se no que o levara àquele local. Sem esperar que Andreia Sousa lhe dirigisse um «Bom dia!», disparou: «Queria dois bilhetes para o concerto de dia 17.» Os olhos brilhavam quando os bilhetes lhe tocaram a mão direita. Depois de receber o troco, saiu da fila. Fitou os pequenos papéis. Nunca se sentiu tão excitado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dia tinha chegado. Casimiro dirigiu-se ao local marcado quando faltavam duas horas para o primeiro acorde ser tocado. As portas ainda se encontravam fechadas. O Astro não se podia dar ao luxo de perder o lugar que tanto almejou.&lt;br /&gt;As portas são finalmente abertas. Numa corrida desenfreada, Casimiro sai em primeiro. Estranhou não sentir os passos de ninguém por perto, nem mesmo os de Barnabé, mas não quis saber. Cada vez se sentia a correr mais rápido. O palco aproximava-se rapidamente. O seu coração batia como nunca tinha batido. Conseguiu alcançar a grade. Tinha conseguido o lugar que tanto queria.&lt;br /&gt;O tempo foi passando, o público foi rodeando o Astro, mas nada o fazia desviar os olhos de toda a maquinaria que se encontrava metros à sua frente. &lt;br /&gt;Finalmente entrava gente em palco. Casimiro não aguentava. Sentiu as pernas a fraquejar. Sentiu a respiração a falhar. Não se podia deixar ir abaixo agora. Estava próximo o primeiro acorde. Acalmou-se. Fitou o indivíduo que se abeirou do microfone. A música começa a tocar e, de repente:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Deixei tudo por ela, deixei, deixei&lt;br /&gt;Deixei tudo por ela, eu sei, eu sei&lt;br /&gt;Deixei a minha vida tão bonita e singela&lt;br /&gt;Deixei tudo o que tinha, deixei tudo por ela»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Astro desmaiou.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3761909316072644711-7378204100083273597?l=umgajoassim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umgajoassim.blogspot.com/feeds/7378204100083273597/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3761909316072644711&amp;postID=7378204100083273597&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/7378204100083273597'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/7378204100083273597'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umgajoassim.blogspot.com/2007/11/o-maior-espectculo-da-vida-de-casimiro.html' title='O maior espectáculo da vida de Casimiro'/><author><name>L!NGU@$</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://img168.imageshack.us/img168/9800/629803163451127170cd3evy7.gif'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3761909316072644711.post-7594589576084969300</id><published>2007-11-19T00:00:00.000Z</published><updated>2007-11-18T23:48:33.854Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fábio Vieira Fernandes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='José Pedro Assis'/><title type='text'>Casimiro arranja um lugar ao sol na blogosfera</title><content type='html'>On. Três horas e cinquenta e um minutos. Casimiro acabara de chegar a casa, depois de uma noite de copos e bilhar, e os seus pais pareciam ainda não haver chegado. Ligara o computador e, enquanto o sistema operativo arrancava, foi à cozinha fazer uma tosta mista e encher uma chávena com leite. A casa encontrava-se totalmente vazia. Só se ouvia a chuva lá fora e, ao longe, as ventoinhas do computador ainda a funcionar a poucas rotações. E, de repente, também o estrondo de um copo a partir-se. Tantas vezes que a mãe de Casimiro lhe havia dito para ligar a luz da cozinha quando lá fosse a meio da noite, mas, bem assim, o vício de deixar a porta do frigorífico aberta para iluminar o espaço envolvente era mais forte. Sem se preocupar muito com os vidros mais pequenos que certamente teriam ficado espalhados pelo chão, virou novamente a sua atenção para a ceia que iria saciar a alarve fome que sentia.&lt;br /&gt;«Ligado à Internet», aparecia no ecrã quando o Astro regressou ao seu quarto. Dirigiu-se então ao Blogger. Há muito que Casimiro tinha o sonho de criar um blogue. «Não passa de hoje», pensou. Entre dentadas na tosta, seguiu os passos que lhe eram indicados e, numa questão de minutos, o lugar ao sol na blogosfera que durante tanto tempo imaginara tornou-se uma realidade. Olhou para o relógio e sentiu-se invulgarmente preocupado. De facto, era estranho que os seus pais ainda não tivessem dado sinais de vida. É certo que tinham decidido sair, como nos bons velhos tempos («ai quando eu era jovem!», exclamava bastas vezes, saudosa, a mãe de Casimiro), como se ainda fossem dois namorados apaixonados, mas só lhe tinham falado num jantar e numa ida ao cinema, na cidade mais próxima.&lt;br /&gt;O Astro começou, então, a vasculhar os seus arquivos em busca das melhores imagens da Jessica Alba. Parecia-lhe bem começar o seu blogue de gajas nuas com fotografias pouco explícitas, para não entrar a matar. Da próxima, sim, trataria de presentear os seus leitores com uma Pamela Anderson ou assim. Depois do &lt;i&gt;post&lt;/i&gt; se encontrar devidamente alinhavado, colocou-o finalmente &lt;i&gt;online&lt;/i&gt;. O seu blogue estava pronto a ser divulgado!&lt;br /&gt;Havia Casimiro acabado de pegar no telemóvel para enviar uma SMS a todos os seus amigos quando este começa a tocar. Era o seu pai. Tinham tido um acidente no quilómetro 27 da EN-615. A sua mãe falecera. Casimiro já não iria ouvir um sermão por causa do copo partido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3761909316072644711-7594589576084969300?l=umgajoassim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umgajoassim.blogspot.com/feeds/7594589576084969300/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3761909316072644711&amp;postID=7594589576084969300&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/7594589576084969300'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3761909316072644711/posts/default/7594589576084969300'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umgajoassim.blogspot.com/2007/11/casimiro-arranja-um-lugar-ao-sol-na.html' title='Casimiro arranja um lugar ao sol na blogosfera'/><author><name>Radical Sonic</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry></feed>
